A Acea, a Associação das Fabricantes Europeias de Veículos, emitiu comunicado em que manifesta preocupação com o rumo das negociações entre Comissão Europeia, Conselho e Parlamento para fechar o texto final da lei sobre a revisão da Diretiva de Pesos e Dimensões. Segundo a entidade, o compromisso em elaboração ameaça eliminar barreiras operacionais aos caminhões e ônibus de emissão zero para acelerar a adoção pelo mercado, o objetivo central da norma. A informação é do site Autoindústria.
A revisão foi proposta pela Comissão Europeia em 2023, no âmbito do Pacote de Descarbonização do Transporte de Cargas, como peça-chave para as metas de redução de CO? dos veículos pesados. Para a Acea, o texto em negociação pode produzir o efeito oposto ao pretendido e reforçar, em vez de remover, as desvantagens dos veículos de emissão zero.
Quatro prioridades para o acordo final
A entidade lista quatro exigências às partes negociadoras. A primeira é garantir margens de peso adequadas para os veículos 4×2 de emissão zero, configuração que responde por cerca de 75% do mercado de longa distância. Excluir esses modelos das compensações de peso deixaria um segmento crítico em desvantagem operacional e competitiva.
A segunda é elevar o limite de peso por eixo de tração para além de 11,5 toneladas. Sem esse ajuste, muitos veículos de emissão zero não conseguiriam usufruir das margens adicionais, e os benefícios de limites maiores permaneceriam, na prática, teóricos.
A terceira prioridade é evitar exigências desproporcionais de fiscalização. Para a Acea, condicionar as margens extras de peso ao monitoramento obrigatório a bordo e à transmissão de dados via tacógrafo inteligente apenas para veículos de emissão zero, geraria custos e complexidade adicionais.
Por fim, a associação pede que o prazo de transposição seja limitado a no máximo 18 meses, dada a proximidade das metas de CO? de 2030.
Setor condiciona apoio ao acordo
O comunicado encerra com um alerta de que a Europa não pode fixar as metas de CO? mais ambiciosas do mundo para veículos pesados e, ao mesmo tempo, manter barreiras regulatórias que comprometem a competitividade dos veículos necessários para cumpri-las. Nessas condições, a indústria não apoiaria o acordo final como uma melhoria crível das condições para o transporte rodoviário de emissão zero.
AN
