Como editor-chefe, cumpre-me, entre outras atribuições, zelar pela qualidade dos textos, inclusive pela sua compreensão. Isso, naturalmente, tornou o AE diferente de outras publicações, eletrônicas ou impressas, desde seu início em agosto de 2008.
Logo nos primeiros dias após conhecer o blog Autoentusiastas, que nada mais era que a forrna pública de compartilhar o que um grupo de autoentusiastas discutia em privado por e-mail há oito anos, tive a satisfação de saber que o novo blog fora uma ideia de Paulo Manzano, líder daquele grupo, o embrião do blog Ae (AE quabsipassarmos a site em 2014).
Justamente por eu ter me embrenhado na imprensa automobilística a partir de junho de 1973, quando assinei minha primeira matéria (teste do Maverick 6-cilindros para a Autoesporte), vi que, do grupo, eu era o único com experiência jornalística. Por isso ofereci-me ao Paulo para entrar para o blog e ser o editor-chefe — era imprescindível haver um. A proposta foi prontamente aceita pelo Paulo, quem, aproveitando, designei-o editor-geral.
Cuidados
O cuidado com a história foi o que me levou, com a indispensável concordância do editor-geral e sócio, a rejeitar em 2010 a troca de nome, pela ANP, de álcool para etanol, o mesmo produto com outro nome. Não se deve mudar a historia a não ser por motivo muito forte, que no caso não houve. Tudo começou como Programa Nacional do Álcool (Proálcool) em novembro de 1975 e assim decidimos que deveria ficar no AE. Não me consta que exista etanol em gel, produto antisséptico amplamente usado na pandemia da covid-19. Só álcool em gel.
Chegou um momento em que a sigla não oficial, no Brasil de um tipo de veículo nos EUA, começou a incomodar: SUV. É de Sport Utility Vehicle, Veículo Utilitário de Lazer. Fizemos de conta que os marqueteiros americanos o denominaram por um acrônimo em vez de sigla, SUVE, e daí veio o suve usado no AE ha pouco mais de dez anos.
Há determinados termos inaceitáveis no AE e que por isso o leitor nunca o leitor viu e nunca verá aqui. É u caso do famigerado ‘montadora’ para significar fabricante no caso de se tratar exclusivamente de automóveis. A distorção chegou ao ponto de no tradutor do Google montadora significar car manufacturer em ingles.
Há uma vasta série de termos usados pela imprensa em geral que não são usados aqui. Um deles é automotivo (a). falso cognato de automotive em inglês (cognato é palavra de idioma estrangeiro de mesma raiz). Em português é automobilístico (a) ou automotriz. Outro termo que se vê muito por aí é fadiga no lugar de fading em inglês, que significa sumiço gradual, desvanecimento, a perda gradual da ação dos freios por superaquecimento.
Unidades de medida requerem atenção. Símbolos não têm plural, 1.200 km, nunca 1.200 kms. Temperatura, 25 ºC e não 25º C. Sempre seguimos o Sistema Internacional de Medidas, mas há exceções por serem distantes demais dos nossos hábitos, caso de peso e massa, coisas distintas embora medidos pelo mesmo dispositivo, a balança.
Peso é a força exercida sobre um corpo pela atração gravitacional da Terra, cujo valor é dado pelo produto da massa do corpo pela magnitude da aceleração da gravidade. Já massa é quantidade de matéria sólida ou pastosa, de maior ou menor coesão, geralmente de forma indefinida. Peso é dado em newtons e massa em kg. Entendeu por que o AE dispensa a massa?
No caso da velocidade angular, a nossa velha rpm, pior ainda. A unidade de velocidade angular pelo Sistema Internacional é o radiano por segundo (rad)s). Imagine ler no conta-giros 628,3 rad/s em vez de 64.000 rpm! Outras “desobediências” do AE ao Sistema Internacional é potência em quilowatt (KW) e torque em newton·metrro (N·m). Não dá.
BS
A coluna “O editor-chefe fala” é de exclusiva responsabilidade do seu autor.



