Claro que o presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira, mais conhecido como JK, jamais imaginou que, anos depois, poderia ser visto, pela IA, ao lado de um Fiat 147 (foto de abertura feita por IA), lançado em 1976, depois da criação, por decreto, do Geia – Grupo Executivo da Indústria Automobilística — em 19 de junho de 1956, sob o comando do almirante Lúcio Meira, então ministro de Viação e Obras Públicas. A intenção de JK era atrair o capital estrangeiro. E deu certo, entre outras vieram Ford, General Motors, Mercedes-Benz, Vemag (DKW), Willys-Overland, Toyota e Scania. Junto com elas, criou-se uma rede, ainda que pequena, de fornecedores de autopeças.
E o Geia completou 70 anos em 19/6 deste ano, assim como a Fiat chegou aos seus 50 anos de existência. E, muito embora já existissem montagens isoladas de veículos e mesmo fabricação de carrocerias em épocas anteriores, foi JK quem deu força para que o setor surgisse de forma integrada com produção em larga escala. O Geia foi extinto em 19/06/1964,
Foi esse Grupo supraministerial que, em sua primeira resolução, aprovou o plano de nacionalização para a fabricação da DKW-Vemag Universal, camioneta de duas portas, que ganharia o nome de Vemaguet em 1961, considerado primeiro carro fabricado no Brasil, lançado em 19 de novembro de 1956.
Houve um carro precedente, o microcarro Romi-Isetta, lançado em 5/09/1956, produzido pela Indústrias Romi, de Santa Bárbara d’Oeste, SP. Mas por não atender às definições do Geia para automóveis de passeio — mínimo de duas portas e quatro lugares em que eram apenas uma e três, respectivamente, não foi alvo dos incentivos fiscais oferecidos pelo país por meio do Geia e seu elevado preço dificultou suas vendas. Teve a produção encerrada em abril de 1961 após 3.300 unidades fabricadas.
Havia uma prioridade estratégica, que era priorizar a fabricação de caminhões, jipes e caminhonetes (picapes) para abastecer o transporte de carga, para depois liberar a produção de veículos de passeio.
O objetivo principal era modificar o perfil do setor, fazendo com que o Brasil deixasse de ser importador para ser produtor de veículos, exigindo a produção local de motores e componentes, o que ocorreu durante a década de 60, atingindo um índice da nacionalização em torno de 90% em peso do veículo, segundo as normas estabelecidas pelo Geia.
Longe dos tempos atuais, o Geia, com poderes supraministeriais, ignorava a burocracia ao aprovar projetos para o setor, fossem de empresas nacionais ou estrangeiras. Havia isenção e redução de tarifas alfandegárias para a importação de maquinários e equipamentos industriais sem equivalente aos produzidos aqui.
As taxas de câmbio eram subsidiadas, e mesmo favorecidas pela antiga Sumoc (Superintendência da Moeda e do Crédito) e financiamentos facilitados pelo BNDE (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico) criado no governo de Getúlio Vargas em 1952. Em 1982, ganhou “S”, de Social, tornando-se BNDES.
NO ABC
Com a indústria, o ABC paulista (cidades da hoje Região Metropolitana de São Paulo), com destaque para São Bernardo do Campo, que abrigava a maioria das fábricas — Mercedes-Benz, Scania. Simca, VW, Toyota, Willys-Overland, e Ford. Havia apenas duas delas, GM e Vemag, em São Caetano do Sul e São Paulo, respectivamente, o que tornou São Bernardo do Campo o maior polo industrial da América Latina por décadas.
E assim o País, passou de importador para o maior fabricante de veículos do Hemisfério Sul e também maior exportador.
E, se o “Presidente Bossa Nova”, como o chamava o menestrel Juca Chaves numa de suas memoráveis canções, não imaginaria a presença da Fiat em nosso País, certamente nunca lhe passou pela cabeça a chegada dos sul-coreanos e chineses. Mas, sonhador como era JK, ele sabia que, com o Geia, algo de muito importante surgiria neste Brasil.
CL
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