Era 29 de março 1994, exatos dois dias depois do Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1, no qual nosso tricampeão mundial Ayrton Senna tinha desistido da prova na volta 56 de 71, depois de rodar na curva da Junção.

Mas Ayrton tinha outra importante missão: lançar no mercado brasileiro a prestigiosa e importante marca alemã de automóveis Audi. Senna seria o importador e representante da Audi no Brasil, trazendo-a para o Brasil junto de suas tecnologias, como a tração integral quattro, que fez história nos ralis.
Esta era mais uma missão difícil para o nosso tricampeão: os Audi deveriam enfrentar por aqui as conhecidas e consagradas marcas, também alemãs, Mercedes-Benz e BMW, carros caros e luxuosos. Ayrton não temia os concorrentes, exatamente como fazia nas pistas de competições da Fórmula 1: encarou o desafio de provar ao consumidor brasileiro que a nova marca era de tanto prestígio quanto as rivais.

O evento
Claro que a apresentação da então desconhecida Audi, e da recém-inaugurada Senna Import, deveria ser feita num evento de muito glamour e que despertasse a curiosidade e interesse pelo novo produto que chegava. Ayrton e sua equipe de criação idealizaram uma grande festa! Tudo foi organizado e feito no hangar 3 da Varig, no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Tudo pensado para receber mais de 2.000 pessoas com absoluta elegância.

Só que nenhum convidado sabia da programação do evento. Num dado momento, um Boeing 727 Cargueiro da Varig taxiando se aproxima do hangar. Como estávamos num aeroporto, a aproximação da aeronave não era assustadora, mas todos os presentes se olharam, sem entender o que estava acontecendo.

Quando todos olhavam curiosos para o Boeing, a rampa da cauda abriu-se, a música presente parou e começou a tocar o Tema da Vitória, presente em todas as conquistas de Senna nas pistas.

Para espanto geral, saiu de dentro do avião um Audi 80 vermelho conversível, com ninguém menos que o humorista e apresentador Jô Soares ao volante. Senna ia no banco do passageiro. O público delirou em aplausos, e o carro com as duas personalidades adentrou ao hangar. Os dois desceram do reluzente Audi, e Jô logo brincou que estava morrendo de medo de dirigir aquele carrão, saindo de um avião cargueiro, com ninguém menos que Ayrton Senna ao seu lado.

Jô Soares era o mestre de cerimônias, enquanto Senna pegou no pesado, e apresentou aos convidados os carros e seus detalhes técnicos. Ele curtia, e muito, o assunto, então não foi esforço. O primeiro modelo oferecido foi o Audi 80, inclusive com sua versão Cabriolet em que ele e Jô desembarcaram. Logo veio também o Audi 100, sedã um pouco maior e, como não poderia deixar de ser, as versões esportivas S2 e S4.

A marca Audi chegou ao país em 1994 e em 1995 já era líder do segmento, batendo seus dois concorrentes alemães em vendas. A Senna Import pretendia vender 600 carros naquele primeiro ano, mas surpreendentemente emplacou mais de 1.000.

A nota triste foi o falecimento de Ayrton Senna no GP de San Marino em Imola, na Itália, poucas semanas depois da estreia da Audi no Brasil. Logo a marca alemã foi associada ao tricampeão pelo consumidor brasileiro. E não foi só esse: os eventos da Senna Import eram quase sempre criativos e inéditos, o que talvez tenha ajudado a Audi a se tornar o que é hoje no mercado brasileiro.
DM





