Junho foi novamente um mês de fortes vendas de veículos leves, repetiu o bom desempenho de maio com 13.026 emplacamentos diários e esse ritmo veio se mantendo ao longo de julho. O semestre fechou com 1.358.624 leves, um salto de 20% sobre os mesmos seis meses do ano passado.

Cabe lembrar que em dezembro a Anfavea projetava um crescimento de apenas 2,7% para este ano e se viu surpreendida por +20%. Em junho a associação dos fabricantes faz revisões e a nova previsão para o mercado de leves ficou com uma expansão total de 13,1%, ou 2,885 mil veículos. Fazendo as contas, espera-se um 2.º semestre com 1,526 mil leves, coisa de 7,5% maior que mesmos 6 meses de 2025. Achei conservadores. Se era difícil entender os 20% de crescimento médio até agora, ficou tão difícil quanto compreender por que corta-lo de +20% para +7%. A projeção de média diária de licenciamentos até o final do ano ficou em 12.100 leves. Este colunista opta por algo menos conservador, se a Anfavea não espera que ritmo diário se mantenha em 13.000, OK, eu iria de 12.500, ou 50 mil leves a mais que o esperado por eles.

Junho ficou então com 272.474 emplacamentos totais, sendo 260.528 leves, 212.970 automóveis e 47.558 comerciais leves, 9.755 caminhões e 2.191 ônibus. Foram 29% a mais de licenciamentos de leves que junho de ’25. Os importados ficaram com 20% do bolo de leves, a BYD parece qye irá se consolidar com o 4º posto de emplacamentos de automóveis, mas já figura em 2º no varejo. São três modelos no ranking dos 10 mais vendidos. Entram no mercado de volume também a GWM, a Geely e a Jaecoo, ao passo que outras marcas chinesas também vêm ocupando mais espaço. E sobram promessas de fabricação nacional. O Brasil é definitivamente outro.
Excluindo todas as marcas chinesas em uma simulação, a expansão de vendas de leves ficaria em 10%, ainda assim é expressiva, porém os 20% de crescimento total nos deixa concluir que os fatores inovação e eletrificação são os principais responsáveis, num mercado que crescia lentamente em ritmo de 3 a 5% anuais, isso com Selic de mais de 14% e restrições ao crédito. O Brasil é outro, mas segue sendo o mesmo, não vemos planejamento de expansão da rede de recarga, se haverá políticas públicas para lidar com isso e como ficará a nova matriz energética em caso dos veículos eletrificados seguirem invadindo nossas ruas nesse ritmo alucinante.
O gráfico abaixo de emplacamentos diários nos anos 21 a 26 mostra claramente que estamos num outro patamar.

Com o Programa Carro Sustentável completando um ano, nota-se que as vendas dos modelos envolvidos cresceram 7,5% no semestre, antes do programa entrar em vigor, esses mesmos modelos caíam 11%. O impacto do novo programa eleitoral de subsídios a motoristas de aplicativos deve somar mais vendas ainda.

Vendas no varejo e a frotistas crescem em passo semelhante, são +22% e +18% respectivamente. O varejo de automóveis está num patamar de 110.000/mês.


Vendas diretas e varejo por fabricante, num mercado que cresceu 20% a VW foi a única das grandes que acompanhou o ritmo, GM chegou perto, o resto do crescimento ficou com as marcas chinesas.



RANKING DE JUNHO E DO SEMESTRE
A Fiat licenciou 49.082 veículos leves e manteve a ponta, desta vez ganhou o incômodo da aproximação da VW, que ficou com 45.986. A marca alemã não tem concorrentes a altura para disputar o segmento de picapes, mas a sua ofensiva de desenvolver e trazer novos produtos deve reposicioná-la, de uma vez virão a Tuskan e a nova Amarok, se ela não tomar a ponta, que está com a marca italiana desde o começo deste milênio, a briga pela liderança deve esquentar e quem se beneficia é o consumidor. Em 3º lugar vem a GM, mais distante, com 26.688 unidades, seguida da BYD, com 21.254, depois Hyundai, 16.430, Toyota, Renault, Jeep, Honda e Caoa Chery. No semestre a Fiat tem 270.941 licenciamentos, VW, 224.923, GM 140.706, BYD 99.028, depois a mesma sequência.
T-Cross (foto de abertura) liderou os automóveis em junho, com 11.753 unidades, Polo em 2º, com 10.939, Argo em 3º, 9.831, Tera, 9.289, Onix, HB20, Song Plus, Dolphin Mini, Creta e Dolphin completando a lista dos 10 primeiros.
No semestre o Polo segue na frente, 54.096, T-Cross com 48.048, Argo, 46.032, Onix, Tera, HB20, Creta, Dolphin Mini, Mobi e Song Plus completam a lista.
Nos comerciais leves a Fiat nada de braçada, ainda, Strada vende mais de três vezes a 2ª colocada, a Toro. Foram 14.303 licenciamentos da compacta, 4.202 da média, Hilux, com 3.888, Saveiro, 3.142, S10, 2.964, Ranger, 2.949, depois Fiorino, Rampage, Montana e Triton. No semestre a Strada fechou com 83.041 unidades, Toro em 2º, 25.902, Hilux, 23.368, Saveiro, 23.264, Ranger, 16.973. No início deste mês foi anunciado que o governo argentino removerá gradualmente (até zerar em 6 meses) os impostos de exportação de seus veículos, hoje algo em torno 4,7%, que deve refletir nos preços de Hilux, Amarok, Ranger, Titano e Dakota e esquentar a disputa.
Segundo semestre vem quente de novidades, veremos os lançamentos da VW e Renault, novas tecnologias, enfim, o mercado agradece.
Até mês que vem!
MAS





