No oitavo episódio do Podcast Autoentusiastas, Eduardo Pincigher mostrou por que é considerado por muitos jornalistas do setor como a verdadeira “fada madrinha”. Com 35 anos de carreira, ele coleciona passagens marcantes por redações como Quatro Rodas e Oficina Mecânica, por fabricantes como Volkswagen, Mercedes-Benz e JAC Motors e, hoje, dedica-se à assessoria de imprensa com foco total na indústria automobilística. Mais do que isso: é colunista do AE com sua “Acelerando Ideias”, espaço que provoca, diverte e ensina.
Com seu estilo direto e boa dose de ironia afetuosa, Edu é o cara que liga (ou manda WhatsApp) para oferecer um 911 Turbo S dizendo: “Sua fada madrinha chegou”. E sabe fazer isso como poucos porque já esteve dos dois lados do balcão: foi jornalista e hoje é assessor. Um trunfo raro, que ele mesmo define como “pensar com a cabeça do jornalista, mas traduzindo os objetivos do fabricante”.
Um teste com Senna. E na contramão
Entre as histórias que renderam emoção real no estúdio está a inesquecível experiência de dirigir com Ayrton Senna. Em fevereiro de 1994, Pincigher, então editor da Quatro Rodas, foi o primeiro jornalista a testar o Audi S4 trazido ao Brasil pela recém-criada Senna Import. Após um dia de medições técnicas, encontrou o tricampeão em Interlagos para o veredicto final.
Senna, que ainda não havia andado com carros de rua no circuito, errou a freada no S do Senna, passou reto na zebra e caiu na brita.
“Ele olhou para mim apavorado. Para acalmá-lo, eu disse: ‘Eu percebi que a xxxxxx foi sua’”, relembra Edu.
Mas a lição veio logo depois: Senna pediu “um minuto”, refez a volta, corrigiu o erro e, só então, voltou a falar. “Na minha profissão, se eu não corrijo o erro imediatamente, ele ganha proporções enormes”, explicou o piloto. Ainda teve mais: depois da volta correta, pediu para inverter o sentido da pista. Fez Interlagos na contramão. “Virou o entusiasta acelerando um carro legal. Não era mais o empresário, era o moleque com brinquedo novo.” Foi, provavelmente, sua última entrevista longa e exclusiva antes do acidente fatal.
Comunicação que funciona
Edu também contou bastidores de um dos eventos mais inusitados da indústria: o lançamento do Kombi a água. Dado oa Kombi a ar (em três níveis de carga) e a nova versão arrefecida a águaa água. Resultado: 28% mais silenciosa, 26% mais econômica, 25% melhor em desempenho. “No fim, até o engenheiro que duvidava veio me abraçar. O Kombi virou capa de seis revistas. Foi lindo.”
A estratégia se repetiu na JAC, onde colocou carros com mais de 100 mil km nas mãos de jornalistas, inclusive um elétrico que havia perdido apenas 2% da capacidade da bateria depois de rodar essa quilometragem. Nada de maquiagem. “Era mostrar a durabilidade real, coisa que rende pauta de verdade”, diz.
Lasanheiro com orgulho
Entre os relatos mais saborosos está o do seu Fusca 76. Reformado com capricho “Zé Frizinho”, levou bancos refeitos com tecido original e custou mais do que vale.
“Mas o cheiro do banco me leva direto para os anos 70. Só preciso achar outro Edu que pague por isso agora.”
Também falou da Variant 74 marrom Caravela, igual à do pai, e admitiu: “Nada é mais caro do que um carro antigo barato”.
Da pista à provocação
Edu também lembrou do susto que tomou ao testar um Escort Cosworth em Viracopos. O cone de frenagem foi colocado errado, e ele quase precisou “decolar”. Salvou-se pela potência absurda dos freios. Também comentou sua atuação em corridas de longa duração como as Mil Milhas e Copa Clio, onde mostrou bom desempenho, mesmo sem formação como piloto.
Hoje, seu prazer está na troca direta com os leitores. “Gosto da polêmica, do debate. A graça está na interatividade. Errar um detalhe técnico e ser corrigido faz parte. Aliás, aprendi muito mais assim.” E brinca: “Não sou engenheiro, mas sou esforçado. E ainda me divirto”.
Se você gostou dessas histórias, vale acompanhar a coluna Acelerando Ideias. Lá, o Edu Pincigher segue provocando, refletindo e acelerando com a alma de quem nunca parou de ser, antes de tudo, um autoentusiasta.
Obrigado Edu.
AE





