Ao ler ontem a coluna do Edu Pincigher, a parte na qual ele conta a ação da segurança da Volkswagen em plena via pública para impedir que o Brasília, ainda segredo, fosse fotografado e revelado, veio vívido à minha mente un caso semelhante ocorrido comigo e com o fotógrafo Luca Bassani, ambos da revista Autoesporte, também envolvendo a VW.
Em 1993 tive informação de que em determinado dia o Gol de segunda geração, ainda por ser lançado, sairia em viagem de validação partindo da fábrica Taubaté de manhã cedo. Com aprovação do diretor de redação Fernando Calmon, resolvi tentarmos fotografar o novo Gol.
O plano foi chegarmos bem cedo num ponto próximo da fábrica e ficar à espreita. Como o roteiro mais provável seria saírem da fábrica, seguirem pela Via Dutra sentido Capital e pouco adiante tomarem uma estrada à direita para adentrar mais ao interior, foi nela que estacionamos e esperamos.
Para a “missão” usamos um Logus GLS 2-litros a álcool que estava em teste conosco, muito rápido e bom de curva, útil em tais situações.
Pouco antes de 8h00 vimos o séquito vindo por essa estrada e pegar uma vicinal que leva a Pindamonhangaba. O Gol estava “coberto” por carros na frente e atrás.
Com o Luca preparado para a ação, pegamos a vicinal em seguida e logo alcançamos o comboio. Fotografar o Gol foi bem fácil, embora só de traseira. Eram essenciais fotos da dianteira.
Adiantamo-nos algo à coluna para podermos manobrar rapidamente (cavalo de pau) e voltar a tempo de pegar o Gol de frente antes que o comboio se dispersasse, comum acontecer nesses casos.
O Luca se moveu para a minha janela posicionando-se entre o encosto do banco e eu, cabeça e tronco para fora com câmera nas mãos — a porta e janela longas do duas-portas foi providencial para isso — e fez várias fotos da frente do Gol.
“Miaaão cumprida”, exultamos, o Luca ainda na posição de “ataque”. Mas o que nunca pderíamos imaginar, aconteceu em seguida.
Um Santana branco saiu da fila e veio com tudo para cima do Logus para bater de frente, um momento apavorante. “Driblei” o Santana apontando o Logus para a direita, o irresponsável do Santana desviou para o mesmo lado para nos acertar, mas numa fração de segundo inverti a trajetória do Logus indo para a esquerda. O irresponsável — criminoso? — não foi tão ligeiro nessa inversão e conseguimos passar pela direita dele.
A maneira aproximada de como esse momento aconteceu está na foto de abertura, formada por Alexander Gromow por meio de IA e usando sua habilidade para fazer a fotomontagem a partir das imagens artificiais.
Eu soube alguns dias depois que o motorista do Santana era funcionário da engenharia (seu cargo não foi revelado). O mais importante foi seu plano diabólico ter fracassado.
Houvesse a colisão com o Luca ainda atrás de mim e meio fora do Logus, muito provavelmente essa passagem não seria contada por mim e o Luca não teria vivido para saborear o sucesso de um fotógrafo do calibre que eleé, especialmente ver suas fotos na capa e nas páginas da revista, num grande furo!
BS




