Em que pese o fato de a VW Saveiro quadrada ter sido lançada em 1982, sua nova geração, apelidada carinhosamente de “bolinha”, só chegou no final de 1997, como ano-modelo 1998. Era uma época em que a Volkswagen focava no Gol, então a camioneta Parati renovada foi surgir apenas um ano depois, e a picape Saveiro, mais atrasada, veio ao mundo quase três anos depois do hatch.

Nova VW Saveiro 1998 estava maior
De qualquer forma, era uma nova geração da picape VW Saveiro, que mostrava como vantagens as linhas arredondadas e modernas, carroceria alongada em 320 mm, distância entre eixos aumentada em 240 mm, e cabine mais espaçosa. Sua caçamba teve volume elevado em mais de 70 litros (superando os 860 L), enquanto a capacidade de carga agora chegava a bons 700 kg (570 kg antes).
Isso a colocava em pé de igualdade com novos modelos de picapes pequenas que despontavam no final dos anos ’90, como Fiat Strada, Ford Courier e Chevrolet Corsa Pick-Up.

Mecanicamente, a Saveiro “bolinha” ganhou um novo esquema de suspensão traseira, bem como mudanças em direção e freios. Ainda assim, nada de arcabouço novo: ela mantinha a obsoleta base de motor longitudinal do Gol quadrado. Para isso, precisava ter uma frente mais longa, e essa disposição ainda subtraía um pouco de espaço da cabine.
Essa, por sua vez, estava maior e com área envidraçada mais generosa, incluindo um par de janelinhas logo atrás das portas. Por isso passava a impressão de ter cabine estendida.

Na sua estreia, era oferecida nas versões CL e GL, com opções dos mesmos motores EA827/AP de antes: 1,6 de 88,5 cv e 1,8 de 98 cv, ambos com injeção multiponto. A família AP, a essa altura, já tinha tomado por completo o espaço dos CHT de origem Ford — a Autolatina, união das duas marcas criada em 1987 desfez-se em 1996. Os AP eram motores robustos, de fácil manutenção e baratos de serem mantidos, então caiam como uma luva na proposta de trabalho da Saveiro “bolinha” da época.
Versão TSI: primeira 2-litros

A primeira e grande novidade relevante da pequena picape de segunda geração foi a estreia da versão TSI ano-modelo 1999: ainda com desenho emprestado do Gol “bolinha”, estreava o potente motor AP-2000, na versão de 8 válvulas e 111 cv, numa configuração mais jovial, completa e esportiva para a VW Saveiro. Tinha rodas aro 15 com pneus 195/50 R15, faróis de longo alcance, carcaças dos retrovisores pintadas na cor da carroceria, interior mais elaborado com bancos Recaro e o valioso emblema TSI na dianteira e laterais.
VW Saveiro G3

Mas pouco tempo depois já era hora de o Gol trocar de geração, algo que aconteceu no início de 1999. Porém, na ocasião, a pequena Saveiro “bolinha” ainda era novidade nas ruas, e havia crescido sua linha apenas alguns meses antes, com a vefsão TSI. Esse impasse foi resolvido com mais um atraso na estreia da nova Saveiro G3, lançada em março de 2000, quase como ano-odelo 2001, quando Gol e Parati da mesma fase já completavam o primeiro ano de mercado.
O carro era basicamente o mesmo, sofrendo apenas uma reestilização profunda que permitiu a alcunha de nova geração. Passava a trazer dianteira mais alta e imponente, com faróis maiores de dupla parábola, além de linhas gerais mais esportivas. Seu interior também estreava estilo inédito, mais horizontal, no que é conhecido como a cabine mais bonita da sua história por muitos fãs do modelo. Ali, a Saveiro tornava mais comum itens de segurança passiva como bolsas infláveis duplas, e de segurança ativa, qunaso vieram os freios ABS. A instrumentação rornou-se mais numerosa, juntamente com revestimento interno em veludo.
Pouco mudava na mecânica, que mantinha os motores 1,6 8v (recalibrado para 92 cv), 1,8 8v (99 cv) e 2,0 8v (112 cv), todos da família EA327/AP. Na ocasião, a estratégia da Volkswagen para a Saveiro era transformá-la num carro mais requintado, sem a proposta totalmente profissional de antes. Além disso, o hiato entre seus lançamentos e os de Gol/Parati ainda garantia certa independência à linha da picape, que começava a ganhar vida própria.

