Quando Paulo Manzano apresentou o Wey 07 aos leitores do AUTOentusiastas, por ocasião do lançamento do modelo, ficou evidente a intenção da GWM de ingressar em um território tradicionalmente dominado pelos fabricantes alemães. Não se tratava apenas de oferecer mais equipamentos ou mais potência, mas de construir um automóvel capaz de competir em refinamento, conforto e tecnologia.
Depois de passar uma semana ao volante do Wey 07, posso dizer que a marca chinesa entendeu perfeitamente o desafio.

Durante sete dias, o veículo percorreu 1.403 quilômetros em sucessivas viagens entre Campinas e São Paulo, motivadas pela cobertura da etapa brasileira do FIA WEC, em Interlagos. Poucas situações seriam tão adequadas para revelar a verdadeira personalidade do modelo, afinal, não existe ambiente melhor para avaliar um grande automóvel do que a estrada.
E foi justamente ali que o Wey 07 mostrou a que veio.
Os números impressionam. São 517 cv de potência, 82 m.kgf de torque, tração integral, aceleração de 0 a 100 km/h em apenas 4,9 segundos, até 128 quilômetros de alcance no modo elétrico e um preço de R$ 429 mil. Ainda assim, bastaram alguns quilômetros ao volante para perceber que este não é um veículo concebido para impressionar nos semáforos.
Seu propósito é outro. O Wey 07 foi criado para transformar longas viagens em uma experiência de primeira classe.

O luxo sob uma nova perspectiva
À primeira vista, as dimensões são suficientes para chamar a atenção. São 5,16 metros de comprimento e 3,05 metros de entre-eixos, medidas que colocam o modelo na mesma categoria de veículos tradicionalmente associados às marcas alemãs de prestígio.

A configuração interna adota o arranjo dos bancos em 2+2+2, privilegiando o conforto individual dos ocupantes. A segunda fileira, em especial, revela claramente a filosofia do projeto. Os bancos contam com ajustes elétricos, aquecimento, ventilação e massagem, enquanto o amplo espaço disponível contribui para a sensação de estar viajando em uma cabine executiva.
Interior bem desenhado e confortável
Ao contrário do que acontece em muitos modelos de luxo, a abundância de tecnologia não se transforma em excesso. Os comandos são intuitivos, o ambiente é agradável e a grande quantidade de recursos eletrônicos trabalha em favor do conforto, sem se tornar um elemento de distração.
É interessante notar que a GWM parece ter compreendido algo que muitos fabricantes tradicionais se esqueceram ao longo do tempo: luxo não significa apenas sofisticação técnica, mas também a capacidade de proporcionar tranquilidade aos ocupantes.

Potência em segundo plano
A ficha técnica impressiona. O sistema híbrido plug-in Hi4 combina motores elétricos e um motor a combustão para entregar potência total de 517 cv com 82 m.kgf de torque total, números dignos de um automóvel esportivo.
No entanto, o mais interessante é perceber que toda essa força foi colocada a serviço do refinamento.

As acelerações são vigorosas, mas ocorrem de maneira progressiva. As transições entre os motores são praticamente imperceptíveis, e a atuação do conjunto transmite uma sensação permanente de suavidade. Mesmo quando se exige mais do acelerador, a impressão é a de que o sistema sempre procura privilegiar o conforto.
Talvez esse seja um dos maiores elogios que se possa fazer ao Wey 07.
Em nenhum momento o motorista sente necessidade de demonstrar o potencial do veículo. A potência máxima só é obtida quando selecionado o modo Sport. Nos demais modos há uma limitação de entrega de energia para priorizar o alcance em modo elétrico e o consumo de combustível, quando o modo HEV está em funcionamento.
Com a popularização dos carros híbridos e elétricos vamos voltando a aprender a dirigir com os comandos de câmbio na alavanca do lado direito e no lado esquerdo concentra-se limpador e seta direcional

Uma semana e 1.403 quilômetros
As inúmeras viagens para a cobertura do FIA WEC acabaram proporcionando uma condição de utilização muito mais exigente do que a encontrada no dia a dia. Houve congestionamentos, longos percursos rodoviários, trechos urbanos e horas seguidas ao volante.

Ao final da avaliação, o computador de bordo registrava médias de 26,3 km/l de combustível e 6,45 km/kWh de energia elétrica, números notáveis para um veículo de quase 2,8 toneladas e tração integral. Lembrando que ao final de cada dia a bateria de 44,5 kW.h era recarregada, estando com 100% de carga no início de cada jornada diária.

