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Home Matérias Tecnologia

O DESAFIO DOS CARROS DEFINIDOS POR SOFTWARE

ENTRE A REVOLUÇÃ DIGIGITAL, A DISPUTA PELO CONTROLE DOS DADOS E OS DESAFIOS DE UMA NOVA ARQUITETURA AUTOMOBILÍSTICA

identicon por André Dantas
25/10/2026
em Tecnologia
O caminho para uma maior conectividade no automóvel irá criar uma nova plataforma. (Fonte: Dreanima.ai)

O caminho para uma maior conectividade no automóvel irá criar uma nova plataforma. (Fonte: Dreanima.ai)

Vamos jogar aberto. Olhem para o mundo ao seu redor.

Vivemos em um mundo cada vez mais conectado, onde lâmpadas conversam com outros dispositivos pela internet, geladeiras podem avisar pelo smartphone que o leite está acabando e aplicativos indicam os melhores caminhos para chegarmos ao supermercado.

É dentro dessa realidade que precisamos entender um fato importante: embora tenham evoluído extraordinariamente em eletrônica e mecânica, os automóveis ainda estão atrasados na integração com o mundo digital. Fruto de uma cultura conservadora, a indústria automobilística desenvolveu sofisticados sistemas de controle, mas demorou a incorporar a conectividade e os modelos de software que hoje definem boa parte da nossa relação com a tecnologia.

Para entender o tamanho dessa transformação, precisamos antes compreender a natureza peculiar de uma entidade relativamente recente: o software.

O software

Vamos pensar em uma máquina complexa, como um torno. Ele fabrica peças de perfil circular pela rotação de uma peça enquanto uma ferramenta de corte remove o excesso de material. Nos modelos antigos, totalmente mecânicos, o sincronismo entre o giro da peça e o movimento da ferramenta era obtido por uma complexa caixa de engrenagens, semelhante em princípio ao mecanismo de um câmbio manual.

Torno mecânico versus torno CNC. (Fonte: Dreanima.ai)

Esse sincronismo permitia, por exemplo, produzir roscas, cujo passo precisa manter uma relação constante com a posição angular da peça.

Com a evolução da eletrônica digital, tornou-se possível substituir esse mecanismo por um computador que controlasse os movimentos da ferramenta em função da rotação da peça.

O extraordinário nessa evolução é que um conjunto de engrenagens, limitado às relações mecânicas que permitia estabelecer, foi substituído por instruções de software. A ferramenta passou a executar movimentos muito mais complexos, possibilitando a fabricação automática de peças antes inviáveis naquele tipo de máquina.

A diferença física entre um torno CNC (Controle Numérico Computadorizado) programado para produzir uma peça complexa e o mesmo torno sem programa é praticamente nenhuma. O que muda é sua capacidade de funcionamento.

Essa imaterialidade produz situações sem paralelo direto no mundo físico.

Retire a caixa de engrenagens de um torno mecânico para instalá-la em outro, e o primeiro ficará incapacitado de executar aquela função. No torno computadorizado, basta copiar o programa para um dispositivo de armazenamento e transferi-lo para milhares de máquinas compatíveis, sem comprometer o funcionamento da original.

É a realização tecnológica do milagre da multiplicação dos pães e dos peixes.

Voltando aos carros

O mesmo princípio se aplica ao automóvel moderno. Um motor alimentado por carburador depende essencialmente de fenômenos físicos para dosar a mistura de ar e combustível. Já um motor com injeção eletrônica depende de um programa de controle, o firmware, para determinar o funcionamento dos injetores e da ignição.

Apague esse programa e o motor poderá deixar de funcionar, sem que um único parafuso tenha sido removido.

A história da injeção de combustível mostra como a eletrônica digital chegou à indústria automobilística de maneira progressiva. Inicialmente, foram utilizados módulos eletrônicos de ignição e sistemas analógicos de injeção, cuja precisão dependia das características dos circuitos e dos sensores. No final da década de 1970, sistemas digitais como o Bosch Motronic passaram a controlar tanto a injeção como a ignição por meio de mapas programados.

