Tenho mais um bom motivo para voltar a Le Mans em 2027, e, se tudo der certo, será pelo quinto ano consecutivo. A Ford Racing acaba de colocar na pista, pela primeira vez, seu novo Hypercar, que disputará a categoria principal do Campeonato Mundial de Resistência (WEC) da FIA a partir da próxima temporada.
O protótipo completou três dias de testes no circuito de Paul Ricard, no sul da França, acumulando mais de 1.000 km. Foi a primeira rodagem prolongada desde que o motor V-8 de 5,4 litros baseado no Coyote foi ligado, instalado no chassi, nas instalações da Oreca, no início de julho.
O carro ainda não teve seu nome oficial divulgado. Trata-se de um LMDh com chassi desenvolvido pela Oreca e motor construído e desenvolvido internamente pela Ford em Michigan. A propulsão combina o V-8 de aspiração natural com o sistema híbrido da categoria.
Um Coyote para Le Mans
É justamente o motor que torna esse projeto particularmente interessante.
O V-8 atmosférico de 5,4 litros e baseado na arquitetura Coyote. Segundo a Ford, é o primeiro motor de competição da história da empresa produzido integralmente dentro de casa. A fabricante ainda não divulgou sua potência máxima. Mas terá que atender obrigatoriamente o regulamento da Hypercar que estabelece parâmetros para o sistema híbrido e para a potência e torque total disponível na roda.
Antes de chegar à pista, o motor passou por intenso trabalho no dinamômetro em Dearborn, MI, EUA. E aqui aparece um detalhe que diz muito sobre a seriedade do programa: a Ford reproduziu no dinamômetro uma volta completa do circuito de La Sarthe, de 13,626 km, para desenvolver e validar o motor considerando as condições específicas encontradas em Le Mans.
A ligação com os carros de produção também faz parte do projeto. A Ford destaca que a arquitetura do V-8 mantém relação direta com seus motores de alto desempenho, incluindo os utilizados nos programas Mustang de competição.
Agora começa o desenvolvimento final
Em Paul Ricard, Logan Sargeant, Matt Campbell, Tom Blomqvist e Mike Rockenfeller se alternaram ao volante. Sebastian Priaulx e Nick Yelloly também acompanharam os trabalhos, reunindo informações para as próximas etapas.
A Ford tem pela frente um extenso programa de testes. Depois de uma sessão de três dias no simulador, na Carolina do Norte, o Hypercar seguirá para Portimão. Depois virão Silverstone, Monza, Ímola e Aragón, antes da transferência do programa para os Estados Unidos, onde estão previstos testes no Circuit of the Americas e em Sebring.
Os primeiros 1.000 km não servem para procurar simplesmente o menor tempo de volta. Nesta fase, a prioridade é verificar sistemas, confiabilidade, integração entre motor e sistema híbrido, comportamento do chassi e aerodinâmica. A partir daí começa o longo processo de transformar um protótipo novo em um carro capaz de disputar uma corrida de 24 horas.
De volta a La Sarthe
A Ford conhece bem o caminho para a vitória. O GT40 venceu a 24 Horas de Le Mans quatro vezes consecutivas, de 1966 a 1969. Agora, quase seis décadas depois de sua última vitória geral, a marca volta à categoria máxima com o objetivo declarado de disputar novamente o triunfo absoluto.
E é justamente isso que torna o projeto tão interessante.
Depois de acompanhar Le Mans presencialmente nos últimos quatro anos, confesso que a possibilidade de ver esse novo Ford enfrentando Ferrari, Toyota, Porsche, BMW, Cadillac e os demais Hypercars já é, por si só, um excelente argumento para fazer as malas novamente.
Le Mans 2027 já começa a ganhar um motivo a mais para estar na minha agenda.
GB



