Muitos já falaram sobre a morte de Fernando Campos (foto de abertura, 1º à esquerda), jornalista que nos deixou nesta semana aos 86 anos. Mas eu não poderia deixar de fazer esta coluna, ainda que a menor delas, para falar deste meu amigo (não só meu, mas de muitos outros jornalistas e pessoas ligadas ao automobilismo), português de Coimbra, com quem convivi por muito anos, aprendendo com ele, rindo com ele, tomando umas e outras ao seu lado, brindando a vida.
Foram muitas as vezes em que estivemos juntos, profissional e particularmente, como encontros em Santos, cidade que o acolheu e onde ele conheceu a “dona” Marlene, paixão à primeira vista, na porta da escola onde ela estudava.
Ao saber da sua morte, lembrei da minha viagem à Goiânia, quando lá estive para entregar um Vectra, versão especial que tinha como acessório extra uma bicicleta Caloi, produzida na cor prata, a mesma do carro.
Lembro que fiquei hospedado no Castro’s Park hotel, onde o Fernando me pegou, com o Vectra, para jantarmos num belo restaurante da capital goiana. E, como ele sempre fazia, quando recebia visitas, o pedido foi “Peixe na Telha”, uma especialidade local.
Depois de devorar aquele delicioso prato, ele me levou de volta ao hotel. E, ambos esquecemos que havia uma bicicleta sobre o carro. Então aconteceu o que nos deu um grande susto. A bike rasgou o teto de gesso da entrada do hotel.
“Ai, a bicicleta, esquecemos da bicicleta!” falamos como em um jogral. Foi só um pequeno pedaço, talvez 20 cm, pois o Fernando acionou o freio imediatamente. Mas ficou a marca da Caloi, que nada sofreu.
Há uma curiosidade sobre a bicicleta. Ela seria vendida na rede de concessionários com a marca Chevrolet. E, nós da Imprensa da fábrica, decidimos ceder, algumas delas, para testes dos jornalistas, junto com uma série especial de um Vectra prata.
Porém, porque a nota fiscal que acompanhava a Caloi, não foi emitida permitindo o retorno à fábrica, nenhum jornalista conseguiu devolvê-la, já que a segurança não poderia permitir a sua entrada, por força da legislação.
São muitas as histórias que vivi com meu amigo, assim como muitos outros jornalistas e pilotos, mecânicos e dirigentes do automobilismo de competição.
Sobre o Fernando
“Jornalista apaixonado pelo esporte e um dos maiores defensores do automobilismo goiano, meu pai dedicou sua vida à comunicação, à preservação da memória do esporte a motor e à valorização do automobilismo em Goiás”, escreveu o filho de Fernando.
O início de sua carreira no setor automobilístico começou em 1970, ao tornar-se editor de Automóveis no jornal O Popular, de Goiânia, cidade que adotou. Sua carreira sempre esteve ligada ao esporte de competição, participando de programas nas rádios Araguaia, Cidade, Terra, Executiva, CBN-Anhanguera e nas emissoras de TV Brasil Central, Goiânia e Anhanguera.

Criou também o programa “Rodas e Motores”, uma revista eletrônica sobre automóveis e motocicletas que ele coordenava ao lado do filho, Alexandre Yee de Campos. Escreveu um belo livro, “Esportes a Motor em Goiás” e foi um dos principais responsáveis pela campanha para a reforma do autódromo da cidade, que recentemente abrigou etapa do Mundial de Motociclismo.
CL
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