Este causo é mais um do meu livro “EU AMO FUSCA II – Uma coletânea de causos de felizes proprietários de Fusca”. Desta vez um causo “mineiro” envolvendo quatro jovens de uma cidade do interior de Minas Gerais e o sonho coletivo de ter um VW Fusca. Uma reviravolta triste e um “milagre” pontuam neste causo.
Nosso “Azeitona”
Por: Leonardo Leo Plotter e Matos Silveira
Em 1985, eu, no auge de minha juventude, com 21 anos, sonhava em comprar um Fusquinha usado. Seria meu primeiro carro. Eu era muito conhecido na cidade (Sete Lagoas, MG) por promover diversas festas e frequentar boates e bares. Mas a quebradeira de estudante não me dava condições para conseguir meu Fusca.
Naquele ano tive uma ideia e convidei mais 3 amigos para sermos sócios em um dos bares da Festa Agropecuária. Juntamos nossas pequenas economias e fomos ao Sindicato Rural alugar o espaço para montarmos o nosso “GOLÓDROMO”¹. Por coincidência nós quatro tínhamos o mesmo sonho e prometemos, se o lucro do bar for a conta daquele Fusca, nós o compraríamos e cada um sairia nele em um final de semana do mês.

Expectativa, sete dias de festa… Grandes Shows na Exposete², e adivinha qual foi o barzinho mais cheio e mais bem frequentado por gente bonita e animada??? Lógico… o “GOLÓDROMO”. Fim de Festa, muita ressaca, namoradas à beça e fomos ver o que deu de lucro: o preço de um Fusca usado, em bom estado e verde… O apelidamos de “Azeitona” e no primeiro final de semana viajamos todos para Guarapari.

Cada um dirigia um pouco e foi uma das melhores viagens que já tínhamos feito. Lógico no nosso tão sonhado Fusca “Azeitona”! A notícia se espalhou na cidade, e todos nos parabenizavam pelo feito e pela realização do sonho em grupo. Nós jovens e realizados. Cada um, feliz da vida, em um final de semana com sua namorada!
Mas aí veio a tragédia. Dois meses depois da aquisição do “Azeitona” e no meu final de semana fui namorar e estacionei o Fusca um pouco afastado da residência dela, pois estava havendo uma festa na casa do vizinho e a rua estava cheia de carros. Namorei bastante e quando eram 22:30h dei um beijaço e tchau. Tirei a chave do “Azeitona” do bolso, andei assoviando alegre e nas alturas, quando não vi o “Azeitona”. Meu coração disparou, corri para um lado, para o outro e cadê o “Azeitona”.

Sentei-me no meio fio e chorei… Roubaram o “Azeitona”. Liguei para a polícia e meus amigos. Aí foi um choro grupal. Nosso trabalho para ganhar aquele dinheirinho suado e adquirir nosso sonho ” o “Azeitona” ” foi por água abaixo.
No outro dia a notícia se espalhou, todos da pequena Sete Lagoas se sentiram roubados, e tentaram ajudar também, mas tudo em vão, nem familiares, nem amigos e nem a polícia tinham notícia do “Azeitona”. A nossa tristeza foi tão grande, que não conseguíamos sair de casa. Tristeza geral.
Passaram-se 21 dias da tragédia quando me liga um padre de uma cidade vizinha chamada Paraopeba pedindo para que eu fosse lá pois tinha que conversar comigo. Pronto, pensei comigo, agora meus pais arrumaram um padre para me consolar e esquecer o “Azeitona”.
Peguei o ônibus e fui. Chegando lá procurei o Padre José e me apresentei a ele. Ele começou a perguntar se eu tinha um carro… Eu disse que sim. Se era um Fusca… Eu disse que sim. E se era verde, aí não aguentei e perguntei: sim seu padre, mas por que tanta pergunta se eu nem conheço o senhor? Aí ele foi me explicar. Caro jovem, é que ontem veio uma pessoa confessar comigo na igreja. Como eu não o vejo, nem ele a mim, ele começou a falar: “Olha sô Padre, quero confessar um roubo e um arrependimento. Quero ficar de bem com Deus… Me ajude. Taqui uma chave e um documento de um tal de Leonardo de Sete Lagoas. Estou devolvendo o carro para ele, pois fiquei sabendo como ele e os amigos dele sofreram para adquirir este Fusca e a paixão que eles têm pelo carro. Eu ia desmanchá?lo, mas depois que ouvi num bar a história desses 4 jovens… Me perdoa padre, toma a chave e tchau.” Jogou a chave com o documento debaixo do confessionário e saiu correndo.

“Taquí a chave, jovem, e, antes dele sair correndo, falou que encheu o tanque e que ele tá limpinho!!!” Meus olhos se encheram d’água, agora de alegria. Agradeci ao padre José. Corri até um telefone público, e liguei para meus amigos. Chegando em Sete Lagoas com o “Azeitona” foi uma festa só, até foguetório teve…

Para onde nós fomos com nosso Fusca verde no final de semana para comemorar? Claro, Guarapari uai… Foi só festa, nós e nosso primeiro e querido Fusca…
“AZEITONA”… O RETORNO!
(¹) – Para nossos leitores do estrangeiro: a palavra “GOLÓDROMO” pode ser traduzida para o espanhol como “Tragódromo” e no inglês seria “Drinkdrome”. Ou seja, seria um estádio para tomar um gole. Foi um bar criado por jovens para realizar o sonho de ter um VW Fusca.
(²) – A Exposete em Sete Lagoas é um evento anual tradicional que celebra a cultura, o agronegócio e o comércio local, com programação de shows de grandes nomes da música nacional, rodeio, exposições e estrutura para toda a família. É uma festa que impulsiona a economia da cidade, atrai turistas e promove lazer e entretenimento para a população da região.
AG
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