A equipe Mercedes dominando a F-1 está longe de ser uma novidade: isso já aconteceu na década de 1950 e mais recentemente nos anos 2010. O ineditismo desta vez ficou patente na disputa do GP do Canadá (foto de abertura) e é cortesia do jovem italiano Andrea Kimi Antonelli, que aos 19 anos de idade e com cerca de 30 GPs em seu currículo, já acumula quatro vitórias consecutivas, fato inédito na história da categoria. Por outro lado, a primeira temporada de um novo regulamento técnico segue mostrando mazelas técnicas e apostas equivocadas das demais equipes, Audi do brasileiro Gabriel Bortoleto aqui incluída.
Historicamente, a F-1 tem uma equipe que sobressai entre suas rivais e consolida a diferença principal diferença com a F-Indy, conforme análise do sueco Stefan Johansson, que competiu em ambas:
“Na F-1 se um carro nasce bom, você terá uma boa temporada, em caso contrário nem pense nisso. Na F-Indy, onde todos correm com, basicamente, o mesmo equipamento, é possível melhorar seu carro e ficar competitivo.”
Tudo indica que o time alemão comandado por Toto Wolff vai consolidar a teoria do sueco que na F-1 passou pelas equipes Spirit, Tyrrell, Toleman, Ferrari, McLaren, Ligier, Onyx, AGS e Footwork, nessa ordem e entre 1983 e 1991. Os negros carros de George Russell e Kimi Antonelli foram os únicos vencedores das cinco etapas já disputadas este ano: o inglês triunfando na Austrália e o italiano na China, Japão, Miami e Montreal. Essa escrita deve continuar nas próximas provas, ainda que Ferrari, Red Bull e McLaren tenham mostrado alguma melhora desde o. início do ano.

Por enquanto, uma derrota de Antonelli e Russell na mesma corrida só acontecerá em condições excepcionais. Verdade que o britânico abandonou a prova canadense por problemas mecânicos, mas há de se considerar suas excursões fora da pista e as 30 voltas durante as quais ele e o italiano travaram uma batalha épica pela liderança. A pane no carro nº 63 em Montreal sugere que ele pode explorar seu equipamento de forma mais agressiva que o piloto do carro nº 12.
Algo a conferir, tanto quanto descobrir os limites que Wolff imporá a ambos para não correr riscos desnecessários e que remetem aos duelos entre Lewis Hamilton e Nico Rosberg em épocas recentes. Não se surpreenda se Russell perder a disputa para Antonelli.

Resultado surpreendente para a Ferrari foi o desempenho de Lewis Hamilton, que levou seu Ferrari ao segundo lugar após uma boa briga com Max Verstappen. Após um período de aparições muito aquém do que se espera de alguém que tem sete títulos mundiais no seu currículo, Hamilton optou por deixar de usar o acerto desenvolvido no simulador da equipe Ferrari e confiar mais nos valores que sente ao conduzir o carro real numa pista real e numa situação real de competição.

Max Verstappen ainda vê seu nome envolto em comentários que mencionam sua frustração com o regulamento atual e a vontade de deixar a F-1 ao final da temporada. A Red Bull estreia a parceria com a Ford e seu primeiro motor feito em casa, situação que cobra mais do que o time de licença austríaca está acostumado a aceitar e pagar com juros e dividendos. Ponto positivo para o time é que pela primeira vez em várias temporadas, finalmente os dois carros da equipe figuram entre os que marcam pontos regularmente, situação garantida pelo novato Isack Hadjar.

Atual bicampeã entre os construtores, a McLaren apostou na estratégia de largar com pneus mais macios que seus rivais diretos e pagou caro por isso. Este ano os carros papaia não exibem a mesma eficiência de 2024/2025 e soma menos da metade dos pontos da líder Mercedes. A capacidade de reagir da escuderia fundada por Bruce McLaren, porém, deve ser lembrada e considerada, para tristeza do time alemão, da Ferrari e da Red Bull.

O brasileiro Gabriel Bortoleto segue pagando o preço de estar numa equipe que faz sua estreia na categoria. Apesar de a Audi ter incorporado a estrutura da Sauber, o ineditismo do programa de F-1, os problemas naturais de carro e motores novos e alguma instabilidade na estrutura do time são pontos que cobram soluções. Na classificação dos construtores a Audi só está à frente da Cadillac e da Aston Martin, ambas ainda sem marcar pontos.
O campeonato mundial prossegue dia 7 de junho, com a disputa do GP de Mônaco. O resultado completo do GP do Canadá e a atual classificação do campeonato mundial você encontra aqui.
WG
