A implementação do novo regulamento técnico da F-1 para 2026 gerou muito mais críticas do que observações analíticas e razoáveis. A essência dessa discussão é o fato de a potência total dos motores elétrico e térmico ser produzida em quantidades praticamente iguais, mas com eficiências distintas. A forma como a energia gerada pelo motor elétrico é aproveitada é o atual calcanhar de Aquiles da categoria e sua solução poder tão sucinta quanto prática: alterar os códigos eletrônicos que gerenciam a utilização dessa energia.

Enquanto o tradicional motor a combustão consegue entregar potência e torque com a mesma intensidade durante todo o percurso de uma volta, o equivalente elétrico tem eficiência plena em menos da metade cada vez que ele percorre o traçado em questão. A eliminação do MGU-H, sistema que transformava a temperatura gerada pelo motor a combustão para movimentar o turbocarregador, é peça importante neste quebra-cabeça.

Grosso modo, a gulodice de utilizar toda a potência gerada eletricamente se traduz numa escassez de tempo que essa opção dura. Um estudo feito por um engenheiro inglês propõe a alteração do código do gerenciamento eletrônico da unidade de potência para permitir que a energia elétrica gerada a cada volta seja liberada em menor intensidade. Este vídeo produzido por Rafael Marchezini explica em detalhes como o problema gerado pela diferença de velocidade entre um carro como potência total e outro no estágio de geração de energia elétrica, pode ser solucionado de uma forma bastante simples e econômica.

Evidentemente, alterar a forma como a energia elétrica é liberada vai implicar em ajustes variados na unidade de potência e até mesmo no acerto de chassi. Por outro lado, vai evitar a repetição de acidentes como o sofrido por Oliver Bearman em Suzuka e que resultou numa pancada de cerca de 50 G. Desnecessário lembrar que os pilotos rapidamente cobraram soluções da Federação Internacional do Automóvel (FIA), a responsável pela aplicação e conferência dos regulamentos técnico e desportivo. A entidade é a proprietária do campeonato e repassa a comercialização dos direitos comerciais para a Liberty Media.

É inegável que a situação atual não prioriza a destreza e capacidade de um piloto, mas, da mesma forma, nota-se que alguns pilotos mais jovens mostraram melhor adaptação às características dos novos modelos. Mesmo assim, veteranos e novatos demonstram dificuldade em largar bem. A eliminação do MGU-H piorou a eficiência do turbo, colaborando para criar a diferença de velocidade tão criticada. O nível de carga na bateria de cada carro pode ser notado pelos pilotos que seguem um adversário: um sistema de luzes na asa traseira transmite essa informação.
WG
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