Até o ano passado e desde que a atual pontuação do Campeonato Mundial de F-1 foi instituída, em 2011, apenas três pilotos conseguiram vencer cinco provas consecutivas: Max Verstappen (10 vitórias em 2023, Sebastian Vettel, (9, 2013) e Lewis Hamilton (5, em 2014 e em 2020). Kimi Antonelli (foto de abertura, celebrando no Mediterâneo após a proval) é o mais novo integrante dessa seleta lista após vencer, de ponta a ponta, o GP de Mônaco. Mais: o jovem italiano fez aquilo que no automobilismo brasileiro é chamado de “barba, cabelo e bigode e na Europa um refinado “Grand Chelem”. Ele obteve a pole position, vez a melhor volta da prova e venceu. Como se não bastasse, liderou as 78 voltas de uma prova marcada por duas entradas do Safety Car e uma bandeira vermelha. Esta última intervenção interrompeu a disputa quando faltavam oito voltas para o final.

Em resumo, o jovem de apenas 19 anos mostrou tranquilidade e competência para enfrentar a pressão vinda dos seus principais adversários e das exigências do circuito montado nas ruas de Monte Carlo, onde a margem de erros é tão irrisória quanto as dimensões dessa Cidade-Estado. Adotado por Toto Wolff desde que disputava categorias de base, Antonelli mostra-se uma aposta certeira do seu chefe de equipe, que também é seu empresário. A grandiosidade do feito pode ser medida pelo fato de Wolff ter abdicado de uma de suas características como dirigente: a cada vitória da Mercedes, invariavelmente ele convida um engenheiro ou mecânico para ir receber o troféu de construtor. Domingo último ele fez questão de marcar presença no pódio real.

A ascensão de Antonelli contrasta com o desempenho do seu companheiro de equipe, George Russell. O piloto inglês começou a temporada vencendo o GP da Austrália, em Melbourne, mas nos GPs da China, Japão, Miami e Canadá, obteve dois segundos e dois quartos lugares e também um abandono, em Monte Carlo. É fato consumado que uma campanha como essa exige altas doses e resiliência e autoconfiança para não se deixar abater e voltar a vencer. Estaticamente, porém, os números de Russell não são otimistas: desde o GP da Austrália em 2019 ele soma 158 largadas ele obteve 9 pole position, 11 voltas mais rápidas, 26 pódios e quatro vitórias. Em 30 provas disputadas Antonelli registrou 4 pole positions, 6 voltas mais rápidas, 5 vitórias e 8 pódios.

No final do ano passado Russell renovou contrato por apenas uma temporada. Esse acordo alimenta boatos que em 2027 seu lugar será ocupado por Max Verstappen: em 1996 Wolff não quis contratar o holandês, decisão que ele se arrepende publicamente. Ironicamente, o piloto holandês não se cansa de elogiar o rival italiano, que a cada etapa mostra mais maturidade, sem perder o espírito traquinas com que prega peças em toda a equipe. No campeonato ele acumula 88 pontos e está atrás Do italiano (156) e de Lewis Hamilton, que conseguiu seu segundo pódio consecutivo pela Ferrari.

É importante lembrar que às qualidades indiscutíveis de Antonelli deve-se adicionar a superioridade técnica do seu equipamento, algo que ele demonstra aproveitar muito mais que George Russell. Nomes como o franco-argelino Isack Hadjar, da Red Bull, os ingleses Arvid Linblad (Racing Bulls) e Oliver Bearman (Haas), o brasileiro Gabriel Bortoleto (Audi) e o argentino Franco Colapinto (Alpine) completam o time de novos talentos da F-1. Na corrida de domingo, em que Max Verstappen abandonou na primeira volta por pane mecânica, Hadjar obteve o segundo pódio de sua ainda curta carreira e é o segundo melhor classificado – entre os novatos – no campeonato: soma 29 pontos, contra 43 de Verstappen.

Da mesma forma, Bearman e Bortoleto também somam mais pontos que seus companheiros de equipe, Esteban Ocon e Nico Hulkenberg, respectivamente. Todas essas estatísticas serão atualizadas no próximo fim de semana, quando se disputa o GP da Espanha em Barcelona.
O resultado completo do GP de Mônaco você encontra aqui.
WG
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