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DO TRICICLO, PELO “TEMPO MATADOR”, ATÉ VANS MODERNOS: A HISTÓRIA DA TEMPO

UMA EMPRESA QUE ATRAVESSOU DÉCADAS INOVANDO COM SEUS PRODUTOS MANTIVERAM SEU LEGADO MESMO QUANDO A EMPRESA MUDOU DE DONO

Alexander Gromow por Alexander Gromow
15/09/2025
em AG, Falando de Fusca & Afins, Outros
Fotocomposição do Autor

Fotocomposição do Autor







Em junho de 2023 eu apresentei uma matéria sobre o Tempo Matador um veículo incrível, e agora eu apresento toda a trajetória da Vidal & Sohn Tempo-Werke GmbH (Vidal e Filho Fábrica Tempo Ltda).

“Tempo” foi a marca escolhida para evocar rapidez/ritmo (de entrega de mercadorias) — em linha com a linguagem publicitária dos “Eilwagen” (veículos “expressos/rápidos”) dos anos 1920/30.

A empresa Vidal & Sohn foi fundada na cidade de Hamburgo, Alemanha, em 1883, com o objetivo de prestar serviços de combate a incêndios nas áreas portuárias, voltados para a indústria de importação de carvão. Em 1927, com a economia alemã esmagada pelo peso das reparações do Tratado de Versalhes, o setor de importação de carvão entrou em recessão, e a Vidal & Sohn passou a enfrentar um futuro incerto.

A Alemanha foi oficialmente responsabilizada pela Primeira Guerra Mundial e por isso depois da guerra o Tratado de Versalhes impôs à Alemanha pesadas reparações financeiras e restrições econômicas. Isso gerou uma crise prolongada, com inflação, queda na produção industrial e retração do comércio. Em 1927, empresas como a Vidal & Sohn, que atuavam no setor de serviços ligados à importação de carvão, foram diretamente afetadas pela recessão. A demanda caiu, os custos aumentaram, e muitas companhias precisaram buscar novos mercados.

Buscando uma nova oportunidade, Max Vidal e seu filho, Oskar, decidiram entrar na indústria automobilística. Eles enxergaram uma chance de desenvolver um veículo comercial simples, inspirado no popular Blitzkarren (veículos relâmpago) de 1920, da Goliath.

O resultado foi o Tempo T1, um triciclo de entregas movido por um motor de 198 cm³, monocilíndrico e de dois tempos. Também produziram uma versão maior, o Tempo T2, equipado com um motor de 400 cm³.

O primeiro triciclo da Vidal & Söhne o Tempo T1 (Foto: site tempohanseat.blogspot.com)

Os modelos T1 e T2 eram cópias baratas e mal construídas de triciclos de entrega contemporâneos, produzidos por diversas outras empresas, como Goliath, Phänomen e Rollfix. No entanto, eram tão mal projetados que suas constantes quebras obrigaram a Tempo a contratar um mecânico móvel em tempo integral, apenas para mantê-los funcionando nas ruas.

Um começo tão pouco promissor poderia ter sido fatal para uma nova empresa automobilística, mas após essa fase inicial difícil, a Tempo recebeu uma verdadeira tábua de salvação quando sua principal concorrente, a Rollfix, faliu durante o colapso da Bolsa de Valores de 1929. O principal projetista da Rollfix, Otto Daus, migrou para a Tempo e imediatamente aplicou sua expertise técnica para resolver os problemas dos modelos Tempo T1 e T2.

O resultado foi o Tempo T6, que embora superficialmente semelhante aos seus antecessores, era na verdade um veículo completamente redesenhado. Equipado com um confiável motor JLO de 198 cm³, dois tempos, o T6 teve um desempenho comercial excelente, foram vendidas mais de 3.500 unidades, o que levou a Tempo a se mudar para instalações maiores em Hamburgo.

