A Chevrolet Montana RS é um daqueles projetos que amadurecem rápido dentro do mercado brasileiro. Se no lançamento da terceira geração em fevereiro de 2023 a proposta ainda parecia uma aposta, hoje ela já se mostra mais clara, e mais bem compreendida, tanto pela própria GM quanto pelo público.
Depois de uma semana de uso, fica evidente que não se trata apenas de uma picape compacta com visual esportivo. A Montana RS representa uma leitura mais moderna do segmento, reforçando o conceito de veículo multiuso com forte apelo urbano, algo que a marca vem enfatizando com mais clareza em sua comunicação recente.

Ela não quer substituir uma picape tradicional. Quer, na prática, oferecer uma alternativa para quem precisa de versatilidade, mas vive majoritariamente no asfalto. Considerando que a Montana é a linha de entrada de picapes da família de picapes Chevrolet que conta com a média S10 e a grande Silverado.
Versões e preços:
Montana MT (câmbio manual) – R$ 131.990
Montana LT (câmbio manual ) – R$ 137.690
Montana LTZ – R$ 154.990
Montana Premier – R$ 162.990
Montana RS – R$ 167.990 (versão testada)

Visual que deixa de ser detalhe e passa a ser identidade
A versão RS ganha relevância justamente por traduzir visualmente esse posicionamento. Não é só um pacote estético: é uma forma de comunicar que a Montana está mais próxima de um estilo de vida urbano do que de um utilitário clássico.
Os elementos escurecidos, a grade do radiador em padrão colmeia e a ausência de cromados criam um conjunto mais coeso e contemporâneo. A assinatura visual acompanha a linguagem global recente da Chevrolet, com iluminação bipartida de LED e uma dianteira mais expressiva.

De perfil, rodas de 17 polegadas e o conjunto integrado de barras longitudinais no teto e “santantônio” reforçam essa dualidade entre uso prático e apelo visual. Já a traseira segue como um dos pontos mais bem resolvidos do projeto, com a barra preta conectando as lanternas e ampliando a sensação de largura.

Cabine: consolidação da proposta “suve com caçamba”
O interior reforça aquilo que o discurso mais recente da Chevrolet já deixa claro: a Montana foi pensada para quem vem de um carro de passeio.
A cabine da RS evita qualquer tentativa de parecer ser de um utilitária. O ambiente em preto com costuras vermelhas, o volante de 370 mm de diâmetro com um cufto segmento reto e os acabamentos em preto brilhante criam uma atmosfera mais alinhada a hatches e suves compactos do que a picapes.

Mais importante do que a estética é a execução no uso real. A ergonomia é direta, a posição de dirigir é correta e o isolamento acústico é acima da média do segmento. A sensação ao rodar reforça esse caráter mais “civilizado”.
O pacote tecnológico também acompanha essa proposta, com multimídia MyLink de 11 polegadas integrada, conectividade sem fio e recursos como OnStar, Wi-Fi nativo e aplicativo remoto. São itens de serie que funcionam e fazem diferença no dia a dia.
Dinâmica: o ponto onde a Montana se distancia do segmento
Se o discurso evoluiu, o comportamento dinâmico continua sendo o principal argumento do produto. O conjunto mecânico segue conhecido, com o motor 1,2-l turbo de 132/133 cv de potência máxima com 21,4 m·kgf de torque máximo, acoplado ao câmbio automático epicíclico de 6 marchas. A entrega privilegia elasticidade e uso urbano, com boa potência já em baixa rotação e respostas progressivas.

Os números são honestos, mas não contam toda a história. O desempenho é suficiente, com aceleração em 10,1 segundos para o 0-100 km/h, mas o destaque está na forma como o carro se movimenta. Fica devendo, como em toda linha Chevrolet que utiliza o câmbio automático GF6, a possibilidade de efetuar trocas de marchas sequenciais em modo manual.

