Faz anoa que observo como a pavimentação das nossas suas e estradas vai de mal a pior. Tive oportunidade de dirigir um hatchback Lexus CT200h e achei-o com suspensão dura demais até nas marginais de São Paulo. A foto de abertura passa impessão de quo o asfalto é liso, mas é só impressão. Coincidiu de dirigir um igual no Chile e nem sinal de desconforto de rodagem. A diferença estava apenas na qualidade do asfalto.
No bairro em que eu morava com a família, no Rio, a principal via era a rua Marquês de Sao Vicente que, inclusive, foi trecho do Circuito da Gávea, com calçamento de paralelepípedos e trilhos de bonde. Um dia um dos meus tios quis experimentar o Fusca 1953 lá de casa e ao trafegar por aquela rua proferiu uma frase que nunca esqueci: “Parece que estamos no melhor asfalto do mundo”. Não importa a pavimentação ou calçamento, vias de tráfego de veículos têm que ser lisas.
Há alguns anos percorri um trecho entre Wiesbaden e Frankfurt, Alemanha em que escolhi uma estrada secundária para apreciar a paisagem. Assim que peguei a estrada veio o arrependimento, tamanha a quantidade remendos que mais parecia um colcha de retalhos. Logo o arrependimento passou a prazer e sobretudo admiração, era como se não houvesse remendos. A conclusão disso tudo é que pavimentação petfeita é resultado exclusivo de vontade e técnica, dois elementos que andam em baixa por aqui.
Para não ser injusto, temos uma rodovia no estado de São Paulo que é uma Autobahn em tudo — até nos remendos.: é á Rodovia dos Bandeirantes SP-348, da saída para Campinas até Americana. É ver para crer.
Nosso editor de automobilismo Wagner Gonzlez esteve de férias recentes na África do Sul e ficou impressionado com a qualidada das estradas lá. Por que não pode ser igual aqui? A obrigação de assim ser cabe ao órgão que administra a via como a Secretaria Municipal de Transportes de São Paulo. É a ela e mais ninguém que cabe o monitoramento das condições das vias desta cidade.
Anos atrás um fabricante de autopeças daqui tentou fechar um contrato de exportação para uma grande rede de lojas de peças para automóveis do Japão que consistia de articuladores de suspensão e terminais de direção. Qual não foi sua surpresa ao ser informado de que essas peças nunca se trocavam lá. Não preciso explicar por quê, preciso?
Não e como diz o subtítulo, ‘como se o Brasil os odiasse’: o Brasil odeia nossos carros. Isso é demonstrado às escâncaras pela brasilidade nefasta chamada lombada, seja em número, seja em flagrante desobediência às suas medidas regulamentares.
BS
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