Vídeo (00:17) do Tempo T10 restaurado de propriedade do “Tempo Christian”:

 

A Tempo também produziu uma versão com motor de 350 cm³, chamada T10, mas como esse tipo de motorização exigia que os usuários tivessem carteira de motorista e pagassem imposto rodoviário, o modelo teve baixa aceitação no mercado. Foram construídas menos de 1.000 unidades.

O Pony (Pônei)

Na foto duas versãos do Pony, com caçamba aberta (esquerda) e com baú fechado. Detalhe para o grande guidão

A primeira série de triciclos de entrega da Tempo era guiada por um volante, que girava a roda dianteira por meio de uma corrente e um conjunto de alavancas articuladas. Na tentativa de simplificar o sistema, o novo modelo Pony, lançado em 1932, abandonou o volante e adotou um pinhão na base da plataforma de carga. O motoristar controlava o triciclo por meio de um guidão montado na parte traseira da plataforma. Para dirigir, bastava apontar a plataforma na direção desejada.

Essa simplificação no projeto permitiu à Tempo reduzir drasticamente o preço do novo Pony para apenas 675 Reichsmark (RM). Embora fosse o veículo mais barato disponível nas ruas na época, o Pony não agradou ao público, e apenas cerca de 500 unidades foram vendidas.

Caminhonetes Triciclo

Em 1933, a principal concorrente da Tempo, a Goliath, lançou seu novo triciclo comercial, o Goliath F400, com cabine totalmente fechada e diversas opções de carroceria. Foi uma melhoria significativa em relação aos triciclos de entrega da época, que, na prática, eram pouco mais que motocicletas com uma plataforma montada na frente.

Um Goliath F400 do acervo do Museu Autostadt da VAG  (Foto: Klaus Nahr)

A Tempo respondeu imediatamente com sua própria versão, o Tempo Front 6. Enquanto o Goliath utilizava um motor montado sob o assento, que acionava as rodas traseiras por meio de uma árvore de transmissão convencional, o Tempo Front adotava uma transmissão por corrente simples.

Um Tempo Front 6

Como o modelo da Tempo tinha tração dianteira, foi necessário montar o motor sobre o eixo dianteiro, permitindo que ele girasse junto com a roda ao fazer curvas. Com isso, o compartimento da corrente passou a funcionar como elemento estrutural do veículo, tornando-se uma característica marcante dos triciclos Tempo.

Um Hanseat sem capô, exibindo sua exclusiva caixa de corrente de tração dianteira. Apesar do motor minúsculo, os triciclos Tempo eram capazes de transportar muito peso — ainda que lentamente

Assim como outros veículos do mesmo tipo, a cabine do Tempo Front era construída com estrutura de madeira, painéis de compensado e revestida com courvin para garantir impermeabilidade. Os novos modelos Front receberam as designações D200, com motor JLO de 200 cm³, e D400, com motor de 400 cm³.

A fábrica da Tempo oferecia uma ampla variedade de carrocerias personalizadas, que iam desde uma plataforma simples, passando por furgões de laterais altas, furgões refrigerados, e até uma versão sedã para transporte de passageiros.

Os Tempo nem sempre foram vendidos como veículos comerciais. Alguns foram vendidos como automóveis de passageiros, como este “Kombiwagen” de três portas
Capa da brochura de 4 páginas do “Tempo Wagen”

Tradução

O Tempo Wagen
Como veículo combinado para passageiros e entregas

TYP E 200

– Capacidade de carga: 600 kg
– Dispensa carteira de motorista
– Isento de imposto rodoviário

TYP E 400

– Capacidade de carga: 750 kg
– Imposto anual: 34 Reichsmark

TYP E 600

– Capacidade de carga: 1000 kg
– O econômico “uma-tonelada”

[Fim da tradução]

Alternativa com quatro rodas

Ao mesmo tempo, a Tempo lançou o V 600, o primeiro veículo de quatro rodas da empresa. O V 600 era equipado com um motor JLO de dois tempos, com 598 cm³ de cilindrada, capaz de gerar 18 cv e transportar até 1000 kg de carga.