A eletrônica embarcada avançou gradualmente para outros sistemas, como câmbios, ar-condicionado, ABS e controles de estabilidade e tração. A adoção de redes de comunicação, especialmente a CAN (Controller Area Network), permitiu integrar módulos e reduzir a quantidade de fiação necessária para transportar sinais entre eles.

Era uma evolução importante, mas essencialmente voltada ao controle das funções do próprio veículo.

Então vieram os smartphones, e com eles começou a ficar evidente uma diferença fundamental entre a cultura tecnológica da indústria automobilística e a das empresas de tecnologia.

O paradoxo dos smartphones

Os smartphones reuniram em um único dispositivo GPS, acelerômetros, comunicação celular, Wi-Fi, Bluetooth e a possibilidade de executar aplicativos especializados.

Logo surgiram aplicações como o Waze, capazes não apenas de fornecer mapas e rotas, mas também de utilizar informações sobre o trânsito compartilhadas pelos próprios usuários para melhorar continuamente as indicações de percurso.

Tornou-se comum instalar o smartphone em posição visível no painel do automóvel, transformando-o em um auxiliar de navegação.

Smartphones viraram acessório de painel. (Fonte: Dreanima.ai)

Os aparelhos logo superaram muitos dos navegadores GPS dedicados, que dependiam de mapas armazenados localmente e atualizações periódicas, frequentemente pagas. Os smartphones, por sua vez, ofereciam informações de trânsito em tempo real e atualizações constantes.

A indústria automobilística havia investido em sistemas de navegação integrados justamente quando os smartphones começavam a tornar esses sistemas menos atraentes.

Pressionados pelos consumidores, os fabricantes passaram a oferecer formas de espelhamento dos aplicativos dos celulares nas centrais multimídia dos veículos. Surgiram, assim, soluções como o Android Auto e o Apple CarPlay.

Era uma solução conveniente para o motorista, mas que introduzia uma questão estratégica para os fabricantes.

Bom para o motorista, nem tanto para o fabricante

Durante décadas, o negócio automobilístico esteve concentrado na venda de veículos novos e nos serviços associados à sua manutenção. A fidelização do consumidor era importante principalmente porque aumentava a probabilidade de ele comprar novamente um automóvel da mesma marca.

Enquanto isso, empresas como Apple, Google, Meta e Microsoft demonstraram que o software e os serviços digitais podiam gerar receitas expressivas, além de proporcionar controle sobre plataformas, interfaces e dados de usuários.

Os fabricantes de automóveis perceberam que o veículo também era uma fonte valiosa de dados e que a experiência digital oferecida ao motorista poderia ficar sob o controle de empresas externas.

Ao utilizar uma plataforma de terceiros, o fabricante pode perder parte do controle sobre a interface com o consumidor, os serviços disponíveis e as informações geradas durante o uso. O problema não se limita à receita de eventuais transações: envolve a posição estratégica de cada empresa dentro do ecossistema digital.

Essa disputa já produz consequências concretas. A General Motors, por exemplo, decidiu retirar o CarPlay e o Android Auto de determinados modelos, apostando em sistemas próprios.

A questão é que a indústria automobilística desenvolveu uma cultura de eletrônica embarcada voltada ao controle de funções físicas. As grandes empresas de tecnologia, por outro lado, construíram seus negócios sobre plataformas digitais, aplicativos e serviços conectados.

É nesse contexto que surge o conceito de **veículo definido por software**, ou SDV (*Software-Defined Vehicle*).

Mas, para compreender os desafios dessa transformação, precisamos observar o que aconteceu com os próprios smartphones.

Um pouco mais da história dos smartohones

Nos anos 1990, empresas como Nokia e BlackBerry já desenvolviam dispositivos móveis com recursos avançados de comunicação e acesso a serviços digitais. Entretanto, esses aparelhos ainda apresentavam limitações de uso e permaneciam restritos a determinados segmentos do mercado.

