Era 1976. Como concessionário Volkswagen na cidade do Rio de Janeiro, eu e meus sócios estávamos conscientes de um perigo chamado Fiat 147, que todo mundo sabia estar a caminho. Seria produzido no estado de Minas Gerais num município do qual eu nunca ouvira falar: Betim. A fábrica do carro italiano estava no final de construção iniciada a partir de l4 março de 1973, quando a pedra fundamental foi lançada.
A Volkswagen reinava, o Fusca ainda vendia bem e o Brasília lançado em junho de 1973 e o Passat exatamente um ano depois, formavam um trio vencedor, mas sabíamos do impacto que o pequeno Fiat causaria.
Fernando Mariano, jornalista do setor automobilístico e editor do caderno de veículos do jornal O Globo, e eu, nos conhecíamos bem por ele estar sempre cobrindo corridas no autódromo do Rio, em Jacarepaguá. Em junho de 1976 ele passou na minha concessionária e falou do lançamento do 147 dali a alguns dias, evento para o qual obviamente havia sido convidado, e perguntou se eu toparia ir com ele.
Além da boa companhia — somos amigos até hoje mesmo ele morando em Orlando, na Flórida, há mais de 30 anos cuidando do seu bem-sucedido negócio de mídia — vi no convite uma oportunidade de ouro para conhecer o “inimigo” que estava chegando. Claro que aceitei de bom grado.
Eu nunca tinha ido a um lançamento que não fosse de produto VW e mesmo assim como concessionário, de modo que minha expectativa de ir a um como jornalista era enorme. Agora eu estaria “no outro lado do balcão”. Era 5 de julho de 1976,
Depois da apresentação técnica, a experimentação, o test drive, a melhor parte. Ir da Lagoa da Pampulha a Ouro preto, 115 km. Achei o Fiat sensacional. Motor de 1.049 cm³ e 50 cv, bom de baixa e ao mesmo tempo girador. Carro ágil, excelente de curva, freios e com o rodar no ponto certo. Posição de dirigir perfeita. Punta-tacco à italiana, ideal.
Manopla da alavanca esférica, coisa de Maranello. Movimento de 2ª para 3ª, reto em frente, sen precisar procurar o canal de 3ª. Achei o engate de 1ª e 2ª pesado, que mais tarde viria saber o motivo: sincronizador Porsche.
Em algum ponto da estrada avistei uma, de terra, com uma subida forte. Saí do asfalto e fui para ela. Eu queria ver se com entre-eixos de de apenas 2.225 mm, apesar de não ser um carro alto (1.350 mm) não haveria muita transferência de peso para trás afetando a tração. Nada!
Voltei ao asfalto e chegamos a Ouro Preto. Notei o pessoal da Fiat nervoso com meu sumiço, normal nesses momentos, mas expliquei e se acalmaram. E foi o início de longo e saudável relacionamento, especialmente depois que ingressei na Fiat em agosto de 1978, lotado na Diretoria Comercial que ficava em São Bernardo do Campo.
Na volta para Belo Horizonte fui no banco da direita, também maneira de se avaliar qualquer carro. E a surpresa de ganhar, como todos, uma linda máquina de escrever portátil, a Olivetti Valentine, que usei profissionalmente durante muitos anos. Veja como ela é:

BS
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