(Atualizada em 3/11/26 às 11h50)
A Renault apresentou ontem, dia 2 de novembro, a sua nova picape intermediária, a Niagara, produzida em Santa Isabel, em Córdoba, na Argentina. Com quase cinco metros de comprimento, carroceria monobloco e cabine dupla, o novo modelo entra no segmento em que o Fiat Toro se tornou referência. É um passo além da Oroch, que foi descontinuada, em porte, equipamentos e proposta de produto.

Esta é uma apresentação preliminar pois ainda não foram divulgadas todas as informações técnicas e comerciais. A divulgação ocorrerá em etapas. A Renault programou o lançamento para 10 de novembro, com uma transmissão ao vivo às 9h00 e embargo das informações dessa etapa até as 14h30. As impressões ao dirigir poderão ser publicadas a partir das 9h00 de 23 de novembro. Por enquanto, vamos conhecer o que o nos foi mostrado.
O nome já havia aparecido no conceito apresentado em 2023. Segundo Sylvia dos Santos, responsável pela estratégia de nomes da Renault, Niagara tem origem indígena norte-americana e remete ao som estrondoso das águas e à imensidão da terra. A intenção é associar a picape à força da natureza, à resistência e às viagens para além do ambiente urbano.

A Niagara utiliza a arquitetura RGMP, a mesma família que dá origem ao Kardian e ao Boreal. Sua proximidade técnica e construtiva, porém, é maior com o Boreal, a partir de uma base com distância entre eixos e comprimento aumentados para a aplicação na picape. O compartilhamento inclui conjuntos ópticos, capô, para-lamas dianteiros e portas dianteiras. O interior também é praticamente o mesmo do Boreal, preservando o desenho e a organização dos comandos. O que é muito bom.
A arquitetura permite configurações com tração dianteira ou nas quatro rodas, além de câmbios manual e automático. Haverá uma versão Outsider 4×4, mas ela não é objeto desta primeira apresentação. A ficha técnica recebida detalha as versões Evolution e Iconic, ambas automáticas com tração dianteira. São essas versões que servem de base para os números apresentados nesta matéria.

O comprimento é de 4.912 mm e a distância entre eixos, 2.956 mm. A largura é de 1.833 mm sem os espelhos e de 2.082 mm com eles. Nas duas versões 4×2, a altura é de 1.710 mm e a distância livre do solo, de 223 mm. Para a Outsider 4×4, essa altura aumenta para 233 mm de vão livre. Ambas excelentes para a proposta.
O desenho combina frente alta, grade do radiador ampla e iluminação inteiramente por LEDs. O emblema da Renault recebe uma interpretação pixelada, enquanto os alargadores dos para-lamas, as proteções inferiores e o “santantônio” dão à carroceria os elementos esperados numa picape dessa categoria. Na traseira, o nome aparece em letras individuais. Há um degrau integrado ao para-choque para facilitar o acesso à caçamba, além de barras de teto funcionais e abertura elétrica da tampa traseira, amortecida por molas a gás, entre os recursos apresentados.

A cabine recebeu atenção especial. A Renault destaca revestimentos macios nas portas, ajuste elétrico para o banco do motorista e descansa-braço central. Atrás, o encosto tem inclinação de 25 graus e a fabricante informa 20 cm de espaço para os joelhos, conforme sua medição. Os passageiros dispõem de saídas de ar-condicionado, duas tomadas USB-C, descansa-braço escamoteável e engates Isofix para dois bancos infabtis. Um compartimento de 36 litros atrás do banco traseiro permite guardar objetos dentro da cabine. Ocupa uma pequena porção da caçamba mas é muito bem-vindo.
O motor é o TCe 1,3-litro flex, turbocarregado, de quatro cilindros, 16 válvulas e injeção direta, instalação transversal. A cilindrada exata é de 1.333 cm³ e a taxa de compressão, 10,5:1. Com gasolina, são 156 cv a 5.250 rpm; com álcool, 160 cv a 5.500 rpm. O torque máximo é de 27,5 m·kgf com ambos os combustíveis, disponível a 2.000 rpm com gasolina e a 1.750 rpm com álcool.