Em junho de 2007, Steve Jobs apresentou o primeiro iPhone, que redefiniu a experiência de uso dos telefones móveis. No ano seguinte, o lançamento do Android ampliou as possibilidades de competição, oferecendo uma plataforma que poderia ser utilizada por diversos fabricantes.

O Android tem uma característica particularmente importante para essa discussão: seu núcleo é baseado em um projeto de código aberto, o Android Open Source Project, que permite aos fabricantes acessar e modificar partes relevantes do sistema, respeitadas as condições de licenciamento.

Isso não significa que todos os serviços associados ao ecossistema Google sejam abertos ou gratuitos. Ainda assim, a disponibilidade de uma plataforma compartilhada permitiu que diferentes fabricantes desenvolvessem aparelhos compatíveis com um conjunto comum de aplicativos e ferramentas.

A importância dessa estratégia está no efeito de rede. Quanto maior o número de usuários de uma plataforma, maior tende a ser o interesse dos desenvolvedores em criar aplicativos para ela. Quanto maior a disponibilidade de aplicativos, mais atraente a plataforma se torna para novos usuários.

O movimento funciona nos dois sentidos. Empresas como Microsoft, Nokia e BlackBerry tentaram manter ou desenvolver plataformas concorrentes, mas enfrentaram dificuldades para sustentar ecossistemas capazes de competir com Android e iOS. Não foi apenas uma questão de tecnologia: disponibilidade de aplicativos, experiência de uso, distribuição e estratégia comercial também pesaram nesses resultados.

A Apple, por sua vez, conseguiu sustentar uma plataforma proprietária graças à combinação de seus dispositivos, serviços e base de usuários.

A lição para a indústria automobilística é clara: desenvolver uma plataforma não significa apenas produzir software. É preciso construir um ecossistema que atraia fabricantes, desenvolvedores e usuários.

O que propõe um veículo definido por software?

A ideia por trás de um SDV é colocar o software no centro da arquitetura e da evolução do veículo, permitindo que suas funções sejam desenvolvidas, integradas e atualizadas ao longo de sua vida útil.

Isso não significa eliminar a importância do hardware mecânico e eletrônico. Significa criar uma arquitetura na qual o software tenha maior capacidade de modificar o comportamento do veículo sem exigir, a cada evolução, uma intervenção física nos componentes.

As atualizações remotas, conhecidas como OTA (over-the-air) são parte importante dessa proposta. Entretanto, atualizar o software é apenas uma das capacidades necessárias. O veículo também precisa ter arquitetura eletrônica, capacidade computacional e interfaces compatíveis com as funções que se pretende incorporar.

Imagine, por exemplo, que seja criado um protocolo padronizado para permitir a comunicação entre automóveis e equipamentos instalados na via.

Um veículo poderia receber informações de um semáforo e ajustar sua aproximação ao cruzamento para melhorar o fluxo de tráfego. Da mesma forma, poderia ser alertado sobre outro automóvel que se aproximasse em alta velocidade pela transversal, antes mesmo que os motoristas conseguissem enxergá-lo.

Maior conectividade permitirá maior interação entre veículos e entre eles e equipamentos de via. (Fonte: Dreanima.ai)

Outro exemplo seria a identificação de um trecho escorregadio. Um veículo que detectasse uma condição perigosa poderia transmitir essa informação à infraestrutura rodoviária, que a distribuiria aos demais veículos antes que chegassem ao local.

Essas possibilidades dependem de sensores, sistemas de comunicação, protocolos compatíveis e infraestrutura adequada. Não basta atualizar o software de um automóvel convencional para que ele passe a executar essas funções.

Entretanto, um SDV projetado para receber atualizações remotas e trabalhar com interfaces padronizadas pode incorporar novas funcionalidades à medida que elas se tornem disponíveis, desde que seu hardware e sua arquitetura sejam compatíveis.

É essa capacidade de evolução que distingue o conceito de uma simples central multimídia conectada.

