Fazia muito tempo que a Fórmula 1 não encarava uma mudança de regulamento tão radical. O pacote técnico que entra em vigor em 2026 não ajusta detalhes, ele redefine completamente a categoria. Na prática, a F1 que conhecíamos até 2025 deixa de existir. O que surge agora é uma Fórmula 1 nova, sem herança direta do que vinha sendo feito até então.
O impacto é absoluto. Nada foi preservado. Conceitos aerodinâmicos, dimensões, motores e até a forma de pilotar mudam de maneira profunda. As equipes começaram este ciclo do zero, todas desenvolvendo carros inéditos, sem vantagem técnica clara para ninguém neste momento inicial. O cenário é de incerteza total, aprendizado constante e evolução acelerada ao longo da temporada.

Fórmula 1 com carros menores
Os novos carros são menores. Em 2026, os monopostos ficam 10 centímetros mais estreitos e têm o entre-eixos reduzido em 20 centímetros. Isso deve resultar em carros mais ágeis e menos desajeitados, especialmente em pistas travadas, onde os modelos gigantes dos últimos anos simplesmente não funcionavam. Circuitos como Mônaco, que viraram procissões, podem voltar a oferecer alguma chance real de disputa.

A aerodinâmica também muda de patamar. Pela primeira vez, não só a asa traseira será móvel. As asas dianteiras passam a variar o ângulo de incidência, permitindo menos arrasto nas retas e mais pressão aerodinâmica nas curvas. O carro passa a se adaptar de forma ativa ao traçado, algo que altera completamente a dinâmica de uma volta rápida.
Outra motorização
Se o chassi muda muito, os motores mudam ainda mais. O V-6 1,6 turbo perde protagonismo. A potência do motor a combustão cai para algo em torno de 530 cv, bem abaixo dos cerca de 850 cv da geração anterior. Em contrapartida, entra em cena um combustível totalmente diferente. Sai a gasolina de origem fóssil, entra o combustível sintético, produzido a partir de CO2 capturado da atmosfera ou de matéria orgânica.

Na prática, trata-se de um sistema quase neutro em emissões. Para compensar a queda de potência térmica, o regulamento aposta pesado na eletrificação. O novo motor elétrico entrega aproximadamente 480 cv. Somados, os dois sistemas mantêm níveis de potência semelhantes aos dos carros de 2025, mas por caminhos completamente diferentes.
A ideia da FIA é clara. Usar a Fórmula 1 como vitrine tecnológica para o futuro da combustão interna, em um mundo que caminha rapidamente para a eletrificação total. Com um motor térmico que praticamente não polui, a categoria mostra que a combustão ainda pode ter sobrevida. Nesse contexto, o motor a combustão funciona basicamente como um motogerador, operando em rotações elevadas durante quase toda a volta, inclusive nas curvas, garantindo energia constante para o sistema elétrico, responsável por quase metade da potência do carro.

Pilotagem afetada
Tudo isso muda drasticamente a pilotagem. Em 2026, o piloto não vai apenas acelerar, frear e poupar pneus. Ele precisará administrar um conjunto tecnológico complexo, com sistemas aerodinâmicos ativos e gerenciamento energético constante. Nos simuladores, muitos já relatam instabilidade quando asas dianteiras e traseiras mudam seus ângulos ao mesmo tempo. A dificuldade, porém, é igual para todos, o que tende a nivelar forças, pelo menos no início do campeonato.

Dança das equipes
O grid também passa por mudanças importantes. A Sauber deixa de existir como conhecíamos e se transforma oficialmente na Audi, equipe do brasileiro Gabriel Bortoleto, que estreia com tecnologia própria e projeto totalmente novo. A Cadillac chega à Fórmula 1 com duas vagas no grid e, neste primeiro momento, utilizando motores Ferrari. A Honda encerrou a parceria com a Red Bull e passou a fornecer unidades de potência para a Aston Martin.

A Red Bull, por sua vez, inicia uma fase inédita ao estrear sua própria unidade de potência em parceria com a Ford, que retorna à Fórmula 1 após décadas longe da categoria. Um retorno simbólico para uma marca que dominou boa parte do grid entre os anos finais da década de 1960 e toda a década de 1970 com os lendários motores Cosworth V8.
Na TV, muda a emissora
Nem fora das pistas a F-1 de 2026 será a mesma. A transmissão televisiva muda de mãos. Depois de quatro anos de cobertura consistente da Band, com treinos, corridas e análises técnicas, os direitos passam para a Globo. Se repetir modelos antigos, a cobertura pode ser mais enxuta, focada apenas nas corridas, sem o acompanhamento completo do fim de semana.

A Fórmula 1 de 2026 começa do zero. O primeiro capítulo dessa nova era será escrito no dia 8 de março, à 1h da manhã, hora de Brasília, no GP da Austrália. Só então será possível entender, na prática, como esses carros se comportam e quem conseguirá se adaptar mais rápido a uma das maiores revoluções técnicas da história da categoria.
DM
A coluna “Peffume de carro” ´é de exckusiva resoibsabukudade do seu autor.





