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Home Matérias Automobilismo

OFFENHAUSER, O MOTOR 4-CILINDROS QUE REINOU DECADAS NA F-INDY

identicon por Bob Sharp
13/09/2026
em Automobilismo, BS, Colunas, História, O editor-chefe fala
Motor Offenhauser (foto do autor da matéria originsl)

Motor Offenhauser (foto do autor da matéria originsl)


 

 


Da era pós-guerra até o início dos anos 1960, o motor Offenhauser de quatro cilindros tornou-se um dos motores mais dominantes no automobilismo americano de monopostos. Ele proporcionou um número notável de vitórias na Fórmula Indy de então e 27 vitórias na 500 Milhas de Indianápolis ao longo de várias décadas. Para gerações de pilotos de circuitos ovais americanos, o “Offy” tornou-se sinônimo de vitória. Quem pretendesse competir no mais alto nível, o Offenhauser era a escolha certa.

O motor que finalmente levou o nome de Fred Offenhauser teve suas raízes no trabalho de Harry Miller. Ele foi o gênio da engenharia por trás do projeto original, enquanto Leo Goossen transformou muitas das ideias de Miller em desenhos técnicos detalhados. Fred Offenhauser era o operador das máquinas-ferramenta e chefe de oficina que ajudou a transformar esses projetos em peças de corrida de precisão. Quando a empresa de Miller faliu em 1933, Offenhauser adquiriu os direitos e os moldes do famoso projeto de quatro cilindros e 3.605 cm³ como compensação por salários não pagos. Ele abriu seu próprio negócio em Los Angeles e começou a produzir o motor com seu sobrenome.

Kelly Petillo venceu a 500 Milhas de Indianápolis de 1935 com um carro propulsionado pelo motor Offenhauser de 3.605 cm³ que entregava cerca de 270 cv. Depois que Offenhauser vendeu seu negócio para o tricampeão da 500 Milhas de Indianápolis, Louis Meyer, e para o seu ex-mecânico acompanhante Dale Drake em 1946, a Meyer-Drake Engineering Company continuou desenvolvendo e produzindo o motor Offenhauser por décadas.

A arquitetura do Offy era extraordinária para a sua época. Ele tinha duplo comando de válvulas no cabeçote e quatro válvulas por cilindro, uma configuração que remontava ao revolucionário motor Peugeot de Grand Prix de 1912. O bloco do motor e o cabeçote eram integrados numa peça única fundida, eliminando a junta de cabeçote convencional. Essa construção tornou-se particularmente valiosa décadas mais tarde, quando o emprego de turbocarregador elevou significativamente as pressões nos cilindros.

Outra característica construtiva era não hacw capas removíveis dos mancais de apoio — cinco —do virabrequim, mas uma estrutura de alumínio com placas de bronze nas suas laterais fixadas mediante interferência térmica. A estrutura era aquecida, colocavam-se as placas e com o resfriamento e contração do alumínio a união era sólida e permanente. A solução resultava numa parte inferior do motor extremamente rígida. E a lubrificação do motor era, naturalmente, por cárter seco.

Uma cascata de engrenagens acionava os comandos de válvulas e outros acessórios do motor com engrenagens de precisão. Todo o motor foi projetado pensando tanto na durabilidade e facilidade de manutenção, quanto no desempenho puro. As equipes de corrida podiam usar um Offy por longas distâncias, inspecioná-lo, reconstruí-lo e colocá-lo de volta na competição, sem tratar o motor como um componente descartável.

A próxima grande transformação veio com o turbocarregador. Durante a década de 1960 os engenheiros começaram a pesquisar motores Offenhauser turbocarregados utilizando turbos desenvolvidos originalmente para aplicações industriais e agrícolas. O ganho de potência foi drástico, embora os primeiros monopostos turbo pudessem ser difíceis de pilotar devido à entrega repentina de potência.

Bobby Unser venceu a 500 Milhas de Indianápolis de 1968 com um Offenhauser turbo, tornando o Offy turbo o rei de Indianápolis. Durante a década de 1970, o desenvolvimento continuou mum ritmo extraordinário. Avançados motores Offenhauser turbo acabaram entregando mais de 1.000 cv, com algumas versões altamente desenvolvidas supostamente superando os 1.200 cv no dinamômetro.

Johnny Rutherford pilotou um Offenhauser turbo rumo à vitória na Indy 500 de 1976, dando ao lendário 4- cilindros a sua última vitória na famosa prova. A essa altura, no entanto, o cenário competitivo estava mudando. Alterações nos limites de pressão do turbo reduziram a vantagem de potência do Offenhauser, enquanto o Cosworth DFX V-8 aspirado surgia como o motor dominante do final dos anos 1970//início dos anos 1980.

As últimas aparições do Offenhauser nos monopostos ocorreram no início da década de 1980, encerrando uma das carreiras mais longas e notáveis da história dos motores de corrida. Um projeto cujas raízes remontavam ao trabalho de engenharia de Harry Miller nas décadas de 1920 e 1930 havia evoluído para um monstro turbocarregado capaz de produzir bem mais de 1.000 cv com apenas quatro cilindros.

O Offenhauser não foi simplesmente um motor de corrida de sucesso. Foi uma parte da história do automobilismo americano que sobreviveu a múltiplas gerações de tecnologia, regulamentos e concorrência. Por décadas, pilotos e equipes retornaram à mesma arquitetura fundamental porque ela era potente, durável, reconstruível e comprovada.

Quatro cilindros. Cerca de 270 cv de potência na década de 1930. Mais de 1.000 cv quatro décadas depois. E 27 vitórias na 500 Milhas de Indianápolis ao longo do caminho. O Offenhauser foi um dos maiores motores de corrida que os EUA produziram.

BS

A coluna “O editor-chefe fala” é de exclusiva responsabilidade do seu autor.

N.d.R.: Materia extraída do Facebook assinada por Mr. Engine.

 

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