Segurança cibernetica e arquitetura

Outro aspecto fundamental dos SDVs é a cibersegurança. Um automóvel moderno possui diversos módulos eletrônicos que se comunicam por redes internas. Se esses sistemas não forem adequadamente protegidos e atualizados, vulnerabilidades podem permanecer durante anos.

Pesquisas já demonstraram que falhas em sistemas eletrônicos e de comunicação podem permitir interferências em funções importantes do veículo. A gravidade de cada vulnerabilidade depende da arquitetura, das proteções existentes e das condições necessárias para explorá-la.

Em uma grande cidade, um ataque coordenado contra vários veículos poderia produzir consequências graves. Embora a dimensão desse impacto dependa de circunstâncias específicas, o cenário mostra por que a segurança cibernética precisa fazer parte do projeto desde o início.

Não basta criar mecanismos para atualizar o software. É necessário desenvolver uma arquitetura segura, controlar acessos, validar atualizações e monitorar continuamente possíveis vulnerabilidades.

Os regulamentos internacionais de cibersegurança e atualização de software veicular já refletem essa preocupação. A questão, portanto, não é simplesmente convencer os fabricantes a levar o problema a sério, mas garantir que a segurança acompanhe toda a vida útil do produto.

Existe também o desafio da capacidade de processamento. Um módulo eletrônico projetado hoje pode não dispor de memória, processamento ou interfaces suficientes para executar as funções que serão desenvolvidas daqui a dez anos. A evolução do software não elimina as limitações físicas do hardware.

Por isso, a arquitetura precisa considerar modularidade, capacidade de expansão e possibilidade de substituição de componentes. Em alguns casos, será possível atualizar apenas o software; em outros, a evolução exigirá novos módulos.

A conectividade interna também merece ser repensada. A rede CAN continua sendo adequada para muitas funções de controle, mas aplicações que demandam maior largura de banda, como o processamento e a distribuição de grandes volumes de dados, podem exigir tecnologias como a Ethernet automobilístcaa.

Não se trata necessariamente de substituir uma tecnologia pela outra. Uma arquitetura moderna pode combinar diferentes redes, cada qual adequada aos requisitos de velocidade, latência, confiabilidade e custo de suas aplicações. O desafio é integrar esses sistemas de forma coerente, segura e preparada para futuras evoluções.

As lições dos smartphones

A experiência dos smartphones mostra que uma plataforma tecnológica precisa equilibrar liberdade de desenvolvimento e compatibilidade. Existe uma tendência natural de os fabricantes manterem sistemas proprietários, protegendo conhecimentos e diferenciando seus produtos. Isso faz sentido em determinadas áreas, mas pode se tornar um obstáculo quando as funções dependem da comunicação entre equipamentos de diferentes fabricantes.

O desafio da compatibilidade e interoperabilidade. (Fonte: Dreanima.ai)

Se desenvolver seus próprios protocolos e plataformas para todas as funções, o custo de integração poderá crescer consideravelmente. Os desenvolvedores terão de adaptar suas aplicações a diferentes arquiteturas, e a manutenção da compatibilidade se tornará mais complexa.

O problema também afeta a segurança. Diferentes implementações exigem processos próprios de análise, atualização e validação. Embora uma plataforma comum não elimine vulnerabilidades, a padronização pode facilitar determinados procedimentos de teste e manutenção.

Por outro lado, compartilhar uma plataforma não significa que todos os fabricantes devam utilizar exatamente o mesmo sistema operacional ou abrir indiscriminadamente todos os seus conhecimentos técnicos.

É importante distinguir duas coisas: a padronização necessária à interoperabilidade e a adoção de uma plataforma única para todo o veículo.

Para que automóveis de marcas diferentes se comuniquem entre si e com a infraestrutura viária, é fundamental que utilizem protocolos compatíveis. Isso não exige, necessariamente, que tenham a mesma arquitetura interna ou o mesmo sistema operacional.

Uma possível solução seria estabelecer padrões comuns para comunicação, interfaces e serviços compartilhados, permitindo que cada fabricante mantenha diferenciais próprios naquilo que efetivamente agrega valor ao produto.

