Quando a Ram apresentou oficialmente a Dakota ao mercado brasileiro, o AUTOentusiastas mostrou em detalhes sua proposta, posicionamento e as principais características técnicas da nova picape média da marca. Agora, passado o impacto do lançamento, chega o momento mais importante de qualquer avaliação: descobrir quais impressões permanecem quando o entusiasmo do lançamento dá lugar à convivência com o veículo. (Caso você não tenha lido a matéria de lançamento do Paulo Manzano, vale a pena conferi-la antes desta avaliação)

Com 5.357 mm de comprimento, entre-eixos de 3.180 mm, capacidade de carga de 1.020 kg e reboque de até 3.500 kg, a Dakota Warlock utiliza o motor 2,2-l turbodiesel quatro- cilindros de 200 cv de potência máxima e 45,9 m·kgf de torque máximo, associado ao câmbio automático epicíclico de oito marchas e ao sistema de tração 4×4 Auto com Reduzida. O desempenho é compatível com a proposta da picape: acelera de 0 a 100 km/h em 9,9 segundos e tem velocidade máxima limitada eletronicamente de180 km/h.
Os números são competitivos. Mas uma picape média não é definida apenas pela ficha técnica. O que realmente diferencia os melhores projetos está no comportamento dinâmico, no refinamento e na forma como motorista e veículo interagem durante a convivência.

Motor entrega o esperado, câmbio é destaque
O motor 2,2-l turbodiesel confirma a boa impressão deixada em outros modelos da Stellantis. Os 45,9 m·kgf de torque máximo estão disponíveis a partir de 1.500 rpm e garantem boas retomadas e ultrapassagens seguras. A potência de 200 cv é entregue a 3.500 rpm, sempre acompanhada de um funcionamento silencioso e discreto.
Na prática, o desempenho fica muito próximo do encontrado nas principais concorrentes, embora a sensação de aceleração seja ligeiramente inferior à oferecida pela Ford Ranger e Chevrolet S10.

O grande destaque do conjunto mecânico é o câmbio automático de oito marchas Torqueflite (licença ZF 8HP). As trocas ocorrem de forma praticamente imperceptível, explorando muito bem a faixa útil do motor e contribuindo para uma condução confortável tanto na cidade quanto em rodovias. É, sem dúvida, um dos componentes mais refinados da Dakota.
O consumo também agradou. Em percurso predominantemente rodoviário foi possível registrar média de 12,5 km/l, resultado superior ao homologado no Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular que é de 9,7 km/l na cidade e 10,8 km/l na estrada, e bastante competitivo para uma picape média com tração nas quatro rodas em modo 4×2.

Suspensão privilegia robustez
A Dakota utiliza suspensão independente de braços triangulares sobrepostos na dianteira e eixo rígido com feixe de molas na traseira, solução tradicional entre as picapes médias voltadas também ao transporte de carga.
Um aspecto positivo é que a calibração conseguiu controlar bem um comportamento comum nesse tipo de veículo. Mesmo sem carga, o eixo traseiro não apresenta as tradicionais quicadas em pisos irregulares que costumam incomodar .

Por outro lado, a suspensão trabalha com calibração relativamente firme e ainda transmite parte das irregularidades para a cabine. A sensação é de que existe espaço para um refinamento maior no isolamento entre chassi e carroceria, especialmente na calibração dos coxins de cabine, característica que lembra o comportamento já observado na Fiat Titano.
O conforto está longe de ser ruim. A Dakota filtra relativamente bem as pequenas imperfeições do piso, mas ainda não entrega o mesmo nível de refinamento encontrado nos principais concorrentes como Ford Ranger, Chevrolet S10 e Toyota Hilux.

Direção é o principal ponto a evoluir
Se existe um componente que merece atenção especial da engenharia da Stellantis, é a direção.

Embora utilize assistência elétrica, sua atuação transmite sensação muito semelhante à de um sistema de assistência hidráulica. Falta definição na posição central e existe uma resistência inicial que obriga o motorista a realizar pequenas correções constantes para manter a trajetória em velocidades de rodovia.

Esse comportamento reduz a sensação de precisão ao volante e exige um nível de atenção maior do que o esperado para uma picape moderna. Na cidade, onde predominam velocidades mais baixas, essa característica praticamente desaparece. Em viagens, porém, torna-se evidente e acaba sendo o principal aspecto que distancia a Dakota das melhores representantes do segmento.
Iluminação totalmente em LED
Cabine entrega o esperado de uma Ram
Se a dinâmica ainda revela margem para evolução, basta abrir a porta para perceber que a Ram dedicou atenção especial ao ambiente interno.

O acabamento transmite excelente percepção de qualidade, com materiais agradáveis ao toque, bancos confortáveis e boa posição de dirigir. O isolamento acústico também merece elogios, mantendo baixos níveis de ruído em todos os pisos utilizados.

A versão Warlock oferece um pacote completo de equipamentos, incluindo central multimídia de 12,3 polegadas com Android Auto e Apple CarPlay sem fio, quadro de instrumentos digital de 7 polegadas, carregador de smartphone por indução com refrigeração, sistema de câmeras 540°, bloqueio do diferencial traseiro e um amplo pacote de sistemas de assistência ao motorista.
Nesse aspecto, a Dakota realmente entrega a experiência que se espera de uma Ram.
Espaço e conforto interno são destaques com saída climatizada para a traseira e tecnologia no quadro de instrumentos
Preço exige um produto ainda mais refinado
Com preço de R$ 289.990 na versão Warlock, a Dakota está numa das faixas mais competitivas do mercado brasileiro. Nesse patamar, passa a disputar diretamente consumidores que também avaliam Chevrolet S10 High Country, Ford Ranger XLT, Toyota Hilux SRX Plus, Mitsubishi Triton Katana e Volkswagen Amarok Extreme.

O pacote de equipamentos é amplo, o acabamento interno supera boa parte das concorrentes e o conjunto mecânico mostra bom equilíbrio entre desempenho, consumo e conforto.
Entretanto, quando a análise passa para a dinâmica veicular, ainda existe espaço para evolução. A calibração da direção e parte do refinamento da suspensão não acompanham o elevado nível de acabamento da cabine, criando uma pequena diferença entre a percepção inicial de qualidade e aquilo que o motorista sente ao volante.
Caçamba tem argolas de fixação de carga na parte inferior, tampa possui sistema de mola a gás para facilitar abertura/fechamento, revestimento e capota marítima
Conclusão
A Dakota marca a entrada da Ram no segmento das picapes médias com um produto bem acabado, confortável, bem equipado e mecanicamente competente. No entanto, a dinâmica veicular ainda não acompanha o mesmo nível de refinamento percebido na cabine. Pelo preço de R$ 289.990, espera-se exatamente esse nível de evolução. A Dakota já nasce competitiva, mas ainda não pode ser considerada uma referência na categoria.+
GB
Ficha Técnica – Ram Dakota Warlock 2,2 Turbodiesel
Principais equipamentos de série – Ram Dakota Warlock
