Os lançamentos servem para apresentar um automóvel. A convivência diária é que revela se o projeto realmente foi bem executado. Foi exatamente essa diferença que notei ao reencontrar o Ford Territory, um ano depois de sua atualização.
Na apresentação do modelo, em julho de 2025, ficou evidente a sua evolução. Mas somente uma semana de uso, alternando cidade, rodovias e diferentes tipos de pavimento, permitiu enxergar características que dificilmente aparecem em um primeiro contato. E, durante toda a avaliação, uma pergunta permaneceu na cabeça: por que um veículo tão competente vende tão pouco?
Procurei justamente descobrir se existia alguma deficiência importante capaz de justificar sua discreta participação entre os suves médios. Ao final da semana, a resposta parece bastante clara.

Um projeto bem equilibrado
O Territory não impressiona por números isolados nem tenta vencer a concorrência com uma longa lista de modismos eletrônicos. Seu principal atributo está no equilíbrio do conjunto.
As dimensões explicam boa parte dessa sensação. São 4.685 mm de comprimento, 1.935 mm de largura sem espelhos/2.177 mm com, e 2.726 mm de distância entre eixos, medidas que resultam numa cabine muito bem aproveitada. O motorista encontra rapidamente uma posição confortável graças às amplas regulagens elétricas do banco, enquanto a boa área envidraçada facilita a percepção das extremidades da carroceria, de grande importância num veículo desse porte.

O banco traseiro merece destaque. O amplo espaço para pernas e largura da carroceria permitem acomodar três adultos com conforto, favorecido pelo assoalho praticamente plano. O porta-malas, de 448 litros atende perfeitamente ao uso familiar, podendo chegar a 1.422 litros com o banco traseiro rebatido. Mais importante que os números, porém, é a sensação transmitida durante o uso: o Territory parece maior por dentro do que suas dimensões externas sugerem.
Detalhes da parte traseira e do porta-malas
Dinâmica veicular
É na dinâmica que o Territory demonstra um trabalho de engenharia acima da média. A suspensão dianteira McPherson e a traseira independente multibraço formam uma combinação conhecida, mas que somente apresenta bons resultados quando acompanhada de uma calibração cuidadosa. Foi exatamente essa impressão que o Territory transmitiu nesta avaliação.
Suspensão dianteira do tipo McPherson tem braço de controle inferior com construção em chapa dupla, melhorando durabilidade e propagação de vibraçoes
A frequência de trabalho entre os eixos está bem resolvida. Em pisos ondulados, remendos de asfalto ou sequências de lombadas, a carroceria mantém movimentos muito bem controlados, sem aquela sensação de que os eixos trabalham em ritmos diferentes. O carro absorve as irregularidades com competência, preservando o conforto sem abrir mão da estabilidade.
Suspensão traseira multibraço com robusta construção em peças estampadas
Outro aspecto que chamou atenção foi a ausência de ruídos típicos de fim de curso de distensão da suspensão ao passar por lombadas mais pronunciadas. Esse comportamento normalmente revela um desenvolvimento criterioso dos amortecedores, batentes e buchas, detalhes que raramente aparecem nas campanhas de marketing, mas fazem enorme diferença na convivência diária.

A direção com assistência elétrica segue a mesma filosofia. Possui boa definição da posição central, transmite segurança em velocidades de rodovia e aumenta progressivamente o esforço conforme a velocidade cresce. O motorista sempre sabe exatamente onde estão as rodas dianteiras, característica cada vez mais rara em sistemas eletroassistidos.
São características difíceis de medir em números, mas fáceis de perceber para quem passa vários dias ao volante.

Motor e câmbio
Sob o capô trabalha o motor EcoBoost de quatro cilindros, 1.497 cm³, turbocarregado, com injeção direta de gasolina. Desenvolve potência máxima de 169 cv a 5.500 rpm e, entrega torque máximo de 25,5 m·kgf entre 1.500 e 3.500 rpm. É justamente essa faixa de torque e a boa potência em rotações intermediárias resultante que explica a boa disposição do Territory nas retomadas e ultrapassagens. A resposta ao acelerador é imediata e, na maior parte do tempo, o motorista simplesmente aproveita a elasticidade sem perceber o trabalho do câmbio.
Motor EcoBoost 1,5-l turbocarregado de 4 cilindros em linha montado na transversal
O câmbio automático robotizado de dupla embreagem (DCT)banhada a óleo, de sete marchas, merece um comentário à parte. Durante anos esse tipo de câmbio ficou associado a trocas bruscas e comportamento pouco agradável em baixas velocidades. Aqui acontece exatamente o contrário, sua calibração privilegia suavidade e praticamente elimina a percepção de se tratar de um DCT. Em nenhum momento da avaliação surgiram trancos, hesitações ou respostas inesperadas.

Consumo e freios reforçam a boa impressão
Ao final da semana, a média de consumo de gasolina ficou em torno de 12 km/l. Considerando um veículo de 1.705 kg em ordem de marcha, de motor a combustão, trata-se de um resultado bastante coerente. Evidentemente existem híbridos capazes de consumir menos, mas também é preciso considerar que utilizam conceitos completamente diferentes, mas tal consumo, aliado ao tanque de 60 litros, provê alcance de 720 quilômetros.

