Dar partida no motor, durante décadas, era apertando um botão dedicado. A partir dos anos 1950 passou a ser feita girando a chave que liga a ignição um pouco mais, vencendo uma mola, até o motor pegar. Neste século XXI essa tarefa voltou a ser por botão em muitos carros — houve quem se achasse tratar-se de um retrocesso — mas com um detalhe importante: a partida é assistida. Esta consiste em requerer apenas um toque no botão para que o processo de partida ocorra.
Mas vieram os carros elétricos. Não se dá partida em motores elétricos, eles requerem somente energia elétrica para funcionar imediatamente. So precisam ser energizados, o que é feito apertando um botão onde se lê Start/Stop. Em seguida a apertá-lo acende-se uma informação no painel, Ready, Pronto em inglês, significando que o motor só está pronto para funcionar. Está só energizado.
Para movimentar o veículo basta mover a alavanca seletora de movimento — não de marchas, que carros elétricos não tem — para D ou R (foto de abertura) com o que o freio de estacionamento mecânico de acionamento mecânico (eletromecânico) é automaticamente liberado. Aí é só aproveitar o creeping (avanço lento) para manobrar ou usar o acelerador para trafegar normalmente.
Por não terem câmbio, a marcha à ré dos carros elétricos é feita mediante inversão do sentido de rotação do motor. A troca de D para R e vice-versa praticamente instantânea, bem mais rápida do que num câmbio manual ou mesmo automático de qualquer tipo.
Tal particularidade se mostra vantajosa em duas situações. Uma, ao manobrar e se precisa andar para frente e para trás algumas vezes. Outra, titar o carro de um atolamento usando a técnica de movimentar o veículo para frente e para trás repetidas vezes.
Aí temos outra novidade. Como não há marchas como nos carros de motor a combustão e motores elétricos não têm nenhum efeito frenante ao se levantar o pé do acelerador, não se dispõe do velho conhecido freio-motor para numa descida de serra poupar os freios ou evitar que superaqueçam e percam eficiência parcial ou até total.
Mas felizmente existe efeito frenante nos carros elétricos: a geração de energia elétrica. Ela é feita pelo próprio motor elétrico que tem sua função precípua invertida de modo a passar a ser gerador, determinada pelo gerenciamento eletrônico do motor, que “sabe” quando o veículo está em movimento com o pé fora do acelerador.
Como gerar energia elétrica requer energia mecânica (ou hidráulica como nas usinas hidrelétricas), o efeito frenante nos carros elétricos resulta da própria geração de energia elétrica de bordo.
O efeito frenante da geração dessa energia é diretamente proporcional à sua intensidade, quanto mais gera, mais freia. Essa intensidade é controlada pelo motorista, motivo para que ele esteja ciente desse processo e a ajuste conforme a gradiente da serra em que esteja trafegando.
Esse mesmo efeito é aproveitado para o que é chamado dirigir com “um pedal”, o acelerador, tanto que o veículo freia só de tirar o pé do acelerador com uma desaceleração de 0,2 a 0,3 m/s², que é cerca de 20 a 30% da desaceleração de uma frenagem de emergência pelo seu pedal. Tanto freia que as luzes de freio acendem.
Outra mudança de hábito que se impõe ao dirigir um carro elétrico é ficar mais atento ao medidor de carga da bateria e à informação de alcance restante, uma vez não há a mesma facilidade de reabastecimento de um carro de motor a combustão.
BS
A coluna “O editor-chefe fala” é de exclusiva reponsabilidade do seu autor.