Isso se provou quando, na linha 2003, VW Gol e Parati passavam por uma discreta remodelação visual, com para-choques redesenhados, novas lentes dos faróis e lanternas, e aspecto mais quadrado e robusto. Essas novidades foram aplicadas na VW Saveiro 2004, embora com mudanças ainda mais discretas. Rodas e acabamentos internos também sofriam mudanças.
Vale ressalter que nessa fase a Saveiro teve inúmeras versões especiais e séries limitadas: desde Summer em 2000, Fun em 2001, SuperSurf em 2003, Crossover em 2005 e assim por diante.
Motores flex a partir de 2003
Passo importante na vida da Saveiro correu no segundo semestre de 2003, já ano-modelo 2004, com a chegada da tecnologia flex ao seu motor 1,6 8v. Agora funcionando com álcool ou gasolina, puros ou misturados em qualquer proporção, ela ele entregaca 97/99 cv (gasolina/álcool), e seguia o irmão Gol na propagação da tecnologia. Vale salientar que o hatch da VW foi o primeiro a contar com motor flexível no Brasil, com o nome comercial Total Flex e a Saveiro seguiu na mesma toada como a primeira picape flex.
A novidade flez só chegaria no motor 1,8 em fevereiro de 2005, quando nascia a VW Saveiro 1,8 TotalFlex nas configurações City (básica), SuperSurf (mais completa) e Crossover (aventureira). Crescia de 99 cv da antiga versão a gasolina para melhores 103/106 cv (gasolina/álcool), ganhando nova taxa de compressão, sistema de injeção eletrônica e gerenciamento eletrônico do motor. Enquanto isso, o motor 1,6 Total Flex ficava para as versões mais simples do modelo.
VW Saveiro G4 no fim de 2005
Passados alguns meses, vinha ao mundo, em setembro de 2005, a VW Saveiro 2006, já integrante da famigerada linha G4. Com desenho que, para muitos foi empobrecido, a pequena picape perdia os luxos do painel emborrachado, opção de bolsas inflãveis duplas, motor 2,0, freios ABS e instrumentação com dois quadros que eram oferecidos na G3, em prol de uma proposta mais profissional e simples. Junto dessa nova estratégia, ela estreava mais uma reestilização, com dianteira mais alta, traseira com lanternas inéditas, tampa da caçamba redesenhada e interior com tudo novo. Em contrapartida, ganhava suspensões mais robustas e maior altura livre do solo.
Essas mudanças haviam surgido primeiro no Gol G4, lançado pouco tempo antes, e logo atingiram também a Parati e a Saveiro, essas duas apresentadas simultaneamente na linha 2005. Agora sem a opção do motor 2,0 8v, a Saveiro G4 podia ser comprada nas versões City (básica) ou Sportline (mais refinada), com os 1,6 8v Total Flex (ainda com 97/99 cv) ou 1,8 8v Total Flex (103/106 cv). Ainda assim, era uma picape pequena de sucesso, alcançando a vice-liderança nas vendas da época, e exportada para mais de 20 países.
Mais séries especiais
A VW Saveiro G4 logo passou a ser taxada de carro de trabalho, sem todo aquele apelo jovial de antes. A VW, sabendo disso, partiu para a criação de várias séries especiais para valorizar a pequena picape. Meses depois, ainda em 2005, surgiu a aventureira Crossover (que renascia das cinzas com a mesma proposta), seguida da SuperSurf em nova edição (apresentada no começo de 2006), Surf em 2008 (das mais famosas, especialmente pelo volante homônimo que virou febre nas personalizações), passando pela Titan nesse meio de caminho (linha 2009), que focava no visual espartano para transmitir maior ar de robustez.
Ainda convencendo nas vendas, com méritos, e sendo páreo duro para várias rivais (especialmente Montana e Courier), a VW Saveiro dessa geração, incluindo “bolinha”, G3 e G4, foi descontinuada apenas em meados de 2009.
Dali em diante, entrava no final de 2009 em cena sua substituta, a novíssima VW Saveiro G5, essa sim totalmente renovada no design, construção — motor passou a ser transversal — mecânica, arcabouço, motorização, tecnologias e equipamentos. Mas, essa parte da história fica para a próxima edição da coluna.
DM
A coluna “Perfume de carro” é de exclusiva responsabilidade do seu autor.