A suspensão traseira com duplo batente de rigidez variável continua sendo o grande diferenciador técnico. Ela permite um equilíbrio entre conforto e controle, mantendo a carroceria estável mesmo em situações mais exigentes e evitando o comportamento típico de picapes leves quando rodando vazias. E transmitindo segurança quando carregadas até os 600 kg de carga máxima incluindo ocupantes.

Na prática, dirige-se a Montana RS dirige como um carro de passeio elevado. A direção é precisa, a rolagem de carroceria é contida e o conjunto transmite segurança mesmo em uso mais exigente.

Consumo coerente com a proposta
O consumo segue dentro do esperado para um conjunto turbo voltado ao uso urbano. No trecho entre São Paulo e Campinas a 120 km/h verdadeiros e com ar-condicionado ligado o consumo registrado foi de 14,2 km/l, enquanto nos 500 km de uso do veículo durante esta semana alcancdi 12 km/l, tendo o veículo sempre abastecido com gasolina “alcoolizada” a 30%.
O resultado acima confirma a capacidade do veículo em manter eficiência consistente, sem surpresas negativas. Não é um destaque absoluto, mas certamente não compromete.

Caçamba: funcionalidade com foco em uso cotidiano
A caçamba de 874 litros reforça o caráter versátil do projeto. Soluções como o sistema Multi-Flex, disponível no kit de acessórios, e a vedação eficiente, mostram que houve preocupação com usabilidade real, não apenas com volume declarado.
Ainda assim, o posicionamento é claro. A Montana RS não foi concebida para trabalho severo contínuo, mas ainda assim pode ser usada para tal. Ela atende bem demandas ocasionais e uso recreativo, mas seu habitat natural continua sendo o ambiente urbano.
Segurança e tecnologia: bom nível, mas com espaço para evolução
O pacote de segurança é consistente, com seis bolsas infláveis, alerta de ponto cego, câmera de ré e sensores, além dos serviços conectados que ampliam a experiência de uso .
Por outro lado, a ausência de um conjunto mais extenso de assistências ao motorista evidencia um ponto onde o modelo ainda pode evoluir, especialmente considerando a evolução do segmento.

Conclusão
A Montana RS é um exemplo de produto que se posiciona melhor com o tempo. O que antes poderia parecer uma proposta híbrida ou indefinida, hoje se apresenta de forma mais consistente.

Ela não tenta ser a mais robusta, a mais potente ou a mais capaz fora da estrada. Seu foco é outro: oferecer uma experiência de uso próxima à de um carro de passeio, com a versatilidade adicional de uma caçamba.
E dentro dessa proposta, entrega exatamente o que promete, ou talvez até um pouco mais.
GB
Ficha técnica resumida – Chevrolet Montana RS
| Motor | 1,2-l Turbo Flex, 3 cilindros |
| Potência | 132 /133 cv a 5.500 rpm |
| Torque | 21,4 m·kgf a 2.000 rpm |
| Câmbio | Automático epicíclico de 6 marchas |
| Tração | Dianteira |
| Direção | Assistência elétrica regressiva conforme a velocidade aumenta |
| Suspensão dianteira | Independente tipo McPherson |
| Suspensão traseira | Eixo de torção com duplo batente de constante elástica progressível |
| Freios | Discos ventilados na dianteira e tambor na traseira |
| Comprimento | 4.717 mm |
| Entre-eixos | 2.800 mm |
| Largura | 1.798 / 2.097 mm |
| Altura | 1.659 mm |
| Capacidade de carga e caçamba | 600 kg / 874 litros |
| 0–100 km/h | 10,1 s |
| Velocidade máxima | 180 km/h |
| Consumo (gasolina) | 11,1 km/l (cidade) / 13,3 km/l (estrada) |
| Consumo (álcool) | 7,7 km/l (cidade) / 9,3 km/l (estrada) |
Tecnologia e e
quipamentos
- Alerta de ponto cego
- Ar-condicionado digital automático
- Carregador por indução
- Central multimídia MyLink 8” com Android Auto e Apple CarPlay sem fio
- Chave presencial com partida por botão
- Faróis Full LED com acendimento automático
- Seis bolsas infláveis
- Wi-Fi nativo e sistema OnStar
