A coluna do Chico Lelis de ontem trouxe-me à mente um assunto de que falei há tempo mas que é bom repetir por se tratar de questão de segurança: nas estradas de pista única e mão dupla, a bem-intencionada ajuda de motoristas, em especial os de caminhões, de dizer por meio da seta se pode ou não ser ultrapassado sem perigo.
Há duas interpretações para a ajuda, tanto por parte do motorista do veículo pesado, quanto daquele do veículo leve que tenciona fazer a ultrapassagem, portanto caso de informação dúbia, extremamente perigosa por motivo óbvio.
Seta direita pode ser interpretado como “permaneça atrás de mim, há carro vindo”, ou “pode ir que não vem carro”. Já seta esquerda é o contrário, “pode ir” ou “não ultrapasse”.
Foi justamente devido à interpretação dúbia desse tipo de ajuda que ela passou a ser proibida nos Estados Unidos faz algum tempo. Como nosso código de trânsito nada diz a esse respeito, a prudência manda não confiar cegamente nessa sinalização de auxílio e ter máximo cuidado nas ultrapassagens, pois náo existe nada pior do que uma colisão frontal. Elas vêm ocorrendo de maneira crescente e assustadora aqui. Ter em mente de que toda ultrapassagem em estrada de mão dupla é perigosa independente de carro de pouca ou muita potência.
Não é o caso do filme “Encurralado” (Duel, de 1971, primeiro filme de Steven Spielberg), citado em comentário de hoje do leitor Jorge, no qual o perverso motorista do caminhão-tanque sinalizou “pode ir” dando seta esquerda com intenção de causar um acidente que por pouco não ocorreu (foto de abertura). É improvável isso correr aqui mas não impossível, por isso cautela a mais nunca é de menos.
Outros auxílios
É comum nas estradas como as citadas, à noite, motoristas de caminhão desligarem faróis momentaneamente para o ultrapassador se certificar de que não há tráfego contrário próximo, em especial nas aproximações de curvas. Bom exemplo do espírito de colaboração entre motoristas que existe nas estradas.
Analogamente, motoristas de carros de passeio fazem bem ao trânsito e a si mesmos se cultivarem esse espírito com relação aos veículos pesados facilitando-lhes em vez de dificultá-los. Ter paciência quando um caminhão ultrapasssa lentemente outro atrasará quase nada a viagem.
Falando em colaboração, nos anos ‘50 e ‘60 os motoristas da Viação Cometa faziam um gesto de mão tipo “vai” quando, em sentido contrário na Via Dutra ainda de pista simples, se relampejava faróis para eles. O gesto significava não haver policia rodoviária nas imediações para flagrar quem estivesse acima de 80 km/h…
BS
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