O modelo possuía tração dianteira e utilizava eixos oscilantes independentes, uma solução técnica avançada para a época.

O texto desta propaganda diz: “O Tempo V600 de uma tonelada é econômico”
Um caminhão V 600, no caso dos Pneus Fênix

Todos esses veículos tiveram boa aceitação no mercado, mas a demanda pelo D 400, o produto mais vendido da Tempo, superou a capacidade de produção da fábrica. Como resultado, a Vidal & Sohn vendeu sua unidade em Wansbeck e adquiriu a fábrica da Goliath, com 60.000 m², localizada em Harburg-Bostelbeck. Em 1935, a Tempo celebrou a produção de seu veículo número 10.000.

A confiabilidade dos veículos da Tempo foi comprovada de forma definitiva em 5 de novembro de 1934, quando três modelos Tempo D 200 participaram de uma prova de velocidade e resistência de 1000 quilômetros no circuito de corridas AVUS, em Berlim. Embora não tenham estabelecido recordes de velocidade, os veículos demonstraram com sucesso suas conhecidas qualidades de durabilidade e economia, completando o percurso de 1000 km em 18 horas, 44 minutos e 48 segundos, com uma velocidade média de 53,3 km/h. O consumo médio de combustível foi de 14,9 km/l.

Em 1936, a Tempo lançou a linha de triciclos “E”, composta por veículos substancialmente mais robustos que seus antecessores. Essa nova geração passou a contar com carroceria em aço e cabine totalmente fechada em estrutura metálica, oferecendo maior durabilidade e proteção.

As cilindradas dos motores permaneceram as mesmas, mas as vendas dispararam, obrigando a Vidal & Sohn a expandir novamente sua nova fábrica. Com mais de 14.000 unidades vendidas por ano, a Tempo finalmente ultrapassou sua rival Goliath no mercado de “Kleinlaster” — pequenos caminhões utilitários.

Capa de folheto da Tempo de 1939 mostrando desenhos de todos os seus produtos

Em 1938, o governo alemão passou a regular a indústria automobilística, impondo restrições sobre quais empresas poderiam produzir determinados tipos de veículos. A Tempo e a Goliath receberam autorização para formar um duopólio no mercado de triciclos comerciais, garantindo exclusividade nesse segmento.

No entanto, a Tempo foi proibida de continuar fabricando o caminhão de quatro rodas V 600, interrompendo sua expansão nesse nicho.

Tempo SUV G1200

Em 1936, a Tempo-Werke respondeu a um contrato da Landwehr (força de defesa territorial alemã) para o desenvolvimento de um veículo utilitário militar leve com tração nas quatro rodas. O projeto de Otto Daus era notavelmente não convencional. A sigla “SUV” provavelmente era uma sigla interna da Vidal & Sohn GmbH e não tem ligação com o significado atual desta sigla.

O veículo era equipado com dois motores JLO de dois tempos, cada um com 600 cm³ — um instalado na frente e outro na traseira — e cada motor acionava independentemente os eixos dianteiro e traseiro, ambos com suspensão independente. Cada motor possuía sua própria caixa de câmbio, permitindo operação conjunta em modo 4×4, ou separadamente em tração dianteira ou traseira.

Veículo todo terreno da Tempo. Detalhe para as rodas centrais que giravam livremente em situações limite impedindo que o veículo ficasse preso no barranco – uma solução usada por muitos veículos militares da época

O carro tinha grande altura livre do solo, direção nas quatro rodas, e graças à carroceria flutuante sobre a suspensão independente, era capaz de atravessar terrenos extremamente acidentados com conforto. A velocidade máxima era de 70 km/h, e o consumo de combustível era razoável: 8,3 km/l, podendo ser reduzido ainda mais ao operar com apenas um dos motores.

No entanto, o exército alemão tinha preconceito contra motores de dois tempos e rejeitou o veículo, o que levou a Tempo a buscar contratos de exportação. Foram vendidas 1.335 unidades do G1200 para diversos países, incluindo Suécia — que fez o maior pedido individual, com 400 veículos — além de Finlândia, Letônia, Dinamarca, Romênia, Hungria, Brasil, Argentina, México e até Tailândia.