Mais impressionante do que os resultados, porém, foi a maneira como eles foram obtidos.
A suspensão absorve as irregularidades do asfalto com extrema competência, enquanto o isolamento acústico reduz significativamente a entrada de ruídos provenientes do motor, dos pneus e do vento. A sensação é a de que o veículo se desloca com muito menos esforço do que realmente exige sua massa.

O desafio aos alemães
É inevitável comparar o Wey 07 a modelos como BMW X5, Mercedes-Benz GLE e Volvo XC90. Afinal, o preço de R$ 429 mil o coloca diretamente diante desses concorrentes.
É claro que tradição e prestígio ainda pesam a favor das marcas europeias. Mas também é verdade que a distância diminuiu de maneira significativa.
Iluminação em LED é eficiente e tem desenho retilíneo
O acabamento é esmerado, a qualidade dos materiais impressiona e o nível de equipamentos é extremamente elevado. Ao mesmo tempo, a ampla oferta de tecnologia e a proposta claramente orientada para o conforto fazem do modelo uma alternativa bastante interessante para quem procura algo diferente do padrão estabelecido há décadas pelos fabricantes alemães.

Talvez o maior mérito da GWM seja justamente este: mostrar que a origem de um automóvel já não é suficiente para determinar a qualidade da experiência que ele oferece.
Detalhes do conforto do interior do veículo
Conclusão
Ficou evidente que o Wey 07 é um automóvel de carronalidade muito própria.
Os números sugerem um esportivo. O porte lembra uma limusine. O interior remete a uma sala de estar. Mas a verdadeira vocação do modelo é a estrada.
O banco do passageiro pode ser reclinado a 110 graus para permitir um descanso maior em momentos que o veículo estiver parado; ao selecionar a alavanca para Drive, volta à posição original
Afinal, este não é um veículo concebido para arrancadas em semáforos ou para exibições de desempenho. Ele foi criado para que os quilômetros passem despercebidos e para que o destino seja alcançado com o máximo de conforto possível.
O Wey 07 não pretende impressionar. Ele pretende conquistar.
GB
Ficha técnica GWM Wey 07
Motor
| Tipo | Híbrido de carregamento por fonte externa (Plug-in – PHEV) |
| Motor a combustão | 4 cilindros em linha, turbocarregado, injeção direta, montado na transversal |
| Cilindrada | 1.998 cm³ |
| Potência combinada | 517 cv |
| Torque combinado | 82 m.kgf |
| Tração | Integral (AWD) |
Bateria
| Tipo | Íons de lítio |
| Capacidade | 44,5 kW.h |
| Tensão nominal | n.d. |
Transmissão
| Tipo | Híbrida dedicada |
| Número de marchas | n.d. |
Suspensão
| Dianteira | Independente McPherson com amortecedores pressurizados e barra antirrolagem |
| Traseira | Independente multibraço com amortecedores pressurizados e barra antirrolagem |
Direção
| Tipo | Pinhão e cremalheira eletroassistida |
Freios
| Dianteiros | Discos ventilados |
| Traseiros | Discos ventilados |
Rodas e pneus
| Rodas | 21 x 9J |
| Pneus | 265/45 R21 |
Pesos e capacidades
| Peso em ordem de marcha | 2.720 kg |
| Capacidade do porta-malas | 239 litros |
| Capacidade do tanque | 79 litros |
Dimensões
| Comprimento | 5.156 mm |
| Largura | 1.980 mm |
| Altura | 1.805 mm |
| Entre-eixos | 3.050 mm |
Desempenho
| Aceleração de 0 a 100 km/h | 4,9 s |
| Velocidade máxima | 190 km/h |
Consumo
| Alcance elétrico (Inmetro) | 128 km |
| Consumo obtido no teste AE | 26,3 km/l |
| Eficiência energética obtida no teste AE | 6,45 km/kWh |
Recarga
| Corrente alternada (AC) | n.d. |
| Corrente contínua (DC) | 30% a 80% em 26 minutos |
| Função V2L | Sim |
Garantia
| Veículo | 5 anos, sem limite de quilometragem |
| Bateria | 8 anos |
Preço
| Preço sugerido | R$ 429.000 |
Lista de equipamentos de série
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Fonte: GWM Brasil.
