O último Ferrari dotado da combinação de câmbio manual e três pedais foi o Ferrari California de 2012. Embora a maioria tenha sido vendida com câmbio de dupla embreagem, alguns raros exemplares foram encomendados com câmbio manual. O derradeiro Ferrari com motor V-12 aspirado e câmbio manual foi o 599 GTB Fiorano de 2012.
Desde então, nenhum outro modelo do Cavalinho Empinafo (em produção) apresentou pedal de embreagem. O hiato de 14 anos foi interrompido ontem (3/7), uma data memorável que comemora o retorno de um Ferrari de rua com câmbio manual. Ou melhor, traz de volta o gesto, graças a unidade de controle do veículo e o software da caixa de câmbio que foram atualizados para gerenciar com precisão as novas interações.

Trata-se do novo Ferrari 12Cylindri Manuale (manual) que não sinaliza um retorno nostálgico ao passado, mas uma reinterpretação moderna de um ritual de dirigir com um câmbio que parecia destinado aos livros de história da marca de Maranello. Uma solução inédita que promete restaurar o prazer da condução analógica sem sacrificar a rapidez de um câmbio de dupla embreagem.
Para quem é apaixonado pela marca, tem na lembrança do som metálico da alavanca de câmbio percorrendo com maestria a grelha em formato de “H”, com aquele característico soar do “claque” nítido que acompanhava cada troca de marcha. O gesto era muito mais do que um simples engate: era parte integrante da experiência.
Série limitada
O Ferrari 12Cilindri Manuale é apresentado como uma série especial limitada a 1.499 unidades, um número que remete à cilindrada do primeiro motor de 12 cilindros da Ferrari produzido em 1947, tornando-se parte integrante da identidade do então novo modelo. A Ferrari acrescenta ainda que “ele foi projetado para os Ferraristi que são fiéis aos berlinettas de dois lugares com motor V-12 dianteiro e procuram um nível ainda mais intenso de emoções ao dirigir”.

O Ferrari 12Cilindri inspira-se nos icônicos modelos Ferrari Gran Turismo das décadas de 1950 e 1960, incorporando plenamente o espírito dos Ferrari V-12 de dois lugares com motor dianteiro.
Sob o longo capô permanece o motor V-12 de 6,5 litros de aspiração atmosférica que produz 830 cv a 9.250 rpm e 69 m·kgf de torque a 7.250 rpm, a rotação máxima do motor é de 9.500 rpm, acoplado ao câmbio de dupla embreagem F1 de 8 marchas.

O desempenho de condução permanece no mesmo nível do 12Cilindri tradicional: velocidade máxima de 340 km/h, aceleração de 0 a 100 km/h em 2,9 segundos e de 0 a 200 km/h em 7,9 segundos — 3,1 segundos menos que o F40.
Sistema inovador desenvolvido em Maranello
O Ferrari 12Cilindri Manuale foi projetado para proporcionar emoções de condução por meio de duas grandes inovações: o comando de embreagem manual num câmbio de dupla embreagem — até então ambas em todos os carros eram exclusivamenfte automáticas — e o seu novo pedal da embreagem, que juntos formam o sistema Manuale By-Wire, desenvolvido inteiramente em Maranello.

O sistema de controle manual da embreagem consiste em um módulo mecânico equipado com sensores e mecanismos cinemáticos avançados que replicam as cargas mecânicas típicas das caixas de câmbio manuais da Ferrari durante as fases de sincronização, engate e desengate. O mecanismo cinemático gera cliques e variações de carga, fornecendo resposta ao motorista sobre o engate da marcha. Se a embreagem não estiver acionada ou se uma marcha não autorizada for selecionada, como numa redução que resultaria em rotação excessiva, o sistema é capaz de inibir mecanicamente o engate, impedindo a conclusão da operação; quando a trava não está ativa. No entanto, o mecanismo cinemático fica livre para se mover.
O sistema de controle manual é complementado por dois sensores de ângulo que detectam as posições da alavanca, um pomo e um painel de botões retroiluminado para melhor legibilidade e integração com a interface. O mecanismo compacto e modular é usinado a partir de blocos sólidos e pesam menos de 3,5 kg. Além disso, até mesmo os efeitos acústicos de seus movimentos foram objeto de desenvolvimento dedicado para aprimorar a percepção da mecânica subjacente.

E como manda a tradição, há um belo seletor de marchas que mantém as seis marchas mais a ré. No modo manual a sétima e a oitava marchas não podem obviamente ser selecionadas (embora o sejam no modo automático). Essa foi uma escolha inevitável para manter a geometria clássica do seletor da Ferrari e proporcionar uma sensação visual — e tátil — exatamente o que se espera de uma alavanca grelhada.
A mesma abordagem foi adotada para a embreagem. Aqui também não há conexão física com o câmbio: O pedal da embreagem eletrônico lê continuamente o curso do pedal por meio de um sensor de posição e traduz essa informação em acionamento hidráulico da embreagem do câmbio de dupla embreagem.
A pressão aplicada ao pedal de embreagem é traduzida digitalmente com acuracidade milimétrica e transmitida por fio para a unudade de controle do cãmbio de dupla embreagem, assegurando sincronização perfeita entre pedal e alavanca.

Sob o pé esquerdo, no entanto, a Ferrari quis recriar o ponto de acoplamento clássico graças a um sistema refinado composto por molas, comandos e roletes, capaz de reproduzir a progressão de carga típica de uma embreagem tradicional. Um engate impreciso da embreagem resulta em um tranco, como antigamente, ou, em casos extremos, pode até causar a parada do motor.
Arte do metal
O interior também foi redesenhado em torno dessa filosofia. O túnel central apresenta novamente a alavanca de câmbio de seis marchas com marcha à ré no canto superior esquerdo, reinterpretada com uma estrutura de aço e uma escultura de alumínio anodizado que também integra o painel de controle.

O pomo da alavanca de câmbio esférico, também usinado em metal maciço, possui iluminação de fundo que indica tanto as seis marchas quanto o modo de operação, manual ou automático (dependendo da cor da iluminação). O conjunto de três pedais completa um ambiente que, pelo menos visualmente, nos transporta algumas décadas para o passado.

Naturalmente, a opção de usar o modo automático permanece, permitindo que o câmbio de dupla embreagem funcione como no modelo padrão de 12 cilindros (as borboletas de câmbio não foram incluídas). A decisão de remover as borboletas de câmbio no volante — pela primeira vez em muitos anos num Ferrari — reforça o desejo de concentrar a experiência de condução na alavanca de câmbio e na embreagem, enfatizando a percepção, o senso de ritual e a fisicalidade dos gestos do condutor.

Tailor Made
A exclusividade Do Ferrari 12Cilindri Manuale é ainda mais reforçada pelo programa de personalização Tailor Made (sob medida), em que cada carro é personalizado para atender ao gosto ou às necessidades de cada cliente. No caso da variante Manuale, por exemplo, o emblema lateral apresenta o logotipo do carro gravado a laser.

O defletor dianteiro e os para-lamas traseiros exibem um acabamento em filete que homenageia o Ferrari 365 GTB4. Esses elementos são complementados por um acabamento especial para o scudetto, rodas forjadas de cinco raios com desenho exclusivo e soleiras de porta em alumínio gravadas com o logotipo do carro.
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