Apesar do desdém oficial, o exército alemão acabou utilizando diversos G1200 apreendidos em funções secundárias durante a guerra.

Um carro de comando G1200 modificado

Detalhe para as entradas de ar na parte traseira da carroceria. Para resfriar o motor traseiro, foi instalado um radiador lateral com ventilação forçada.

Pós-Guerra

Durante a guerra, a Tempo continuou fabricando seus triciclos utilitários, amplamente utilizados por serviços de emergência como a Cruz Vermelha alemã. À medida que o conflito avançava, as fábricas da Tempo foram cada vez mais direcionadas para a produção bélica, o que resultou em graves danos causados pelos bombardeios aliados.

Curiosamente, a destruição de Hamburgo acabou contribuindo para a sobrevivência da Tempo, já que, embora os planos dos Aliados para o pós-guerra incluíssem a desmobilização total da indústria alemã, o transporte era essencial para limpar os escombros e reconstruir o país.

A Força de Ocupação Britânica autorizou a Vidal & Sohn a reabrir sua fábrica, com o objetivo de prestar serviços e realizar reparos. Nos dois anos seguintes, a Tempowerke sobreviveu modestamente, consertando veículos danificados e devolvendo-os às ruas.

Embora não tivesse licença oficial para fabricar veículos motorizados, em 1947 a empresa conseguiu reunir recursos suficientes para produzir 100 triciclos, que foram exportados em um trem especialmente fretado para a Holanda, em troca por alimentos.

Em 1948, os Aliados Ocidentais implementaram uma reforma monetária e lançaram o Plano Marshall, dando início ao chamado “milagre econômico” alemão. Os triciclos baratos e resistentes da Tempo se encaixaram perfeitamente nesse novo cenário, e até o final do ano, 3.500 unidades saíram da linha de produção. No ano seguinte, esse número saltou para 10.000 veículos.

A fábrica da Tempo em Harburg já empregava 2.000 pessoas e contava com três galpões de montagem.

Vista parcial da fábrica da Tempo em Hamburgo

Em 1950, o antigo modelo A400 foi atualizado e modernizado, passando a se chamar Hanseat, enquanto o A200 foi rebatizado como Boy. O modelo de quatro rodas V 600 teve um breve retorno, mas logo foi substituído por uma nova linha de veículos comerciais leves.

O Matador

O projetista-chefe da Tempo, Otto Daus, aposentou-se em 1948 e foi sucedido por Dietrich Bergst, que já trabalhava na empresa desde 1930. Bergst iniciou imediatamente um processo de modernização da linha de veículos da Tempo.

O resultado foi o lançamento do “Tempo Matador”, em 1949. Em muitos aspectos, o Matador era bastante diferente de seus antecessores. Ele apresentava uma cabine avançada, posicionada à frente do veículo, e era equipado com um motor boxer Volkswagen de quatro cilindros, com 1131 cm³, montado sob o assento e que acionava as rodas dianteiras por meio de uma caixa de câmbio Volkswagen (depois substituído por um transeixo ZF).

Apesar das inovações, o Matador ainda mantinha o chassi tubular e os eixos oscilantes herdados do Hanseat, além de conservar o assoalho de madeira na cabine e os acabamentos simples e espartanos.

Chassi do Tempo Matador que foi herdado do Hanseat, mostrando o motor VW instalado na dianteira

Os cem primeiros Matador foram veículos de pré-produção, utilizados como protótipos de teste. A Tempo fechou um contrato com uma empresa de transporte, com o objetivo de submetê-los a uso intensivo em condições reais.

Esses veículos foram literalmente levados ao limite — todos foram destruídos durante os testes, e nenhum exemplar sobreviveu. A partir dessa experiência extrema, uma ampla gama de melhorias foi incorporada ao modelo de produção final.

