Abaixo reproduzo uma postagem minha no LinkedIn. Normalmente, as postagens que faço lá ficam apenas por lá, porque o propósito e a audiência são diferentes. E nem tudo o que escrevo lá é sobre carros ou autoentusiasmo. Mas esta, em particular, achei que cabe aqui e até gostaria de saber a opinião de nossos leitores. Então, aí está.
EU POSSO ESTAR 100% ENGANADO!
Mas penso que há algo estragado, muito estragado, na ansiedade coletiva em que nos enfiamos.
Imagine entrar em um bar numa quinta à noite e todas as pessoas estarem, ao mesmo tempo, ostentando placas dizendo: “desconto de X% para você me consumir”. E antes mesmo de chegar ao bar, você já tinha visto algumas dessas pessoas no Instagram ou no TikTok, sendo “vendidas” de forma bem fraca por um bando de outras pessoas igualmente fracas, mas com muita audiência.
Aí eu me pergunto: onde está o envolvimento, o desejo e a possibilidade de um relacionamento duradouro?
E sabe o que é pior? Algumas dessas pessoas que ostentam placas são interessantes, atraentes e diferentes. Talvez nem precisassem de placas se buscassem se diferenciar de fato.
Mas a ansiedade, e principalmente o medo de não serem aceitas, ou a total falta de confiança naquilo que são (talvez não sejam nada por dentro), junto com a necessidade de se venderem para o maior número de pessoas possível, independentemente do tipo de relação que possa surgir, fazem com que adotem esse comportamento recorrente.
Se eu entrasse em um bar assim, sairia sozinho. Ou talvez, já que não é para ter amor, procuraria a placa com o maior desconto.
É exatamente assim que vejo o marketing das empresas hoje em dia.
E conversando com várias delas, ouço uma reclamação recorrente: a falta de leads qualificados. Algumas chegam a recorrer à compra de listas. Listas estas que, certamente, estão sendo vendidas para quase todos os concorrentes.
E quer saber mais?
A culpa pelos números de vendas não estarem bons é sempre atribuída ao marketing. Nunca à falta de estratégia, de objetivos realistas ou de olhar e tratar as pessoas com dignidade. Nunca à invasão massiva das marcas nas redes sociais, irritando as pessoas e não as contagiando. Nunca ao senso artificial de urgência (“compre agora”), sendo que na semana seguinte haverá uma condição ainda melhor. Nunca à incapacidade de enxergar além de um mês à frente.
Ah, gastar uma boa grana com um casal bacana, para segurar essa placa enquanto estiverem no bar, não me parece muito útil. Ou, não me convence. Mas esse é apenas um exemplo entre uma miríada deles.
Bem, esses são meus 50 cents.
Como disse lá no começo, eu certamente estou 100% errado. Afinal, todas as empresas estão agindo dessa forma.
E se me perguntarem, não tenho a fórmula para fazer diferente. Mas usaria a cabeça para tentar cativar o consumidor de maneira genuína, perguntando a ele o que realmente deseja além dos descontões. Começaria tentando ser uma marca com mais interesse genuíno no cliente do que no bolso dele. Uma marca menos ansiosa, capaz até de reduzir a ansiedade dos próprios clientes. Porém, investidores e acionistas certamente não gostariam de mim.
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PM