Outro detalhe interessante apareceu no sistema de freios. Com o conjunto ainda frio, o pedal apresenta resposta inicial mais intensa, exigindo adaptação nos primeiros quilômetros. Depois de algum tempo de utilização a modulação torna-se bastante progressiva e previsível.

Minha impressão é que haja alguma estratégia de calibração da assistência de frenagem para privilegiar eficiência logo após a partida, talvez considerando condições de baixa temperaturas. Não chega a ser um defeito nem compromete o conforto, mas foi uma característica perceptível ao longo da avaliação.
Conclusão: por que vende tão pouco?
Chegando ao final da semana, continuei sem encontrar uma justificativa técnica para o discreto desempenho comercial do Territory Titanium, anunciado no site da marca por R$ 219.900.
Num mercado com várias opções na faixa de preços entre R$ 180 mil e 240 mil, com motores a combustão, híbridos, híbridos plug-in e elétricos, talvez ele simplesmente não desperte o mesmo interesse de consumidores atraídos pelas novas tecnologias. Também é possível que a estratégia comercial da Ford ou a disponibilidade de veículos importados influenciem esse resultado. Sem informações oficiais da fabricante sobre os volumes importados e expectativas de vendas, qualquer conclusão seria apenas especulação.
Conforto e sofisticação na dianteira do veículo com teto solar panorâmico que ilumina bem o interior
O fato é que o produto merece muito mais atenção do que recebe.
O Territory talvez não seja o mais potente, o mais econômico ou o mais tecnológico da categoria. Em compensação, entrega um conjunto extremamente equilibrado. Há espaço interno abundante, excelente conforto, refinamento dinâmico, boa ergonomia, direção precisa, suspensão bem calibrada e um trem de força que privilegia suavidade sem renunciar ao desempenho.

Esta avalição deixou a impressão que é bastante simples: o Ford Territory não é um carro que procura impressionar nos primeiros cinco minutos. Ele convence aos poucos, à medida que o motorista percebe o cuidado colocado em cada sistema e a forma como todos trabalham em harmonia.

Talvez essa seja justamente sua maior virtude, e a razão de passar despercebido por parte do mercado. O Territory não aposta no espetáculo. Aposta na engenharia. E, para quem ainda escolhe um automóvel pela qualidade do projeto, isso continua fazendo toda a diferença.
Prós & Contras
+ Prós
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– Contras
|
GB
Ficha Técnica – Ford Territory Titanium 2026
Fonte: Ford Brasil. Os dados acima correspondem às informações técnicas oficialmente divulgadas pelo fabricante. Itens não informados são indicados por n.d. (não disponível).
Equipamentos de série
- Acendimento automático dos faróis
- Ajuste volante em altura e distância
- Alarme perimétrico
- Alças de teto em 3 posições
- Alerta de colisão frontal e traseira
- Alerta de cinto de segurança
- Android Auto e Apple CarPlay sem fio
- Ar-condicionado automático digital de duas zonas
- Assistente de descida
- Assistente de partida em rampa
- Banco do motorista com ajuste elétrico e apoio lombar
- Banco do passageiro com ajuste elétrico
- Bancos dianteiros aquecidos e ventilados
- Bancos revestidos com acabamento premium microperfurado
- Bancos traseiros bipartidos 60:40
- Barras longitudinais no teto
- Bluetooth
- Câmera 360° com visão aérea
- Carregador de celular por indução
- Central multimídia Sync Touch com tela de 12,3″
- Chave presencial com acesso inteligente
- Computador de bordo
- Controle de cruzeiro adaptativo com função anda e para
- Controle eletrônico de estabilidade
- Controle eletrônico de tração
- Direção com assistência elétrica
- Espelho retrovisor interno eletrocrômico
- Espelhos retrovisores elétricos, rebatíveis e com luzes de boas-vindas
- Faróis Full LED com ajuste de altura
- Farol alto automático
- Fechamento global de portas, vidros e teto solar
- Fixações Isofix
- Freio de estacionamento elétrico com Auto Hold
- Freios ABS com EBD
- Freios a disco nas quatro rodas
- Lanternas traseiras em LED
- Limpador do para-brisa com sensor de chuva
- Luz ambiente configurável em LED
- Luzes diurnas em LED (DRL)
- Monitoramento da pressão dos pneus
- Monitoramento de ponto cego
- Painel de instrumentos digital de 12,3″
- Partida remota
- Porta-malas elétrico com abertura sem as mãos
- Quatro modos de condução (Normal, Eco, Esportivo e Trilha)
- Rodas de liga de alumínio de 19″
- Saídas USB dianteiras (A e C) e traseira (C)
- Seletor eletrônico de marchas rotativo
- Sensor de estacionamento dianteiro e traseiro
- Sistema de áudio com oito alto-falantes
- Sistema de frenagem autônoma de emergência
- Sistema de manutenção e centralização em faixa
- Sistema de partida por botão Ford Power
- Teto solar panorâmico elétrico
- Vidros elétricos com função um toque
- Volante revestido em couro com comandos multifuncionais