Capa de catálogo do Tempo Matador

Os veículos de quatro rodas da Tempo tinham um estilo antropomórfico único. O primeiro Matador foi apelidado de “Bulldog” por motivos óbvios.

O Matador revelou-se um sucesso notável, e entre 1950 e 1952, foram vendidas mais de 13.000 unidades. No entanto, em 1952, a Volkswagen complicou a situação ao interromper o fornecimento de motores, o que levou à suspensão da produção enquanto se buscava um substituto.

A JLO, que fornecia motores de dois tempos à Tempo desde 1929, foi contratada para desenvolver um novo motor três cilindros, dois tempos para o modelo revisado Matador 1000. Infelizmente, o motor da JLO se mostrou um fracasso, com baixa potência e qualidade insatisfatória.

A Tempo então saiu em busca de outro fornecedor. A DKW recusou, pois não queria fortalecer um concorrente direto para seu modelo Schnellaster. A solução veio com a Heinkel GmbH, mais conhecida por seus motores quatro tempos eficientes, usados em scooters e microcarros. A Heinkel havia recentemente obtido os direitos de fabricação licenciada dos motores dois tempos da SAAB.

Em meados de 1952, a Tempo recolheu os primeiros Matador 1000 equipados com motor JLO e os reequipou com o motor Heinkel, um motor de três cilindros de 672 cm³, dois tempos.

Os Matadores com motor Heinkel podem ser facilmente reconhecidos pelos faróis reposicionados para baixo

Infelizmente para a Tempo, os motores da Heinkel não se mostraram muito melhores que os da JLO, e as vendas do Matador 1000 rapidamente caíram para menos de mil unidades por ano.

Em setembro de 1952, a Tempo lançou o Tempo 1400, equipado com um motor Heinkel de quatro cilindros, quatro tempos, com 1092 cm³ de cilindrada. O Tempo 1400 foi promovido como um veículo de trabalho pesado, com chassi e suspensão reforçados, além de carroceria e acabamentos personalizados conforme as exigências do cliente.

Embora o motor Heinkel de quatro tempos fosse razoavelmente bom, a reputação do Matador já estava irremediavelmente comprometida, e as vendas continuaram a cair. Ao todo, foram produzidas cerca de 5.500 unidades ao longo de três anos.

O Viking

O estilo antropomórfico excêntrico e distinto da Tempo atingiu o seu auge com a grelha do radiador com “lábios de peixe” do Viking

Enquanto a Tempo insistia com o Matador de desempenho limitado, a empresa também tentou trabalhar dentro das limitações do motor Heinkel. Em 1955, lançou o Viking (ou Wiking, em alemão), um veículo compacto e econômico de quatro rodas, equipado com um motor dois tempos de dois cilindros e 460 cm³ da Heinkel, que apresentava desempenho significativamente superior ao motor de três cilindros usado anteriormente.

O Viking teve sucesso relativo, com cerca de 16.000 unidades vendidas entre 1955 e 1963, ajudando a recuperar parte do mercado perdido pela Tempo. No entanto, a empresa já enfrentava dificuldades financeiras.

Um contrato para produzir Land Rovers sob licença das forças de ocupação britânicas foi firmado, mas menos de 300 unidades foram construídas.

Participação da Hanomag na Tempo

Para manter a empresa em funcionamento, Oskar Vidal vendeu 50% da participação da Tempo para o Grupo Hanomag. O investimento da Hanomag permitiu à Tempo modernizar sua linha de veículos, e tanto o Matador quanto o Viking passaram por um reestilização.

Curiosamente, a Tempo continuou produzindo os modelos antigos em paralelo com os novos, o que gerou confusão no mercado. Além disso, todos os veículos ainda eram equipados com os problemáticos motores da Heinkel.

A diferença do “Wiking” para o “Matador” de 1958

Ambos eram idênticos quanto à forma, mas diferentes quanto ao conteúdo, as placas de identificação do respectivo modelo eram diferentes, mas escritos com o mesmo tipo de letra.

