Na semana em que a F-1 se exibe em Interlagos as atenções do automobilismo brasileiro deveriam estar concentradas nessa categoria. Deveriam: além de uma prova da penúltima etapa da Fórmula Truck (em Guaporé, RS) ter sido programada para o mesmo dia do GP de São Paulo, a volta do motor V-8 para a temporada de 2026 é dada como fato consumado pelas equipes que disputam o Campeonato Brasileiro de Stock Car Pro .
Diante da dificuldade de equalização de desempenho do equipamento atual, derivado de uma versão Ford Duratec 2,1 de quatro cilindros turbo, esse item não será usado no ano que vem, posto que afeta, principalmente, o equilíbrio das disputas, um dos maiores valores da categoria.
Consultada, a assessoria de imprensa da Vicar, a promotora da categoria, não confirmou nem desmentiu a informação que, sabe-se, já foi comunicada até aos patrocinadores das principais equipes.

O projeto SNG 01 (sigla deStock Car New Generation (Foto: primeiro modelo) foi desenvolvido por cerca de três anos e, segundo informações da Vicar, completou mais de 10 mil km de testes. Adotado oficialmente no início desta temporada, o conjunto apresentou vários problemas, notadamente na confiabilidade e resistência do motor e trincas nos chassis tubulares.
Apesar de várias equipes e engenheiros reconhecerem que, como todo projeto novo o SGN 01 demandava um período de evolução e amadurecimento nas corridas, não faltaram pilotos com opiniões mais ásperas, caso de Felipe Massa e Bruno Baptista, que inclusive tomou providências legais contra a Vicar, a Audacetech (empresa fabricante do carro e pertencente à Vicar) e a Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA), que é a responsável pela homologação do veículo. Os dois pilotos foram multados pelos promotores da categoria por terem feito declarações desabonadoras à categoria.

As disputas acirradas da Stock Car estão calcadas em dois pilares: a equalização e a resistência dos motores. O alto índice de quebras e a falta de confiabilidade do equipamento afetaram profundamente tal cenário, algo não corrigido até agora, apesar de várias tentativas para mitigar e corrigir erros de projeto.
A empresa italiana Autotecnica apresentou propostas para sanar o problema e foram feitas avaliações com gerenciamentos eletrônicos como o FT700 Plus da brasileira Fuel Tech e um modelo da australiana Motech. Se o primeiro é o usado em competições, o segundo foi testado em treinos livres durante as etapas do campeonato e, mais recentemente, num teste realizado no autódromo Raceville (em Brotas, SP). O resultado dessa última avaliação levou à troca definitiva do equipamento, mudança que será concretizada na etapa do dia 30 de novembro, em Brasília.
Enquanto a volta para os motores V-8 é fato consumado para equipes e patrocinadores, comenta-se que a razão a ser alegada para a mudança poderá ser “um pedido dos fãs”.
Ainda não foi decidido o destino dos motores atualmente usados. As possibilidades são equipar os carros da Stock Car Light, que no ano que vem usará o mesmo chassi do SNG 01, ou transferi-los a uma outra categoria. Independente dessa decisão será necessário um desenvolvimento mais amplo do equipamento e adequar seu desempenho à resistência mecânica de um bloco projetado para carros de rua. Ainda não se sabe se os V-8 a serem usados no Brasil serão importados prontos para uso — plugn’play — ou se serão montados no País.
Decisão é acertada
Rosinei Campos, preparador que participa da Stock Car desde 1978, e Rachel Loh, engenheira das mais respeitadas no meio, acreditam que o retorno do motor V-8 se deve principalmente à dificuldade de equalizar o desempenho desse equipamento atual. Campos, cuja equipe Eurofarma RC lidera os campeonatos de pilotos e equipes, destaca que a medida é benéfica, porém não vai corrigir todos os problemas:
“Mais pesado, o motor V-8 vai mudar o equilíbrio do carro e vamos começar do zero de novo, mas é algo importante porque facilita a equalização de desempenho. Eu entendo que essa troca vai melhorar esse item, mas não o conjunto inteiro”.
Rachel Loh, engenheira da Ipiranga Racing, concorda com Campos e acredita que a troca do módulo de gerenciamento eletrônico da Fuel Tech pelo da Motec é válida “mesmo que sejam para apenas as etapas de Brasília (30/11) e Interlagos (14/12)”.
WG
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