As plataformas poderiam ser homologadas para garantir que suas implementações atendam aos requisitos de interoperabilidade e segurança. O objetivo seria permitir que os sistemas se comuniquem sem falhas, independentemente da marca do veículo.

Há ainda dois movimentos que podem influenciar essa evolução. O primeiro é o direito ao reparo, que vem ganhando importância em diferentes mercados. A discussão envolve o acesso a informações técnicas, ferramentas de diagnóstico, peças e procedimentos necessários para reparar produtos sem depender exclusivamente dos fabricantes.

No setor automobilístico, o tema é particularmente relevante porque funções cada vez mais importantes passam a depender de software, credenciais eletrônicas e protocolos de diagnóstico. Se o acesso a esses recursos permanecer excessivamente restrito, o reparo poderá se tornar mais caro e a concorrência entre prestadores de serviço poderá ser prejudicada.

O segundo movimento é a redução do custo de desenvolvimento de software proporcionada por ferramentas de inteligência artificial. Projetos recentes demonstram que a IA pode acelerar a criação de alternativas a aplicações comerciais complexas. Isso não significa que reproduzir integralmente um produto profissional seja simples ou inevitável, mas indica que o custo e o tempo de desenvolvimento podem mudar significativamente.

Essa transformação também pode afetar a indústria automobilística. Se o desenvolvimento de determinadas funções de software se tornar mais acessível, a vantagem competitiva baseada exclusivamente no controle de código proprietário poderá diminuir. Em contrapartida, arquitetura, integração, confiabilidade, segurança e capacidade de manutenção continuarão exigindo conhecimentos especializados.

Diante desse cenário, talvez a indústria devesse considerar um modelo semelhante ao do Android: uma plataforma compartilhada para determinadas funções, com padrões comuns e espaço para diferenciação entre fabricantes.

É uma proposta que certamente enfrentaria resistência. Afinal, nenhum fabricante deseja abrir mão de vantagens competitivas ou entregar o controle de sua arquitetura a terceiros.

Mas também é preciso reconhecer que tentar desenvolver soluções isoladas para problemas que exigem interoperabilidade pode produzir custos elevados e resultados inferiores.

A solução não precisa ser uma plataforma única para todos os componentes do automóvel. Pode ser uma arquitetura comum para as funções que dependem de compatibilidade, preservando a liberdade de desenvolvimento nas demais.

O importante é que essa decisão seja tomada antes que a fragmentação das plataformas se transforme em um obstáculo difícil de superar.

Conclusão

O automóvel perdeu parte do bonde da história. Enquanto o mundo digital evoluía para plataformas conectadas e continuamente atualizadas, a indústria automobilística permaneceu concentrada no desenvolvimento de sistemas eletrônicos voltados principalmente ao controle do próprio veículo.

Agora, os fabricantes tentam recuperar esse atraso, mas não basta incorporar mais computadores, telas ou conexões à internet. É necessário repensar a arquitetura do automóvel, a segurança de seus sistemas, a evolução do software e a maneira como diferentes veículos e serviços poderão se comunicar.

A experiência dos smartphones mostra que plataformas compartilhadas podem acelerar a inovação, reduzir custos e ampliar a disponibilidade de aplicações. Mostra também que o controle de uma plataforma pode concentrar poder econômico e criar dependências difíceis de reverter.

O desafio dos veículos definidos por software será encontrar o equilíbrio entre interoperabilidade, segurança, liberdade de desenvolvimento e concorrência. A indústria automobilística não precisa apenas aprender a desenvolver software. Precisa aprender a construir um ecossistema digital.

E essa transformação exige decisões que não podem ser tomadas isoladamente por cada fabricante. Os padrões de comunicação, a segurança e a interoperabilidade precisam ser discutidos em conjunto com fornecedores, desenvolvedores e autoridades, antes que soluções incompatíveis se consolidem no mercado.

O automóvel continuará sendo uma máquina física. Mas sua capacidade de evoluir dependerá, cada vez mais, da inteligência que seus sistemas forem capazes de incorporar.

AAD

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