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Home Colunas Coluna Fernando Calmon

ANFAVEA COMEMORA 70 ANOS E APOSTA EM AVANÇO CONTÍNUO

identicon por Fernando Calmon
07/05/2026
em Coluna Fernando Calmon, Colunas, FC
Foto: Divulgação

Foto: Divulgação



Uma programação intensa em Brasília que começou com sessão solene no plenário do Senado Federal e terminou em evento no Teatro Nacional, marcou as sete décadas de fundação da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores. A entidade é formada por 27 empresas fabricantes de automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus, além de máquinas autopropulsadas agrícolas e rodoviárias no Brasil. Trata-se de atividade manufatureira de grande peso (cerca de 20% do Produto Interno Industrial), representada por 53 fábricas em nove estados e 38 municípios.

A indústria automobilística brasileira responde por 1,3 milhão de empregos (cerca de 110.000 nos fabricantes), além de produtores de autopeças (270.000), de concessionárias (300.000) e outros setores. Milhares de pessoas dependem direta ou indiretamente da indústria automobilística. Desde uma rede pulverizada de fornecedores de todos os níveis, inclusive acessórios, serviços, logística e até frentistas nos postos de combustível. Uma lista bastante ampla e diversificada.

Igor Calvet, presidente da Anfavea, ressaltou: “Setenta anos depois da criação da Anfavea, seguimos movidos pela mesma ideia que nos trouxe até aqui: acreditar no Brasil. Nos próximos meses terei a honra e a responsabilidade de anunciar, a marca de 100 milhões de veículos produzidos em solo brasileiro. Um marco que dá a dimensão do legado que construímos e da missão que renovamos a cada novo ciclo de investimentos”.

O total a ser desembolsado até 2032 deve superar R$ 100 bilhões, estimativa que inclui fabricantes chineses não filiados à entidade. Se estes vão se associar algum dia à Anfavea, ainda se desconhece. Contudo, a maior marca da China, acaba de solicitar entrada na Associação dos Fabricantes Europeus de Automóvel (Acea, em francês). Esta se limitou a informar que estuda o assunto.

 

 Teste: Koleos, o híbrido que a Renault precisava

 Primeiro híbrido da marca francesa tem mais de uma nacionalidade. A colaboração inclui a chinesa (e sócia) Geely com o Monjaro e a fabricação na Coreia do Sul. Estilo do Koleos é um dos seus pontos altos, embora diferente de outros Renault. O SUV médio-grande destaca-se pela grade audaciosa, rodas de 20 pol. e uma traseira mais discreta com lanternas interligadas.

Dimensões (mm): comprimento, 4.778; entre-eixos, 2.820; largura, 1.880 (2.063 com espelhos); altura, 1.686. Volumes (L): porta-malas, 431; tanque, 55. Massa: 1.804 kg. Híbrido pleno. Motor 4-cilindros 1,5 L, gasolina: potência 144 cv; torque 23,4 m·kgf. Motor elétrico: potência, 136 cv; torque, 32.6 m·kgf. Potência combinada: 245 cv; Consumo (Inmetro km/L, cidade/estrada): 13,1/12,1; Alcance (km, cidade/estrada): 721/666; Tração dianteira. Câmbio automático DHT, três marchas. Aceleração 0 a 100 km/h (s): 8,3.

Seu interior, com certeza é o que mais surpreende. Há três telas, incluindo uma que apenas o acompanhante pode assistir. Além de projeção de dados no para-brisa, tem a maioria dos comandos por teclas ou botões. Bom espaço para os ocupantes do banco traseiro (inclui regulagem dos encostos), o que pode ter sido determinante para diminuir o volume do porta-malas menor que o de concorrentes diretos. Entre os itens de série destacam-se teto solar panorâmico elétrico, câmera 360° e sistema autônomo de estacionamento. Chamam atenção os 29 recursos de segurança passiva e ativa, que incluem sempre úteis alertas de ponto cego, além da bolsa inflável entre os bancos dianteiros.

No uso urbano, o Koleos sobressa ipelo silêncio de marcha e por respostas imediatas ao acelerador. Em geral híbridos plenos costumam ser mais econômicos em cidade do que em estrada e isso se manteve, de acordo com dados do Inmetro. No entanto, durante o teste o gasto de combustível nos dois parâmetros usuais foi um pouco maior do que o esperado, contrabalançado pelas retomadas sempre vigorosas. Enquanto o desempenho impressiona com quatro modos de condução, em especial na opção Sport, o sistema de manutenção na faixa de rodagem, particularmente mente útil em estradas, é mais intrusivo do que o desejável, embora dê a opção de desligá-lo.

