O Festival M BMW é daqueles eventos que reacendem a paixão por dirigir. Mais do que um test drive estendido, é uma imersão completa no comportamento dinâmico dos carros das marcas BMW e MINI, sempre em ambiente controlado, com espaço suficiente para explorar limites reais de desempenho. E neste ano o BMW Group aproveitou para comemorar seus 30 anos de Brasil.
E quando tudo isso acontece no Autódromo de Interlagos, o templo do automobilismo brasileiro, a experiência ganha outra dimensão. Para mim, que já competi diversas vezes nesse traçado, pilotar ali é quase um diálogo com a memória muscular. Cada zebra, cada referência e cada raio de curva ajudam a entender melhor como os carros se comportam de forma honesta e direta.
Neste ano, os modelos foram divididos em três grupos, permitindo aos participantes sentirem de maneira progressiva a evolução de desempenho e comportamento dinâmico.
MINI JCW: começando o dia com um “kart grande”
Iniciei o festival com o MINI John Cooper Works hatch, que sempre entrega a sensação de um kart crescido. As respostas são imediatas, a direção é muito rapida e a precisão do conjunto impressiona.

Um dos melhores exemplos é a frenagem para o S do Senna, onde reduzi de 220 km/h para 80 km/h com total estabilidade e confiança. Uma prova de que o JCW é um carro naturalmente à vontade em pista. Foi um aquecimento perfeito para o que viria a seguir.
Recentemente nosso editor-geral, Paulo Manzano, avaliou a versão cabriolet deste carro. Vale a pena conferir neste link.
BMW X2: rápido, estável e exigente
No segundo grupo, o escolhido foi o BMW X2, representante dos suves compactos de temperamento esportivo. Ele acelera forte, é estável e transmite segurança, mas Interlagos cobra finesse: não dá para atacar curvas como se fosse um hatch baixo.
É preciso esperar o carro apoiar antes de retomar aceleração e moderar entradas de curva mais agressivas. Mesmo assim, o X2 surpreende pela consistência e pelo comportamento seguro em trechos de alta velocidade.

BMW M2: precisão, potência e um novo recorde pessoal
O terceiro grupo reunia os pesos-pesados da linha: BMW M2 e M3. Optei pelo M2 por um motivo pessoal — a última vez que o pilotei, no Velocittà, acabei rodando na saída da Curva 2. Era a oportunidade de reescrever essa história.
Desde os primeiros metros, o M2 mostrou por que é considerado um dos melhores esportivos da atualidade. A comunicação entre volante, acelerador e freio é quase telepática; o carro reage exatamente na medida do comando dado.

Na primeira passagem pela reta dos boxes, aliviei na Curva do Café, mas percebi que havia margem para mais. Na volta seguinte, fui de pé cravado desde a Junção até a freada do S do Senna. A carga lateral no Café era tanta que parecia que o carro era atraído pelo muro. É um trecho em que o traçado precisa ser desenhado com cuidado milimétrico.
O resultado apareceu no velocímetro: 249 km/h, meu novo recorde pessoal em Interlagos. A frenagem entre as placas de 100 e 50 metros foi intensa, porém limpa; o ABS sequer precisou intervir. E a descida do S veio com precisão cirúrgica.
Definitivamente, o momento mais marcante do dia.

A bordo do M2 Cup Brasil com Augusto Farfus
Para completar a experiência, tive duas voltas no carro que será utilizado na nova M2 Cup Brasil, categoria monomarca que estreia em 2026. O piloto ao volante era ninguém menos que Augusto Farfus, referência mundial e piloto oficial da BMW no FIA-WEC.

O carro de corrida, com pneus slick e suspensão recalibrada, transforma completamente a dinâmica: a velocidade final se equivale ao M2 de rua, mas a capacidade de contornar curvas está em outro nível. Farfus brincava no limite, fazendo escorregadas controladas ao estilo drifting, uma demonstração vívida do quanto a técnica e a confiança influenciam o desempenho em pista.
Foi uma aula de pilotagem em tempo real.

A estrela do evento: o novo BMW M2 CS
Fechando as atrações do festival, a BMW apresentou o M2 CS, a versão mais extrema, leve e exclusiva do M2, e que terá apenas 30 unidades destinadas ao Brasil, comemorando os 30 anos da marca no país.

Não se trata apenas de uma edição especial: o M2 CS representa a essência da engenharia M quando a divisão decide entregar tudo o que tem em matéria de desempenho. O carro é um conjunto afinado para puristas, daqueles que valorizam resposta imediata, comportamento afiado e sensação de carro de corrida homologado para a rua.

Destaques técnicos do M2 CS
- Motor 3.0 M TwinPower Turbo com 510 cv e 66,3 m·kgf
- Velocidade máxima: 302 km/h
- Alívio de 30 kg graças ao uso extensivo de plástico reforçaso com fibra de carbono (teto, bancos concha, peças estruturais)
- Freios carbocerâmicos exclusivos
- Rodas douradas de 19” na dianteira e 20” na traseira
- Pacote aerodinâmico revisado com defletor dianteiro, extrator e defletor traseiro“ducktail”
- Interior em Merino com detalhes M Performance
- Recordista de Nürburgring na categoria com o tempo de 7:25,5

Ao vivo, o carro impressiona pela postura — baixa, larga, intimidante — e pela qualidade dos elementos em comoósito de fibra de carbono, que além de belos são funcionais. O interior, com bancos-concha leves e ergonomia voltada para pista, reforça que a função vem antes da forma.
Com preço de lançamento de R$ 980.950, o M2 CS se posiciona como um dos carros mais especiais já vendidos pela marca no país, e certamente um futuro colecionável.

Um dia de pista para guardar na memória
O Festival BMW 2025 foi muito mais do que um evento de marca: foi uma celebração ao prazer de dirigir, com carros capazes de revelar nuances distintas do traçado mais técnico do Brasil. Entre a velocidade recorde no M2, a experiência ao lado de Farfus e o contato com o novo M2 CS, ficou claro que Interlagos continua sendo o palco perfeito para entender o que faz um verdadeiro esportivo brilhar.
Um dia para guardar e reviver mentalmente por muito tempo.
GB






