O mercado brasileiro está sobreaquecido. No primeiro quadrimestre as vendas de automóveis cresceram 20%, de comerciais leves cresceram menos, 7,5%. Na soma dos dois os emplacamentos de veículos leves se expandiram 16,7%. Quando o crescimento é de dois dígitos categoriza-se como superaquecido.

Curioso lembrar que as apostas dos executivos do setor no final do ano passado para 2026 estavam em tímidos 5%. O que aconteceu? Ou vem acontecendo? Pode-se encontrar várias explicações diferentes e todas fazerem algum sentido. A Selic, que era a grande vilã do ano passado, segue elevada, baixaram 0,25%, iriam baixar mais, quando irrompeu a guerra dos EUA contra o Irã. O primeiro mercado de veículos a ser afetado foi o americano. Mas não é só lá, nossos vizinhos argentinos enfrentam uma retração da ordem de 20~25% e sem sinais de trégua.

No ano passado, na tentativa de combater um certo esfriamento de mercado (crescíamos mais de 5%, quando as vendas começaram a cair levemente, o governo, preocupado com a reeleição, agiu rapidamente e veio com o programa Carro Sustentável. Ele ajudou sim, podemos ver na tabela abaixo que a soma dos modelos afetados (misturados com versões fora do programa, diga-se), cresceu 12,1% com relação aos mesmos quatro meses do ano passado, mas os automóveis cresceram 20%.

O desempenho positivo de emplacamentos não atinge a todos. Peugeot, Citroën, Toyota e Mitsubishi amargaram queda de vendas nos primeiros quatro meses do ano, assim como todos as marcas de luxo, neste caso culpem-se as marcas chinesas, que vêm tomando compradores de todos os segmentos. Até abril eles representaram 25% de todas as vendas no varejo. Assustador.
De bom, as vendas diretas vêm se mantendo em patamares razoáveis. Em abril 43% dos automóveis saíram por essa canal, mas foi o varejo que mandou bem, foram 114 mil automóveis.


Nem tudo são flores. as exportações para a Argentina patinam, para os mercados da América do Sul e México idem, então enquanto as vendas de leves crescem 16,7%, a produção cresceu 5%. O mercado de pesados também encolheu 14%, somando-se caminhões e ônibus.

No total, em abril emplacaram-se 248.337 autoveículos, sendo 237.486 leves e 10.851 pesados, números sempre da Anfavea. Nosso principal parâmetro para avaliar comportamento de vendas, os licenciamentos diários de leves, estes atingiram 11.874. Quase doze mil vendas por dia em abril não é só incomum, olhando para trás no tempo foi mais aquecido do que abril de 2014.
Como este governo está decidido a vencer as eleições e sabendo como lidar com os fabricantes de automóveis, esta semana anunciou-se incentivos para os motoristas de aplicativo, que terão até 72 meses para pagar por automóveis de até 150 mil reais, a juros subsidiados. Coisa de 30 bilhões de reais. Se alguém conversar a respeito com eles, os condutores de transporte por aplicativo, todos adoraram a ideia, mas o Brasil já viu na crise de 2015 o que acontece quando você cria incentivos para vender veículos de transporte num mercado já aquecido, a superoferta deles vai acontecer e isso não será bom para ninguém.

RANKING DO MÊS E DO QUADRIMESTRE
A Fiat emplacou 45.627 leves em abril, um crescimento de 8% sobre mesmo mês do ano passado, num mercado que cresceu 20%. A VW não ficou longe, foram 38.903 veículos vendidos, crescimento de 20%, a Chevrolet desta vez fez bonito, 25.100, depois Hyundai, 18.563, BYD, Toyota, Renault, Honda, Jeep e Caoa Chery. No quadrimestre a marca italiana emplacou 172.233 leves (+12%), VW com 135.959, depois Chevrolet, Hyundai, BYD, Toyota, Renault, Jeep, Honda e Nissan.
Nos automóveis o Polo liderou as vendas de abril, 8.367 unidades, depois o Argo, 7.991, Onix bem perto, 7.847, T-Cross, Creta, Dolphin Mini em 6º, HB20, Kwid, Tera e Song Plus. Isso mesmo, pela primeira vez o Brasil teve dois modelos chineses (ambos da BYD) no ranking dos 10 mais vendidos. Nos primeiros quatro meses, Polo na frente, 32.634, Onix em 2º, 29.427, Argo 27.927, T-Cross, Tera, Creta, HB20, Mobi, Dolphin Mini e Kwid.
Nos comerciais leves a Strada (foto de abertura) na frente com 14.905 unidades vendidas, superando mais uma vez os automóveis mais vendidos e com boa margem. A Saveiro veio com 6.457, depois Toro, 4.169, Hilux, 4.078, Ranger, 3.101, S10, Fiorino, Rampage, Montana e Oroch, fechando a lista dos dez primeiros. No quadrimestre a ordem muda muito pouco, Strada com 53.343, Toro, 17.295, Saveiro, 17.023, Hilux, Ranger, S10, Rampage, Fiorino, Montana e Oroch.
Até mês que vem!
MAS






