Certamente nenhuma sala de Imprensa foi assolada por um terremoto, mas essa foi ideia que me veio quando um colega lembrou dos tempos em que as salas eram bem mais acolhedoras que as atuais, além de colocar computadores à disposição dos profissionais que se deslocavam de suas cidades para acompanhar os lançamentos da indústria automobilística. Hoje, as salas são acanhadas, pois não se necessita mais de computadores para os jornalistas escreverem suas matérias. Os profissionais usam seus próprios notebooks, tablets ou até mesmo celulares.
Mas voltando ao terremoto, que aconteceu em março de 2012, durante o lançamento do Gran Siena, em uma vinícola chilena, próxima de Santiago. Os jornalistas convidados dormiam, quando a terra tremeu. Como os brasileiros não estavam? acostumados (e continuam assim) com estes movimentos, todos saíram em desabalada carreira para fora do hotel. E tinham razão para isso, o terremoto foi de 7,2 de magnitude na escala Richter.
Um deles, João Mendes, carioca, acostumado no máximo com ondas mais fortes em Arraial do Cabo, saiu do seu quarto, desceu as escadas ouvindo dos funcionários que não se preocupasse, que estava tudo certo. Ficou surpreso quando viu um colega (“não lembro quem era”) com os olhos arregalados e branco como uma folha de papel A4.
Perguntado sobre o que acontecera, o colega responde?u que, ao invés de usar as escadas, havia descido de elevador, que arranhava nas paredes.
Mas houve quem não teve muita preocupação, apesar da sua cama ter se afastado da parede e parado no ?seu do quarto. Ele conta que ao se ver naquela situação, pensou tratar-se de um pesadelo. Mas, então ouviu um vozerio lá no jardim do hotel e viu que acontecera um terremoto. Mas, por que o Antônio Fraga não se assustou? Porque quando morava na sua terra, Portugal, havia passado por muitos terremotos.
Mesmo com os funcionários do hotel garantindo que nada aconteceria, muitos jornalistas preferiram dormir nos bancos do jardim. No final das contas, tudo acabou bem, sem qualquer arranhão no grupo e o lançamento segui seu ritmo.
300 computadores
Mas voltando à Sala de Imprensa que em “priscas eras” chegava ao ponto de instalar 300 computadores (foto de abertura) para a inauguração de uma fábrica, no Rio Grande do Sul. E 50 deles de língua espanhola, inclusive teclados, para atender os jornalistas da América do Sul convidados para o evento da GM, em Gravataí, RS.
Sobre esse episódio, Davison Villanova Souza, da DY? Jay, conta que estavam finalizando a instalação dos computadores quando faltou energia. E quando alguém da GM perguntou se estava tudo bem, sua resposta foi de que precisava do retorno da luz em uma hora, ou não conseguiria montar todo esquema. E a energia voltou a tempo.
Na Sala de Imprensa da Fiat, no Chile, Davison conta que foram montados 70 computadores, para atender aos jornalista brasileiros e também os de toda a América do Sul. Ele revela que trabalhou para quase toda a indústria automobilística brasileira, inclusive atendendo suas necessidades nos Estados Unidos e Europa, tendo montado pelo menos 400 Salas de Imprensa, quando parou em 2016.
— Os tempos mudaram — diz Davison — não havia mais espaço para aquele tipo de trabalho. Vieram os novos equipamentos, os pendrives, os QR Codes e toda a tecnologia para agilizar, cada vez mais, a informação.? Eles substituíram os computadores, em média de 80 por evento.
Assim como as Salas de Imprensa, os press kits também eram incríveis, com alguns chegando a pesar mais de 1 kg, contando ?as dezenas de fotos, caderneta para anotações. canetas e textos sobre o produto.
Nos salões europeus, como Paris, Frankfurt e Genebra, os press kits eram entregues em pelo menos três idiomas, o que fazia com que o jornalista dispensasse as de outros países, levando apena?s os que continham a sua língua, mesmo quando havia um voucher para remessa de até 20 kg.

E, acreditem, esse material era colocado em capas duras, muito bem elaboradas, que dava até pena de se desfazer delas. Algumas era?m verdadeiras obras de arte.
?Hoje, com apenas um linha do link, ou um QR Code, tudo se resolve, tecnologia que agiliza e facilita o trabalho dos profissionais de Imprensa, embora muitos sintam saudades das belas salas de Imprensa de décadas passadas.
E além dos numerosos computadores, as salas de imprensa tinham vários telefones à disposição dos jornalistas para ligações até internacionais sem limite de tempo — na era pré-WhatsApp.
CL
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