Novo suve compacto da Honda entrega amplo espaço interno, bom conforto de rodagem e pacote completo de sistemas avançados de assistência ao motorista, sendo que o motor 1,5 litro de aspiração atmosférica com câmbio automático CVT priorize eficiência em vez de envolvimento.
Durante uma semana de uso integral, com gravação de vídeo para esta avaliação, ficou claro que o WR-V não é um suve de impacto por desempenho. Ele é um suve de engenharia bem acertada, como já havíamos identificado no primeiro contato com o carro.
O grande mérito está no conjunto estrutural e na calibração de suspensão e direção. Esta conta com assistência elétrica, indexada à velocidade, apresenta peso coerente em rodovia e leveza adequada em manobras. Não transmite artificialidade nem excesso de assistência. O diâmetro de giro de 10,4 m reforça a vocação urbana do modelo.
A suspensão McPherson na dianteira e por eixo de torção na traseira poderia sugerir comportamento trivial. Não é o caso. O ajuste privilegia controle de carroceria sem sacrificar conforto. O carro mantém trajetória com previsibilidade, absorve bem imperfeições e transmite segurança mesmo em mudanças rápidas de direção.
Não há esportividade declarada, mas há competência dinâmica.
O vão livre de 223 mm e o entre-eixos de 2.650 mm contribuem para boa absorção em pisos irregulares e estabilidade direcional em rodovia. O conjunto transmite sensação de solidez estrutural, perceptível na filtragem de impactos e na ausência de ruídos parasitas em uso normal.

Trem de força: correto, porém pouco envolvente
O motor quatro-cilindros 1,5 DI i-VTEC flex de aspiração atmosférica entrega potência máxima de 126 cv a 6.200 rpm e torque máximo de 15,5/15,8 m·kgf a 4.600 rpm. É um conjunto já conhecido do City e do HR-V.
Tecnicamente refinado, com injeção direta e comando variável i-VTEC associado ao VTC (variação cntínua das fases de válvulas, mas no WR-V trabalha próximo do limite que o porte e o peso do veículo exigem.

Em acelerações parciais, o CVT mantém rotação praticamente constante enquanto a velocidade cresce progressivamente, típico comportamento que parece elástico (não é) desse tipo de câmbio. Funcional para eficiência, pouco estimulante para quem aprecia resposta mecânica mais direta.
Em aceleração plena (TPS 100%), o sistema Step Shift utiliza as sete marchas pré-definidas. O motor gira acima de 6.000 rpm antes da mudança, melhorando a sensação de progressão, mas sem alterar substancialmente o caráter do conjunto.
Nas desacelerações, as reduções automáticas e sequenciais mantêm o motor em faixa adequada para retomadas. Em descidas de serra, as borboletas atrás do volante permitem selecionar a melhor relação para obter freio-motor consistente.

O ponto crítico está no nível de ruído, vibração e aspereza (NVH). Acima de 4.500 rpm, o ruído do motor invade a cabine de forma perceptível, seja por via aérea, seja por transmissão estrutural. Não há aspereza mecânica, mas o nível sonoro interfere na percepção subjetiva de desempenho e tende a induzir o motorista a aliviar o acelerador antes de explorar totalmente o giro disponível.
As borboletas são úteis para controle em declives, ampliando o domínio do condutor, mas não transformam o WR-V em um suve de proposta esportiva. E nem é essa sua missão.

Segurança e assistência ao motorista
A versão EXL traz de séris o pacote completo Honda Sensing:
- Assistência de permanência na faixa
- Controle de cruzeiro adaptativo
- Farol alto automático
- Frenagem autônoma para mitigação de colisão
- Mitigação de saída de pista
Na prática, os sistemas atuam de maneira previsível e pouco intrusiva. Intervêm quando necessário, sem correções bruscas ou alertas excessivos. A ativação é intuitiva e a interface pelo painel TFT (thin film transitor) de 7 polegadas é clara.
O conjunto é complementado por seis bolsas infláveis, controle de estabilidade e tração, assistente de partida em rampa, sinalização de frenagem de emergência e câmera de ré multivisão.
Em termos de segurança ativa e passiva, posiciona-se entre os mais completos do segmento.

Espaço interno e ergonomia
O conforto dos bancos dianteiros é um dos pontos altos. O sistema de estabilização corporal resulta em bom apoio lombar e lateral, favorecendo viagens longas. A posição de dirigir é natural, com boa visibilidade dianteria e lateral.

No banco traseiro, o espaço para pernas e cabeça é efetivamente acima da média entre suves compactos. O porta-malas de 458 litros compensa a ausência do antigo Magic Seat e atende plenamente o uso familiar. Com os encostos rebatidos, a versatilidade é convincente.
A multimídia de 10 polegadas com conectividade sem fio para Android Auto e Apple CarPlay, associada ao ar-condicionado automático com saídas traseiras, reforça a percepção de produto bem equipado.
Na versão EXL, somam-se barras no teto, revestimento interno que simula couro, carregador de bateria de telefone cekular por indução e descans-braço traseiro.
Consumo real
Em uso rodoviário, com gasolina, foi possível registrar 15,5 km/l, número superior ao oficial divulgado. No uso urbano misto, o consumo ficou na casa dos 12 km/l, coerente com o porte e o peso do wr-v.
Para um suve de 1.278 kg e 4.325 mm de comprimento, os números demonstram que a eficiência é, de fato, prioridade no projeto.

Conclusão
O Honda WR-V 2026 é um suve tecnicamente bem resolvido. O acerto de chassi é seu maior destaque: direção calibrada com precisão, suspensão equilibrada e comportamento previsível em diferentes condições de uso.
O pacote de segurança e assistência ao motorista é completo e atua com discrição, reforçando a proposta familiar do modelo.

O conjunto 1,5-l aspirado com CVT privilegia eficiência e suavidade. Não é um conjunto motor-câmbio entusiasmante, e o nível de ruído em rotações elevadas limita a percepção de desempenho, mas cumpre a proposta do veículo com consumo adequado ao porte.
Honda WR-V EX – R$ 144.900
Honda WR-V EXL – R$ 149.900
Inserido na faixa mais disputada do mercado, entre R$ 130 mil e R$ 180 mil, o WR-V enfrenta concorrentes fortes e até suves médios seminovos na mesma faixa de preço. Nesse cenário, a decisão de compra passa a depender das prioridades do consumidor.
Quem busca conforto, segurança embarcada e comportamento dinâmico previsível encontrará no WR-V um produto coerente. Quem prioriza desempenho mais vigoroso pode olhar para outras alternativas dentro e fora do portfólio da Honda.
O WR-V não é um suve de emoção. É um suve de equilíbrio.




