O grupo automobilístico franco-italiano Stellantis anunciou que o Leapmotor B10 começará a ser produzido na fábrica localizada em Saragoça, Espanha a partir do segundo semestre deste ano.
O anúncio foi feito dois dias atás coincidindo com a apresentação dos resultados financeiros globais da Stellantis. Durante o evento, o executivo-chefe Antonio Filosa explicou que a fábrica de Saragoça já está sendo preparada para esta nova fase industrial.

“Estamos dando continuidade à nossa expansão comercial na Europa, não apenas com produtos adicionais, mas também com a produção local em nossa fábrica na Espanha. O início de produção do Leapmotor B10 está previsto para o segundo semestre deste ano”, afirmou Antonio Filosa, executvo-chefe da Stellantis.
Para comportar a produção do Leapmotor B10, a Stellantis terá que adaptar a linha 2 ao arcabouço Leap 3.5, que é maior que o arcabouço CMP empregado nos modelos Lancia Ypsilon, Opel Corsa e Peugeot 208, produzidos atualmente no local. A partir de março terão início os trabalhos de readequação da linha 2.

As palavras de Filosa confirmam as informações divulgadas em outubro de 2025 de que o modelo seria fabricado na Espanha, embora na época ainda não fosse confirmado em qual localidade, Saragoça ou Villaverde, onde é produzids toda a gama Citroën C4.
Com essa decisão, a Leapmotor evita as tarifas que Bruxelas impôs aos carros elétricos fabricados na China, que no caso da marca chegam a 30,7%, e opta por uma estratégia que outros fabricantes também seguiram: produção local para superar as barreiras comerciais.

Vale ressaltar que a Leapmotor chegou a montar em regime CKD (sigla em inglês de completamente desmontado), o T03, na fábrica de Tychy, Polônia. No entanto, a produção foi interrompida depois que as autoridades polonesas votaram a favor das tarifas punitivas da União Europeia sobre veículos elétricos chineses. A Espanha, por sua vez, se absteve, o que lhe foi favorável na obtenção de projetos industriais de empresas chinesas.
Chinês com cidadania europeia
Um dos motivos pelos quais a Stellantis escolheu Saragoça para que o Leapmotor B10 ganhasse a cidadania europeia, também se deve à nova gigafábrica de baterias que está sendo construída pela Stellantis e pela CATL nas proximidades da fábrica. Essa instalação, que será especializada na produção de pilhas LFP (fosfato de ferro-lítio), terá uma capacidade máxima anual de 50 GW·h quando estiver em plena operação.

Neste primeiro momento, o suve compacto será produzido em sua versão elétrica com potência de 218 cv, disponível com duas opções de bateria: a versão Pro, com capacidade de 56,2 kW·h, e a ProMax, com 67,1 kW·h, que permitem alcances de 361 e 434 km (WLTP), respectivamente.
Vale ressaltar que o modelo também já está disponível na Europa na versão com extensor de alcance (REEV). Essa variante utiliza um motor a gasolina de 1,5 litro para acionar um gerador. Sua bateria de 18,8 kW·h proporciona um alcance no modo elétrico de 80 km e um alcance combinado de 900 km (WLTP). O motor elétrico continua a produzir 218 cv.

A Leapmotor está preparando uma ofensiva de produtos para este ano, que visa aumentar sua presença na Europa. Após o B10, virá o B05 em 2027. Trata-se de modelo elétrico de dois volumes de porte médio que competirá diretamente com modelos como o Volkswagen ID.3.
Na sequência, serão adicionados os A10 (conhecido como B03X no mercado europeu) e A05. Este último, ainda não foi oficialmente apresentado, será posicionado um degrau acima do subcompacto T03, o que significa que provavelmente será um dois volumes compacto.

A colaboração entre as duas empresas é estruturada através da Leapmotor International. Esta joint venture permite-lhes distribuir os modelos chineses através da rede de vendas europeia da Stellantis.
Mas o objetivo é mais ambicioso. A Stellantis quer aproveitar a tecnologia de baterias e sistemas de propulsão elétrica da Leapmotor para acelerar o desenvolvimento de seus próprios veículos elétricos a bateria (BEVs). Além disso, busca reduzir custos num momento de imensa pressão competitiva.

O grupo está passando por uma profunda transformação, principalmente nos Estados Unidos, o que impactou suas contas globais com prejuízos líquidos de € 20,1 bilhões (R$ 121,8 bilhões) decorrentes do processo de reestruturação. Nesse contexto, a produção na Europa com tecnologia otimizada tornou-se uma prioridade estratégica.
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