No início do mês a Fenauto (Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores) divulgou o balanço de 2025. Novo recorde com 18.508.929 unidades usadas comercializadas e um aumento de 17,3% em relação a 2024 (15.777.594 unidades).
O recorte por segmentos indica que todos os setores tiveram aumentos substanciais:
– Automóveis de Passeio: 11.517.578 unidades (+16,0% em relação a 2024);
– Comerciais Leves: 2.143.417 (+24,0%);
– Comerciais Pesados: 444.792 (+27,7%);
– Motocicletas: 4.026.962 (+15,3%);
– Outros: 376.180 (35,6%).
E interessante observar como ocorreu a distribuição destas vendas:
– Seminovos entre 0 e 3 anos: 3.565.058 unidades (+40,3% em relação a 2024);
– 4 a 8 anos: 4.471.181 (+12,3%);
– 9 a 12 anos: 3.547.525 (+0,5%);
– 13 anos ou + de idade: 6.925.165 (+21,0%).
E por quais motivos o recorde foi alcançado?
Antes de tudo, vale reforçar que, segundo palavras de Enilson Sales, presidente da Fenaulto, “Não existe fábrica de veículos usados”. O mercado de usados é dependente do que é comercializado no mercado de novos, ou melhor, é subordinado a este mercado. Quando o mercado de novos está em alta, o de usados está em baixa e vice-versa.”
O mercado de novos em 2025 cresceu muito menos do que o mercado em geral esperava, apenas 2,4%. Nós, da K.Lume, conforme já informamos, cravamos estes números que não foram maiores pelas taxas de juros elevadas (Selic em 15% a.a.) o que facilitou a troca de um veículo por outro seminovo ou usado em vez de partir para um veículo 0-km, pois os primeiros possuem tickets médios inferiores e, por consequência, entradas mais condizentes com a realidade da maioria da população brasileira.
Os juros elevam os valores das parcelas, encarecem o crédito e os financiamentos desestimulando o consumo e os investimentos; controlam a inflação, mas desestimulam a economia e tendem a aumentar a inadimplência, exatamente o que está acontecendo nos dias atuais.
Já dizia na coluna que tratou do mesmo tema ano passado com precisão cirúrgica: “Outro fator predominante diz respeito aos elevados juros no Brasil que tiveram uma queda no último ano (2024), mas para conter o consumo, e a por consequência a inflação, tiveram um novo ciclo de alta nos últimos meses sem qualquer perspectiva de baixa (provavelmente apenas em 2026). Atualmente a taxa básica de juros (Selic) está em 12,25% com viés de alta. Ruim para o brasileiro em geral, entretanto boa notícia para o mercado de usados que por terem preços de veículos menores, demandam um valor de financiamento igualmente menor facilitando o processo de crédito e compra”.
Não podendo comprar um veículo novo, o consumidor migra para o veículo usado ou “quase novo”
Outro ponto interessante foi o aumento do estoque em circulação, em especial pela circulação de veículos proveniente das locadoras, da desmobilização de frotas e pelos ecossistemas digitais (marketplaces e de avaliadoras instantâneas) favorecendo o giro e as vendas.
Maior oferta, menor preço
O preço médio do veículo usado apresentou queda em 2025.
Segundo estudos da Webmotors os preços caíram em diversas categorias, incluindo os eletrificados. E em se tratando de valores, como o brasileiro médio possui uma paixão acima da média por veículos automotores, nunca é demais recordar que os veículos usados possuem uma depreciação substancialmente menor do que os veículos novos. Novamente, claro, os valores gastos com a manutenção tendem a aumentar e os valores vinculados aos valores do veículo como tributos e seguros tendem a ser menores.
Por mais que tenha havido acerto nas últimas quatro projeções para o mercado de veículos novos, a de usados do ano passado não saiu como esperado. “A expectativa é que o mercado de usados possa atingir a casa das 17 milhões de unidades não ocorrendo qualquer contratempo”.
Com a projeção de queda no mercado de novos em 2026. a tendência é termos um mercado de usados com crescimento est ano, entretanto alguns efeitos que atingirão o mercado dos novos igualmente serão sentidos no mercado de usados: juros elevados, eleições gerais, instabilidade político-econômica interna e externa e Copa do Mundo de Futebol em que se espera que o Brasil avance até às fases finais. Neste contexto um novo recorde é aguardado com números entre 19,25 e 19,75 milhões de unidades.
Nota complementar
Os dados divulgados pela Fenauto e compilados pela KTOOLS consideram também as transferências entre empresas (neste caso excluem o consumidor final). Esta metodologia leva em consideração o processo de compra, venda e/ou troca de produtos que gera valor e são considerados, para efeitos práticos, como comércio.
Lembrando o que diz o art. 966 do código Civil: “Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços” e assim o critério utilizado é, segundo o que penso, plenamente válido.
Apenas uma ressalva: como analista de mercado, eu tenho a curiosidade em ver os dados separados, ou seja, o total incluindo as transferências entre as empresas (como é hoje) e o total somente com as vendas aos consumidores finais (PF e/ou PJ).
Parabéns aos envolvidos e que venha 2026 com mais uma onda de recordes!
MKN
A coluna “Visão estratégica” é de exclusiva responsabilidade do seu autor.




