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Home BS

O AGRADÁVEL TETO SOLAR

O FUSCA TEVE COMO ITEM OPCIONAL, MAS POR POUCO TEMPO, O BRASILEIRO O REJEITOU

identicon por Bob Sharp
08/03/2026
em BS, Colunas, O editor-chefe fala
VW Beetle 1967 mercado EUA (Foto ilustrativa: bringatrailer.com)

VW Beetle 1967 mercado EUA (Foto ilustrativa: bringatrailer.com)







O teto solar do tipo que pode ser aberto, é centenário. Registros dão conta que em 1925 o empresário britânico Noel Mobbs patenteou um mecanismo de teto deslizante, utilizado em carros personalizados da marca Daimler na Inglaterra. Em 1932, a alemã Webasto (fundada por Wilhelm Baier em 1901) começou a produzir tetos de tecido dobrável. Em 1937 a americana Nash é tida como a primeira fabricante a oferecer, de série, um teto solar de metal deslizante e no mesmo ano a Mercedes-Benz ter passado a oferecer o item no V170, modelo que continuou em produção cessada a Segunda  Guerra Mundial na Europa em maio de 1945.

Meu intuito com este preâmbulo foi mostrar como o teto abrível tem uma legião de admiradores no mundo todo, eu entre elas. Isso devido ao enorme prazer que é dirigir um sedã, cupê ou camioneta a céu aberto sem precisar recorrer a um conversível.

Foi paixão à primeira guiada do Fiat 500 C 1952 de um amigo, no Rio, com seu teto de lona de enrolar. Que sensação maravilhosa estar ao volante e ter o céu por cima!

Fiquei exultante ao saber que a Volkswagen havia lançado a opção teto solar para o Sedã em 1965. Fui logo ver como era numa concessionária. Experimentei o sistema no salão de vendas, achei-o genial. Por meio de uma pequena e semiescamoteável manivela e girando-a em sentido anti-horário o teto de aço deslizava suavemente e sem esforço para trás parando onde se quisesse. Para fechar era só girar a manivela em sentido inverso. Nada mais simples e fácil.

No alojamento da manivela lia-se Golde, a marca do fabricante de todo o sistema que era fornecido à VW — também a várias marcas europeias.

Fechado o teto, via-se seu revestimento interno ser o mesmo do teto todo. Era como estar dentro de um acolhedor carro fechado. No lado de fora era um VW sedã normal, visível apenas uma guarnição em todo o perímetro da parte que abria para evitar ruídos de vento: a água da chuva que chegava aos dois trilhos do teto escoava por duas mangueiras no interior das colunas dianteiras.

Em maio de 1966 ingressei na Vemag e um ano depois tornei-me sócio de uma concessionária Vemag, mas em pouco mais de um ano, com o fim do DKW, passamos a Serviço Autorizado VW —  no papel somente, tínhamos status de concessionário o que significava comercializar Volkswagens. A fábrica não nos concedeu nomeação de concessionário por existir um, antigo, na mesma rua, 200 metros adiante.

Fase Volkswagen

Virou o ano de 1970 e achamos que já era tempo de nós, sócios, sermos vistos dirigindo VW, questão de coerência. Até então não tínhamos nos “desgarrado” do DKW. Um sócio “retirou” um Karmann-Ghia 1600 cupê, outro, um VW 1500, e eu pensei num 1300 L, mas a ideia de Fusca com teto solar martelava meus pensamentos.

Tínhamos um cliente americano que tinha um Fusca 1500 1967 de mercado EUA (foto ilustrativa de abertura) que atendíamos e era alvo da minha admiração. Tinha teto solar. Eu lhe dizia que se fosse vender, me procurasse. Passado um tempo o carro entra na concessionária com outra pessoa dirigindo e queria trocá-lo por um 1300 novo “pau-a-pau”. Negócio fechado na hora!

Que Fusca! Já era de carroceria pós-1964 de vidros maiores, para-brisa ligeiramente curvo, teto solar Golde e velocímetro de 80 mph. Nas minhas mãos os freios dianteiros a tambor passaram a disco num par de horas, o distribuidor de avanço a vácuo passou ao só centrífugo Bosch VJ4BR25, e o motor recebeu dois carburadores Brosol 40 corpo simples no lugar do Solex 30 único de afogador automático. No interior um volante F1 Fittipaldi de 360 mm de diâmetro e alavanca de câmbio de Karmann-Ghia, de melhor ergonomia; no exterior, um par de Cibiés Bi-Iodo; E na parte inferior cinco Pirelli CF-67 155SR15, barra antirrolagem Puma de 16 mm de diâmetro facões regulados para câmber traseiro de 1º30′ negativo.

Rejeitado

O triste nessa história foi o brasileiro ter rejeitado um equipamento tão simples e tão importante por atender à absurda fama de ser carro para “chifrudo”, num misto de desconhecimento e ignorância. Sabe-se de donos desses Fuscas, atormentados com a chacota, terem mandado “obturar” o buraco do teto solar. Pior foi a VW acabar com esse notável recursos de comodidade que poderia perfeitamente ter chegado ao “Itamar”

BS

A coluna “O editor-chefe fala” é de exclusiva responsabilidade do seu autor.







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