Esse estranho título foi inspirado numa canção americana de 1959 interpretada por Dinah Washington (29/8/1924-14/12/1963) que eu apreciava muito quando tinha 17 anos. A letra de “What difference a day makes” (Que diferença um dia faz) explica o título: como um dia, apenas 24 horinhas, faz diferença. A de no dia seguinte a uma vida vazia, de noites solitárias, passar a feliz e romântica ao encontrar o seu amor.
Sim, mas que diferença de 1,5 ºC faz? Fez, não, faz. É o aumento da temperatura média da Terra entre o fim da era pré-industrial (até 1760) e 2010. Em termos de tempo são 250 anos. Ou 0,006 grau Celsius por ano. A causa, explica a ciência, é a atividade humana nesse período, obviamente maior com o aumento da população mundial de 1 para 8,3 bilhões de habitantes.
É mais que sabido que nosso planeta é aquecido pelo sol e que o calor dissipa-se no espaço, dessa forma havendo um equiíbrio que mantém a temperatura média constante. A atmosfera é composta de vários gases, como nitrogênio (78%), oxigênio (21%) e o 1% restante dividido entre outros gases, como dióxido de carbono (CO2), apenas 0,05%.
O intrigante é o CO2 na atmosfera agir como uma capa térmica que impede a dissipação do calor no espaço e com isso causar elevação da tempratura da Terra. Se ele é um gás inerte — não é reativo — e incolor, é o mesmo gás que sai dos nossos pulmões. Por conta dessa suposta “capa térmica” o CO2 passou a ser classificado como “gás de efeito estufa”. Só que nas estufas para plantas, a capa térmica é vidro, não um gás. Com vidro o calor entra e não sai.
A partir dessa teoria que muitos e eu contestam, criou-se a indústria da “descarbonização”, contabilizável sob o nome “crédito de carbono”. Ou seja, virou negócio. Para saber como funciona esse negócio, consulte o Google e Wikipédia.
Pior, a produção de CO2 sendo oriunda também da queima de combustíveis, fósseis ou não, o automóvel como sempre, passou a ser visto como inimigo público. Para quem ainda não sabe, o álcool quando é queimado também produz CO2, mas seus defensores argumentam que é “limpo” porque quando a cana-de-açúcar cresce ela sequestra o carbono da atmosfera. Só que o carbono só é todo sequestrado quando ela para de crescer. Enquanto isso o carbono fica por aí rolando solto.
Mas o efeito mais funesto do “medo” do CO2, foi o crime que a União Europeia (UE) cometeu em 2020 ao determinar a proibição de venda de carros de motor a combustão na Europa a partir de 2035, abalando severamente a indústria automobilística, que se viu no dilema “se ficar o bicho come, se correr o bicho pega” e gastar drasticamente seus recursos visando atender a mudança energética, combinado com fechamento de fábricas e o terrível e maciço desemprego.
Esse quadro evitável felizmente mudou na semana passada quando a UE cancelou a dita proibição com a condição de serem usados biocombustíveis e gasolina sintética. Ao erro da UE soma-se o do governo brasileiro — Dilma Rousseff — em 2015 isentando carros elétricos do imposto de importação sem absolutamente nada que o justificasse, mas que voltou de forma escalonada em 2024 até chegar aos 35% de antes da medida.
Que diferença 1,5 ºC realmente fez!
BS
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