Vou começar a contar sobre a CFMoto CL-C Bobber dizendo que nunca fui muito fã desse estilo de motocicleta, minimalista, simplória e parecendo que foi customizada só até a metade. Experimentar a a Bobber da CFMoto, no entanto, pode ter mudado um pouco a minha forma de ver as coisas. Em uma semana de Bobber, a minha primeira impressão, ao sair da garagem da frota de imprensa, ficou marcada: “a motocicleta é extremamente suave e dócil!”, pensei logo nos primeiros metros rodados. E ela se confirmou assim.

Os primeiros quilômetros foram rodados em piso perfeito, asfalto sem ondulações ou buracos, de forma que a motocicleta, apesar da posição de pilotagem custom, com as pernas à frente, se mostrou extremamente confortável.
Ronco gostoso, aceleração firme, retomada rápida, com boa potência em baixa, e uma dirigibilidade surpreendente. Até o primeiro buraco. A roda da frente passa bem, mas o tranco na roda traseira, com um curso bem limitado de suspensão, é forte. Nada, no entanto, que não estejamos acostumados com a maioria das motocicletas custom.

Circulando por aí, a cada semáforo uma olhada, E às vezes uma pergunta ou um comentário: — Que moto bonita! Que marca é? Qual a cilindrada? Essa última resposta causando surpresa: — Só 450? Parece bem maior!. Realmente a CFMoto CL-C Bobber tem presença marcante, e essa é uma de suas principais virtudes. Há outras.

Durante a avaliação, no entanto, tive o desprazer de topar com alguns trechos de piso com ondulações no asfalto, do tipo “costela de vaca”. Onde uma motocicleta comum passaria sem grandes problemas, a suspensão traseira da Bobber me lembrou uma sessão de litotripsia (procedimento médico que tritura cálculos renais por ondas de choque). Sim, a excessiva firmeza da suspensão (não necessariamente o curso de roda muito pequeno) é a causa disso, parece que o sistema entra em uma desagradável porém momentânea ressonância. A mola traseira tem regulagem de pré-carga, o que minimizaria o problema se fosse possível alterá-la com as ferramentas da moto, mas isso não aconteceu.
Fora isso, a CFMoto CL-C Bobber é tudo maravilha, é uma motocicleta que “cutuca” comprar uma. E o preço é muito bom: R$ 33.900. Eu só trocaria os espelhos nas pontas do guidão por um par de espelhos convencionais, nos punhos (questão de gosto pessoal).

O motor da CFMoto CL-C Bobber é o mesmo que equipa a CFMoto Ibex 450, logicamente com alguns acertos específicos para uma custom. Trata-se de um bicilindro em linha com bielas a 270o, o chamado crossplane, que otimiza os tempos de ignição e confere à motocicleta uma aceleração mais dinâmica. Tem potência de 43,7 cv e torque de 4,3 m·kgf. O câmbio é de seis marchas e a transmissão final é por correia dentada (e não por corrente).

É o mesmo motor, também, da CL-C “normal” (a que não é Bobber), ou melhor, trata-se da mesma motocicleta, com posições diferentes no guidão e nas pedaleiras do piloto, além, é claro, do banco inteiro, para garupa. Aliás, o grande charme da Bobber é aquele enorme para-lama traseiro preto que parece dizer “ninguém sente aí!”. Uma grande motocicleta para uso individual.
GM