 

Apesar do calendário curto, abril mostrou bom resultado

 Quem olha apenas a superfície dos números de abril pode ter a falsa impressão de que o mercado brasileiro de veículos leves perdeu fôlego. O total de 236.712 emplacamentos representa um recuo de 8,2% frente a março. No entanto, abril teve apenas 20 dias úteis, dois a menos que o mês anterior. Quando o foco é a média diária, o cenário muda: foram 11.836 unidades/dia, um recorde para o ano e o melhor desempenho desde o final de 2024.

Para Milad Kalume Neto, da K.Lume Consultoria, se abril tivesse os mesmos dias úteis de março, o resultado superaria qualquer expectativa. Na comparação interanual houve um salto relevante de 20% sobre abril de 2025. Quanto ao acumulado do primeiro quadrimestre, a alta de 16,4% para 832.000 unidades já coloca 2026 acima dos níveis pré-pandemia de 2019, o que consolida uma recuperação consistente.

Fenômeno que merece atenção é a “invasão” chinesa, que não dá sinais de trégua. De acordo com a consultoria Bright, as 40.927 unidades vendidas em abril, significaram 17,3% de participação de mercado, ante 14,7% em março. O resultado refletiu o desempenho dos modelos híbridos e elétricos somados. Entre estes, Dolphin Mini, liderou entre os elétricos; Song Pro dominou os híbridos plugáveis; Omoda 5, os híbridos plenos; Fastback, os semi-hibridos e C10 entre elétricos de alcance estendido (participação simbólica de 1%).

O balanço geral aponta que as cinco maiores marcas tradicionais (Fiat, VW, GM, Hyundai e Toyota, nesta ordem) cresceram 13% no acumulado deste ano, um pouco abaixo dos 16,4% do mercado total. Mas isso ainda pode mudar de acordo com os investimentos já anunciados para os próximo anos.

Outras observações, da K.Lume, quase 60% das vendas foram à vista e 40% financiadas. Estas enfrentam juros ainda juros muito altos, reflexo da inflação que ameaça romper os 4,5% ao ano, acima da tolerância de 3%, eu acrescento. O segmento de automóveis mais caros retraiu-se 17%.

Balanço geral de vendas em 2026 poderá ficar acima do previsto no começo deste ano tanto pela Anfavea quanto pela Fenabrave. 

 

BMW M135 xDrive: hatch que impõe respeito

 Aspecto geral já atrai dentro do conceito da marca alemã de sua linha M. Num mundo dominado por SUVs, sempre é bom ter oferta de hatch tão sofisticado quanto em desempenho acima da média. Logo chamam atenção a traseira com quatro saídas de escapamento, o defletor de teto e a menor distância livre do solo que garante comportamento em curvas brilhante. Durante impressões iniciais de São Paulo a Itu (ida e volta, cerca de 200 km), o M135 xDrive demonstrou que os 317 cv e 40,7 m·kgf asseguram desempenho, principalmente em curvas, superior a concorrentes com números semelhantes de potência e torque, a exemplo do Civic Type R ou GR Corolla. Estes dois modelos sem representar marca premium, têm preços não muito menores.

O hatch de entrada de vocação esportiva da BMW custa R$ 459.950 (GR Corola com teto de compósito de fibra de carbono, R$ 461.990). Mais impressionante no modelo alemão é o desempenho no modo esporte: muda desde o ronco do motor (com os apreciados estampidos) até a troca de marchas tão brusca quanto admirada por motoristas que entendem e valorizam este comportamento. Há ainda mais emoção. Basta manter acionada a aleta do lado esquerdo do volante e por 10 segundos o motor libera potência adicional. Aceleração de 0 a 100 km/h em 4,9 s demonstra a sua esportividade, embora o motorista deva respeitar o fato de que o controle de estabilidade fica anulado temporariamente. Neste caso, nada de abuso em curvas.

Outro fator atraente é o seu interior. Além do acabamento de nível superior, chamam atenção empunhadura do volante, posição de dirigir, duas telas curvas de 10,25 pol. (instrumentos) e 10,7 pol. (multimídia com os espelhamentos de praxe, sem fio), além de botões físicos onde sempre deveriam ficar.

FC

A “Coluna Fernando Calmon” é de exclusiva responsabilidade do seu autor.

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