O câmbio é o conhecido EDC de dupla embreagem em banho de óleo, com seis marchas e funcionamento automático. Também permite trocas manuais pelas borboletas atrás do volante. É uma escolha diferente do automático epicíclico com conversor de torque utilizado por vários concorrentes. A maneira como esse conjunto trabalha nas saídas, nas manobras e nas retomadas será examinada na avaliação ao volante.
A Renault também sinalizou a possibilidade de uma versão híbrida da Niagara, mas ainda sem especificar o tipo de hibridização ou os detalhes desse conjunto motriz.
Segundo a Renault, a Niagara 4×2 acelera de 0 a 100 km/h em 10,3 segundos com gasolina e em 9,9 segundos com álcool. A velocidade máxima é limitada eletronicamente a 180 km/h. Os números de consumo, identificados como PBEV/Inmetro, são de 11,0 km/l na cidade e 12,8 km/l na estrada com gasolina; com álcool, 7,5 e 8,8 km/l, respectivamente. Ao menos no ciclo de testes do Inmetro são melhores do que a rival Toro hibridizada em dados apresentados pela Renault.

A suspensão é independente nas quatro rodas, McPherson na dianteira e na traseira, com molas helicoidais e amortecedores hidráulicos. É um dos aspectos técnicos mais relevantes do projeto, especialmente pelo compromisso que uma picape precisa estabelecer entre rodar vazia, transportar passageiros e receber carga. A suspensão independente atrás se faz necessária para acomodar a tração traseira. Os freios são a disco ventilado nas quatro rodas, a direção tem assistência elétrica e os pneus das versões Evolution e Iconic são 225/55 R18. Na Outsider 4×4 que estava exposta os pneus mantiveram as medidas mas eram todo-terreno. Gostei.

A caçamba comporta 938 litros. A carga útil — passageiros mais carga — é de 654 kg na Evolution automática e 601 kg na Iconic automática. Os modelos Iconic e Outsider têm uma prática capota marítima rígida e retrátil na caçamba. A capacidade de reboque informada é de 710 kg.

No painel, o quadro de instrumentos e a central multimídia são de 10 polegadas. Na Evolution o quadro de instrumentos é menor e simplificado. O sistema multimídia openR link tem Google integrado e permite comandos por conversação natural para algumas funções do veículo. Entre os demais recursos mostrados estão o carregador de telefone celular por indução, espelhos com rebatimento elétrico e iluminação ambiente com 48 cores. A distribuição dos equipamentos por versão ainda não foi apresentada integralmente.
A Renault anuncia até 26 funções de assistência ao motorista. Há controle de velocidade em descidas e um seletor rotativo para os modos de condução. O quadro apresentado pelo fabricante mostra diferenças que vão além da quantidade de modos disponíveis:
| Versão | Modos de condução |
|---|---|
| Evolution 4×2 | “Eco”, “Normal/Comfort”, “Snow” e “Terrain” |
| Iconic 4×2 | “Eco”, “Normal/Comfort”, “Sport”, “Smart”, “Perso” e “Terrain” |
| Outsider 4×4 | “Eco”, “Normal/Comfort”, “Sport”, “Smart”, “Mud” e “Off Road Lock” |
A Evolution reúne os modos “Eco” (econômico), “Normal/Comfort” (normal/conforto), “Snow” (neve) e “Terrain” (terreno). A Iconic acrescenta as opções “Sport” (esportiva), “Smart” (inteligente) e “Perso” (personalizada), mantendo o modo “Terrain”, mas sem o modo “Snow” indicado para a Evolution. “Normal/Comfort” corresponde a um único modo no quadro da apresentação. Este não detalhou quais parâmetros são alterados em cada seleção.
Na Outsider, chamam atenção os modos “Mud”, para lama, e “Off Road Lock”, associado ao bloqueio do sistema de tração nas quatro rodas. A presença dessa função sugere uma tração integral sob demanda, com possibilidade de manter o acoplamento entre os eixos em determinadas condições fora de estrada.

Pelo que foi apresentado, a Niagara me parece um conjunto moderno, eficiente e acertado para a proposta. Mas os dados técnicos são apenas o ponto de partida. Minha avaliação final depende do test-drive e, principalmente, de uma avaliação completa aqui no AUTOentusiastas, com tempo para conhecer seu comportamento em diferentes condições de uso. As primeiras impressões ao dirigir poderão ser publicadas em 23 de novembro.
PM
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