A arte do marketing fez com que o Viking e o Matador parecessem modernos, elegantes e esbeltos. Infelizmente, nenhum deles era particularmente rápido quando equipado com um motor Heinkel, ambos com velocidade máxima de catálogo de 80 km/h.

Capa do catálogo dos modelos Wiking e Matador

Na segunda página vinha a descrição resumida dos modelos:

Desenho do Matador com as grelhas de ar na lateral ao lado da porta para o arrefecimento do motor 4 tempos

Tradução:

A fábrica Tempo produz há mais de 25 anos veículos comerciais segundo o princípio:
“Baixo custo de manutenção — grande espaço útil — a carroceria certa para cada ramo!”

Os consagrados modelos WIKING e MATADOR, em nova e mais elegante forma, unem esse princípio ao conforto de rodagem de um automóvel de passageiros.

O WIKING (carga útil de 0,85 t) recebe do robusto motor Heinkel de dois tempos grande e incansável potência (452 cm³, 17cv à 4.000 rpm). O MATADOR (carga útil de 1,3 t) é movido pelo potente motor Heinkel de quatro tempos (1.093 cm³, 34 cv à 3600 rpm).

O câmbio dianteiro, uma construção totalmente nova, torna para você as trocas das marchas fáceis e cômodas graças às transmissões de funcionamento leve. WIKING e MATADOR possuem tração dianteira; isso significa força transmitida e dirigida ao mesmo tempo, mesmo em curvas molhadas pela chuva.

Em tempo frio, o aquecimento — com o qual ambos os modelos vêm equipados de série — garante um calor aconchegante na cabine do motorista.

Os WIKING e MATADOR na versão camioneta (Kombi da Tempo) oferecem dupla utilidade: no dia a dia são veículos comerciais de pleno valor; aos domingos e nas férias, tornam-se práticos automóveis de grande capacidade para passageiros.

As amplas janelas proporcionam visibilidade livre para todos os lados. Janelas laterais basculantes permitem uma ventilação sem correntes de ar no compartimento de passageiros.

E para as viagens de camping não existem mais limitações de bagagem.
[Fim da Tradução]

Folha 3
Folha 4 – estes veículos eram oferecidos customizados para variadas aplicações

Microcarros

A Tempo experimentou com microcarros no início da década de 1950. Protótipos de sedãs de três e quatro rodas foram apresentados em 1954, mas a empresa não dispunha nem do capital nem da capacidade para levá-los à produção.

Microcarro Tempo

Equipado com um motor Heinkel de 400 cm³, o microcarro Tempo não era nem melhor nem pior que seus contemporâneos, como o Champion 400 e o Maico 400 (com os quais compartilhava um motor). Mas com o Hanseat, o Boy, duas versões do Matador e duas versões do Viking em produção simultânea, não havia como a empresa lançar uma nova linha de veículos.

Em 1956, a Tempo ajudou a Heinkel, fabricando as carrocerias do seu novo microcarro Heinkel Kabine. Milhares de unidades foram construídas antes que a Heinkel terceirizasse a construção para a Irlanda.

Carrocerias fornecidas para a Heinkel

O “Schwimmwagen” da Tempo

Embora Otto Daus tivesse se aposentado oficialmente, em 1956 ele voltou a trabalhar com a Tempo em um pequeno número de protótipos de veículos anfíbios para o exército. Eram tão pouco convencionais quanto o G1200 anterior, mas não havia mercado para essas máquinas estranhas.

O exclusivo Schwimmwagen de três rodas da Tempo foi outro fracasso junto ao exército alemão
Um único protótipo sobreviveu

Fim da era do triciclo Hanseat na Tempo

Em 1956, após uma produção de quase 30 anos, a Tempo interrompeu a fabricação do triciclo Hanseat. Os projetos e ferramentas foram vendidos para a empresa indiana Bajaj-Tempo, que continuou fabricando o Hanseat praticamente inalterado até 2000. A principal mudança da Bajaj foi substituir o motor de dois tempos por um motor diesel monocilíndrico Lombardini em 1978.

