Viajei em janeiro à Bahia, região que deixa no chinelo muitas das praias famosas pelo mundo. Os franceses, por exemplo, que me perdoem, mas o luxo que eu imaginava das praias da Riviera Francesa são um lixo ao lado das nossas. Mas o descaso do governo prejudica muito nosso turismo.
Passei uma semana em Serra Grande (Bahia, entre Ilheus e Itacaré) e outra em Barra Grande (foto de abertura, acima de Itacaré), ambas com praias de tirar o fôlego. Para chegar na primeira, algumas dezenas de quilômetros ao norte do aeroporto de Ilheus, com bom asfalto. Entre as duas, entretanto, o acesso é terrível. A BR-030, rodovia federal de Brasilia até o sul da Bahia, é a principal via de acesso à Peninsula de Maraú, onde está Barra Grande.
Motoristas, carros, ônibus e caminhões sofrem por se tratar, acima de Itacaré, de um trecho de terra, pré-preparado para receber o asfalto. Mas na época de chuva, o sofrimento dos motoristas é ainda maior, pois diversos trechos viram verdadeiros lamaçais.
O DNIT é o órgão federal responsável pela rodovia e há uma reclamação geral dos constantes atrasos da pavimentação, apesar de repetidos anúncios de verbas destinada à obra. Como é das principais vias de acesso à região, seu movimento é enorme e o fluxo de veículos compete com estradas das regiões Sul e Sudeste.
É uma região de grande apelo turístico com pousadas de todos os níveis distribuídas por praias lindíssimas. E, lamentavelmente, a rodovia recebe um intenso fluxo de automóveis, motos, caminhões, ônibus e vans sofrendo com valas, costeletas, buracos e crateras sem uma sinalização adequada, pontos de serviço e atendimento. Mas o fluxo agora vai se reduzir: eu pelo menos não volto lá até que o asfalto dê as caras…
E aí vem o detalhe tragicômico deste trecho da BR-030: apesar do piso irregular, da terra e cheio de desnivelamentos, costeletas e buracos, o DNIT decidiu complicar ainda mais a vida do motorista acrescentando mais alguns obstáculos, as tristemente famosas lombadas (“quebra-molas”) ao seu longo.
Fácil imaginar que um quebra-molas na terra é um verdadeiro deboche num piso acidentado e que nem permite velocidades mais elevadas. De quebra, sua sinalização é péssima ou inexistente, e não há como cumprir com a exigência de que tenham pintura em preto e amarelo para aumentar sua visibilidade. Pintar na terra? O DNIT se resguarda bem em seu acampamento ao lado da estrada: uma lombada antes, outra depois, afrontando a regulamentação (distância mínima entre eles) e até suas dimensões de acordo com as normas do Conselho Nacional de Trânsito (Contran).
Além de aumentar o tempo necessário para vencer o trecho não pavimentado, os veículos sofrem com as irregularidades, a suspensão é duramente exigida, pneus se furam com mais facilidade e se desbalanceam com detritos nos sulcos. Filtros se sujam mais rapidamente e elevam o custo de manutenção. E, além de todos estes inconvenientes, a cereja do bolo, totalmente irregular e dispensável, a famosa “ondulação transversal”, lombada ou quebra-nMolas que, na verdade, é um “quebra-tudo”.
BF
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