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Home Categorias especiais Front Page

JEEP COMPASS SPORT 2026: UM EXCELENTE CARRO À MODA ANTIGA

Por aproximadamente R$ 150 mil, é uma escolha bastante interessante. Acima disso, o consumidor precisará decidir se prefere entrar no universo dos carros mais modernos ou continuar com uma experiência mais tradicional e familiar. Ainda existe muita gente que prefere um carro à moda antiga.

identicon por Paulo Manzano
11/08/2026
em Front Page, PM, Substance, Testes
Fotos: autor (menos quando indicado)

Fotos: autor (menos quando indicado)



 

 



Não existe nada de novo para falar sobre o Jeep Compass como um todo. Depois de mais de dez anos de mercado, mais de 500 mil unidades vendidas no Brasil e vários anos como campeão de vendas entre os suves médios, é um produto consagrado e amplamente conhecido.

Eu mesmo, inicialmente, nem iria escrever uma matéria sobre ele. Afinal, todo mundo já sabe praticamente tudo sobre o Compass.

Mas tive a oportunidade de passar alguns dias com o Compass Sport 2026, a versão de entrada da linha e uma das mais equilibradas, e o carro me trouxe uma sensação muito positiva.

Depois de uma sequência de testes com carros modernos, tecnológicos, conectados e eletrificados, foi muito bom voltar a um automóvel construído de uma maneira mais tradicional. Não porque o Compass seja superior aos modelos mais novos. Ele não é. Mas porque representa muito bem uma forma de fazer automóveis que ainda agrada a muita gente.

Nem todos os consumidores estão dispostos ou preparados para encarar agora todas as novidades da indústria. Nem todos querem o chamado carro-telefone ou carro-celular, no qual telas, aplicativos, atualizações e recursos digitais passam a ocupar o centro da experiência.

Há pessoas que continuam preferindo um automóvel sem eletrificação, sem altíssima tecnologia, mas muito bem feito e com soluções com as quais já estão familiarizadas.

Não falo isso como crítica. É um perfil de consumidor.

Esse também é um dos motivos pelos quais os fabricantes tradicionais ainda apresentam bons resultados no mercado. Eles seguem um ritmo mais lento de transformação, e esse ritmo atende a uma parcela importante dos compradores. A indústria ainda tem algum tempo para que todos embarquem nesse novo modelo de construção de automóveis e também de construção de marcas.

O Compass Sport é um bom exemplo disso. Eu diria que ele representa o melhor do carro à moda antiga. O carro à moda antiga bem feito.

A versão Sport tem preço de tabela na faixa dos R$ 175 mil, mas é possível encontrá-la por aproximadamente R$ 148 mil em ofertas e ações comerciais. Por esse valor, é uma boa escolha. Acima disso, diante do que existe de mais moderno no mercado, a compra passa a depender muito mais desse perfil de consumidor que ainda prefere uma proposta tradicional, ou nas negociações de troca dos usados.

O Compass tem um porte interessante, bom espaço interno e um desenho que está envelhecendo muito bem. Recebeu diversas atualizações ao longo de sua trajetória, algumas importantes, mas elas não foram suficientes para transformá-lo em uma nova geração.

Mesmo assim, continua tendo boas proporções e, principalmente, presença.

Muitas vezes, porte é até mais importante do que o próprio desenho. O Compass transmite imponência e uma sensação de solidez que ajudam a explicar seu sucesso. As pessoas gostam dessa presença. Muitas mulheres também se sentem mais protegidas num carro com esse porte.

Mesmo não sendo uma solicitação dos consumidores não consigo processar um jeep 4×2 (Foto: Stellantis)

Como se trata de um Jeep, eu continuo achando que todos os modelos da marca deveriam ter algum tipo de tração 4×4, sem exceção. A marca Jeep pede isso (porém, ironicamente, os consumidores não). O Compass Sport utiliza tração dianteira, mas atende bem à proposta urbana e familiar da versão.

O motor T270 é muito bom. Tem boas respostas, funciona com suavidade e está apropriado para o tamanho e para a proposta do Sport. O câmbio automático epicíclico Aisin TF-72SC, de seis marchas, também trabalha de maneira suave, e a operação do conjunto é um dos pontos mais agradáveis do carro.

Excelente conjunto. “Moderno” bem calibrado, suave, e com bom desempenho

Motor e câmbio trabalham muito bem juntos. O desempenho é bom, sem transformar o Compass em algo que ele não pretende ser. O consumo ficou em um nível de bom para muito bom, mas não é um dos destaques. Porém, como já disse em outras avaliações, o melhor número para comparar modelos é o do Inmetro. Pois quando recebemos um carro de testes nunca sabemos qual a mistura gasolina/álcool está no tanque.

