A evolução dos automóveis é contínua, o que é muito bom e estimulante. Mas às vezes ela joga contra os interesses de quem os compra ou pelo menos de parte desse público. Caso da eliminação do estepe.
Por que isso ocorreu? Rodas ficaram maiores para girarem menos por quilômetro levando a menor desgaste dos pneus e a maior conforto de rodagem diante das irregularidades do piso. Ou por questão de estética. Com isso fica mais difícil achar espaço para o estepe. Nem vou falar de redução de custo, uma antiga neurose da indústria automobilística, como se ela não pudesse repassá-lo para o consumidor.
As soluções são o kit de reparo que consiste de um selante e de uma bomba de ar elétrica (foto de abertura) ou o pneu capaz de rodar vazio, este de difícil reparação — quando possível, pois havendo rompimento do flanco o lugar dele é o lixo. No primeiro caso, imagine precisar você mesmo consertar o pneu no meio do caminho. Além do incômodo, ficar parado enquanto repara o pneu é cada vez mais perigoso em face da criminalidade rampante.
Por isso estepe é fundamental. Tanto que um amigo comprou um MINI e uma roda completa. Em caso de furo ele manda o motorista da casa pegar a roda na garagem e levá-lo até ele. A BMW coloca um estepe nos Série 3 que vende aqui, que saem com pneus que rodam vazios — resolve mas reduz a capacidade do porta-malas de 480 para 365 litros.
Nos elétricos de dois motores ou com um só traseiro a coisa complica, menos espaço para um estepe. Suves de motor de combustão interna como Ford Territory e VW Tiguan trazem estepe temporário no porta-malas. Não é o ideal mas tem. Os dois scooters que tive na adolescência avançada, primeiro Lambretta, depois Vespa, tinham o útil estepe.
Outro item que desapareceu, talvez justificado pela existência da câmera de visão da via no topo do para-brisa, é a faixa degradê. Para mim faz muita falta. Tinha até nos carros de baixo preço não faz tanto tempo.
Outro item que sofreu metamorfoses incompreensíveis é o conta-giros. O ponteiro se movimentar em sentido anti-horário como nos BMW mais recentes só pode ser obra de quem não dirige e/ou incompetência do chefe que aprovou a maluca ideia. O mais incrível é o icônico Jaguar XK120, lançado em 1948, ter a mesma aberração. Vi-a também num Caoa Chery Tiggo, acho que o 3x.
Mas o pior conta-giros é o que inventaram agora, o numérico. Não é mas uma escala circular ou linear como a do Renault Kardian. São quatro dígitos alinhados, como nos hodômetros, que vão mudando freneticamente à medida que a rotação sobe. impossível ler e acompanhar a subida. Só pode ser “tem que ter conta-giros” sem atentar para sua usabilidade. Felizmente os quadros de instrumentos são cada vez mais digitais e configuráveis, podendo-se esconder esse conta-giros que para nada serve e surgir um normal no lugar.
BS
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