Uma visão outrora comum na Índia rural: um táxi Bajaj-Tempo superlotado. Posteriormente, eles foram banidos das estradas

Outras licenças da Tempo pelo mundo

  • Reino Unido — Jensen Motors (1958–63): produção sob licença do Tempo Matador com mecânica BMC 1.5 (Jensen Tempo 1500/Jensen Front Wheel Drive). Lançado no mercado britânico em set/1958.
  • Espanha — Tempo Onieva — Barreiros (1961–67): joint venture Tempo Onieva, S.A. (com Barreiros e Hanomag) fabricando Rapid/Matador/Viking com motores Barreiros C-14; em 1964–67 a operação passa a Tempo Ibérica e é absorvida pela Barreiros.
  • Uruguai — Germania Motors (início dos anos 1960): montagem local dos Matador/Mayor e Viking; anúncios e registros uruguaios indicam produção/CKD pela Germania Motors S.A. em Montevidéu.

O novo matador

O catálogo do Tempo Matador com motor Austin

Então, em 1957, veio a virada do jogo. A Tempo fechou um contrato com a empresa inglesa Austin para seus motores de quatro cilindros e quatro tempos de 1497 cc. As vendas do novo Matador começaram a subir novamente. Novos mercados de exportação foram conquistados. No Reino Unido, o Matador foi vendido por meio de uma joint venture com a Jensen como Jensen-Tempo.

Catálogo do Jensen Tempo vendido no Reino Unido

O novo Viking Rapid também recebeu o motor Austin atualizado. 21.000 unidades foram produzidas até 1963.

Catálogo do Viking com motor Austin

Em 1963, o Matador foi modernizado novamente, tornando-se o “Matador E”. O estilo era bastante semelhante ao do van Barkas, da Alemanha Oriental. O Matador E podia vir com um motor a diesel Hanomag opcional. Cerca de 70.000 unidades de todas as variantes foram vendidas até o fim da produção em 1966.

Um “Matador E” e um Hanomag Courier. Os modelos seriam fundidos para formar o Hanomag-Henschel

Venda para a Mercedes-Benz

A venda da Hanomag para a Daimler-Benz em 1969 abriu caminho para um novo fornecimento de motores, e o motor Austin foi descontinuado em favor dos motores Mercedes-Benz. A partir de 1967, os vans da Tempo passaram a ser vendidos sob uma variedade impressionante de marcas, incluindo Hanomag, Hanomag-Henschel, Rheinstahl-Hanomag e Mercedes-Benz. Em 1977, a Mercedes-Benz liquidou todas as marcas subsidiárias e as adquiriu sob a bandeira Mercedes-Benz.

Já com a estrela da Mercedes Benz

AG

Para esta matéria foi feita pesquisa no site tempohanseat.blogspot.com com o trabalho de Paul Markham, as fotos vêm deste blog a não ser que indicadas diferentemente.
NOTA: Nossos leitores são convidados a dar o seu parecer, fazer suas perguntas, sugerir material e, eventualmente, correções, etc. que poderão ser incluídos em eventual revisão deste trabalho.
Em alguns casos material pesquisado na internet, portanto geralmente de domínio público, é utilizado neste trabalho com fins históricos/didáticos em conformidade com o espírito de preservação histórica que norteia este trabalho. No entanto, caso alguém se apresente como proprietário do material, independentemente de ter sido citado nos créditos ou não, e, mesmo tendo colocado à disposição num meio público, queira que créditos específicos sejam dados ou até mesmo que tal material seja retirado, solicitamos entrar em contato pelo e-mail alexander.gromow@autoentusiastas.com.br para que sejam tomadas as providências cabíveis. Não há nenhum intuito de infringir direitos ou auferir quaisquer lucros com este trabalho que não seja a função de registro histórico e sua divulgação aos interessados.
A coluna “Falando de Fusca & Afins” é de exclusiva responsabilidade do seu autor.

 







Tags: Alexander GromowFalando de Fusca & AfinsTempo Wagen
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