O interior continua bastante espaçoso e confortável. É todo preto, com boa qualidade percebida, embora não chegue perto dos carros mais modernos nesse aspecto. A tela central já parece pequena diante do que passou a ser oferecido pelos concorrentes mais recentes. Quem valoriza telas maiores e uma experiência mais digital pode sentir falta de algo mais atual.

O espaço interno é muito bom, muito bom mesmo. O porta-malas também atende muito bem.

Às vezes ficamos presos às medidas em litros. Para mim, o importante é o que chamamos de “no uso”. Usei bastante o compartimento durante o teste e achei muito bom.

Por ser um carro construído dentro dessa lógica mais tradicional, ele ainda tem estepe, algo que muita gente valoriza. Também oferece boa altura em relação ao solo, o que ajuda no uso cotidiano e reforça essa sensação de versatilidade.

Gostei bastante do sistema de áudio. Mesmo sendo um sistema básico, tem boa qualidade sonora. Também gostei das rodas pretas, que combinam com a proposta da versão Sport.

Mas o que mais me chamou a atenção foi a qualidade de rodagem.

A suspensão do Compass é excelente. É um carro um pouco mais firme, sem ser desconfortável. Molas, amortecedores, buchas e pneus trabalham de forma muito bem equilibrada.

A unidade testada tinha apenas aproximadamente 4.500 quilômetros, portanto ainda estava com tudo muito firme e novo. Mesmo levando isso em conta, a sensação é de um conjunto muito bem calibrado e construído com bons componentes. Os amortecedores trabalham com firmeza, mas sem deixar o carro seco. A carroceria permanece bem controlada, e a suspensão consegue oferecer conforto sem ser mole demais.

Notável e excelente conjunto de suspensão e rodas/pneus, ponto alto do modelo

Os bancos também são mais firmes. Hoje tenho gostado de bancos um pouco mais macios, algo que começa a aparecer em produtos mais recentes. Bancos firmes costumam ser bons em viagens longas, mas pouca gente passa tantas horas seguidas dirigindo.

Tenho a impressão de que parte dessa boa qualidade de rodagem está relacionada à rigidez torcional da carroceria, que me parece muito elevada. O carro transmite uma sensação constante de solidez. Não é apenas a suspensão trabalhando bem. Estrutura, buchas, molas, amortecedores, rodas e pneus parecem atuar como um único conjunto.

Os pneus Bridgestone 225/55 R18 também contribuem bastante. É uma medida muito boa para esse carro, com perfil suficiente para preservar conforto e resistência no uso diário. O resultado é um automóvel muito agradável de dirigir, silencioso e suave, com uma qualidade de rodagem que ainda se destaca.

Há um detalhe de que não gostei. Para movimentar o carro, mesmo em uma manobra rápida, é necessário afivelar o cinto de segurança. Entendo que seja um dispositivo pensado para aumentar a segurança, mas considero que não precisava chegar a esse nível de restrição. Às vezes você quer apenas reposicionar o carro, mover alguns metros ou fazer uma pequena manobra, e o sistema obriga o motorista a colocar o cinto. É seguro, mas excessivo. Prefiro avisos sonoros.

No fim das contas, o Compass Sport 2026 continua sendo um carro bem feito, consagrado e bastante equilibrado. 

Ele não oferece a modernidade dos novos eletrificados, não tem uma cabine dominada por telas e também não traz a experiência digital dos carros mais recentes. Está duas gerações atrás nesse sentido. Mas continua entregando porte, espaço interno, conforto, bom desempenho, suavidade, boa qualidade percebida e uma suspensão muito bem resolvida.

Um Jeep para enfrentar as cidades! Um monstro ou um dinossauro?

Por aproximadamente R$ 150 mil, é uma escolha bastante interessante. Acima disso, o consumidor precisará decidir se prefere entrar no universo dos carros mais modernos ou continuar com uma experiência mais tradicional e familiar. Ainda existe muita gente que prefere um carro à moda antiga.

Bem, enquanto um novo e moderno Compass não chega, o modelo passará por uma nova atualização que deve melhorar sua atratividade. Está previsto que ele receba um sistema semi-híbrido de 48 volts, mantendo o conhecido motor T270, agora auxiliado por um pequeno motor elétrico — o próprio alternador que tem sua função temporariamente invertida — nas acelerações e retomadas. A proposta não é transformar o Compass em um híbrido pleno, muito menos em um elétrico, mas reduzir consumo, emissões e deixar o conjunto mecânico mais suave. E com o esplêndido efeito colateral de ser isento do rodízio de São Paulo.

Com isso, o Compass ganhará um argumento importante para continuar competitivo em um mercado que muda em ritmo acelerado, sem abrir mão das características que fizeram dele um dos suves mais bem-sucedidos da história recente do mercado brasileiro.

Gostaria de saber quem tem um Compass, o que acham, e se ainda é um carro desejado.

PM

Tags: CompassJeep
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Fotos: Divulgação GWM Brasil e Gerson Borini/AE

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