Como adiantei domingo passado, hoje vou contar uma experiência que vivenciei quando supervisor de competições da VW do Brasil de março de 1984 a dezembro de 1988.
As barras de direção são responsáveis pela transmissão do movimento do elemento final da caixa de direção às rodas para que sejam esterçadas sob comando do motorista. Esse elemento é o braço Pitman dnas caixas de setor e sem-fim ou nas de pinhão e cremalheira, ela própria. A construção dessas barra é simples, uma haste tubular em cujas extremidades há articuladores esféricos, necessários porque as rodas se movimentam verticalmente em relação à caixa de direção, que é fixa na estrutura do veículo.
Os articuladores são rosqueados nas barras e este arranjo permite que a convergência das rodas seja ajustada girando a barra.
As duas barras são em princípio de mesmo comprimento, que varia a partir do momento que elas acompanham os movimentos verticais das rodas determinados pela suspensão independente. Como o comprimento efetivo das barras varia com a mudança do seu ângulo em relação à horizontal, alterando a convergência, sendo iguais essa alteração de convergência, pequena não produz efeitos nefastos no comportamento do veículo.
Há casos, como o do VW Gol/Voyage/Parati/Saveiro, em que as barras são de comprimento diferente e uma delas é fixa, sem ajuste (no Passat eram iguais e ajustáveis). O motivo é que por uma razão construtiva qualquer a caixa de direção do Gol não era centralizada. No carro normal, de série, essa questão não prejudicava a geometria de direção. Mas quando esse carro era (usado em competição numa pista, com sua altura de rodagem bastante diminuída, as barras de direção passavam a ficar bem inclinadas, “desarrumado-se”.
Junte-se a isso utilização enérgica dos freios com pneus slick de alta aderência e o carro não era perfeito no momento crítico que é a aproximação das curvas. Era 1985, nossa supremacia de 1984, com o Voyage já não era mesma, Fiat e Ford melhoraram, tínhamos que melhorar o Gol.
Conversei com a nossa engenharia de chassi sobre essa questão da direção e expus-lhes minha ideia de usar barras de direção iguais. Aprovaram a ideia, mas advertiram que pelo fato de a caixa de direção não ser centralizada o esterçamento rodas dianteiras para um lado (não lembro qual) ficaria bastante reduzido, impraticável, e que a alteração seria de minha responsabilidade e da minha área (Vendas e Marketing). Meu chefe Ronaldo Berg coassumiu a responsabilidade sem pestanejar.
A atenção que recebi da engenharia na minha função foi uma ordem expressa do diretor da área, Phillip Schmidt, sem a qual meu meu trabalho seria bem mais difícil e em cartas situações, impossível.
E os pilotos? Adoraram o comportamento Gol com a direção agora “simétrica”. O reduzido esterçamento para um lado não fez nenhuma falta na pista (eu tinha certeza disso) e passaram a retardar as freadas e com maior eficácia e precisão, que todo piloto aprecia.
BS
A coluna “O edior-chefe fala” é de exclusiva responsabilidade do seu autor.



