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Home Matérias Avaliações

JEEP AVENGER LIMITED MHEV, NO USO: CONFORTO E UMA SURPRESA

O SUVE DE ENTRADA DA JEEP CONFIRMA O BOM ACERTO DA SUSPENSÃO, MAS O SISTEMA SEMI-HÍBRIDO DE 12 V PRECISA MELHORAR

identicon por Gerson Borini
27/10/2026
em Avaliações, ELETROentusiastas, Front Page, GB, Teste Eletroentusiastas
Fotos: autor

Fotos: autor



 

 



Quando avaliei o Jeep Avenger por ocasião de seu lançamento, a atuação do sistema semi-híbrido de 12 V praticamente não era percebida pelo motorista. Nesta semana de convivência com a versão Limited, porém, identifiquei uma característica que merece atenção: ao trafegar entre 20 e 40 km/h e tentar manter essa velocidade por períodos prolongados, como acontece frequentemente nos congestionamentos de São Paulo, surgem pequenas oscilações na condução.

Um carro com desenho atraente

A sensação coincide com a entrada e a saída de operação do sistema MHEV, perceptíveis ao motorista como pequenas variações no comportamento do veículo. Não são movimentos intensos, e os passageiros praticamente não os percebem, mas a repetição ao longo de um congestionamento pode comprometer a suavidade que se espera de um conjunto propulsor moderno. É um aspecto que passou despercebido no primeiro contato e que a convivência prolongada permitiu identificar.

O funcionamento do sistema híbrido pode ser acompanhado pelo quadro de instrumentos

Suspensão bem adaptada às nossas ruas

A suspensão continua sendo um dos pontos fortes do Avenger. O conjunto, com McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira, absorve bem as irregularidades, com baixo nível de aspereza e movimentos da carroceria bem controlados. A calibração privilegia o conforto dos ocupantes sem deixar o veículo excessivamente macio, num acerto adequado às condições das ruas brasileiras, com seus remendos, depressões e irregularidades.

Ângulos de entrada, saída e altura livre do solo permitem trafegar por lombadas e valetas urbanas sem preocupação

Há, porém, uma diferença entre a imagem aventureira cultivada pela marca e a vocação prática do Avenger. Apesar dos 221 mm de altura mínima do solo e dos bons ângulos de entrada e saída, o comportamento observado indica um projeto voltado principalmente ao conforto e à mobilidade urbana. Não é um Jeep destinado a enfrentar situações severas fora de estrada, por mais que sua aparência e a comunicação da marca sugiram essa possibilidade.

Teto pintado em preto e barras longitudinais dão o toque aventureiro ao veículo

Bancos e quadro de instrumentos poderiam melhorar

Os bancos dianteiros poderiam oferecer mais conforto se fossem maiores, sobretudo em largura. Durante a condução, as laterais das coxas e das costas acabam apoiadas nas extremidades mais duras do assento e do encosto. Não chega a inviabilizar viagens, mas é um detalhe anatômico que poderia ser mais bem resolvido.

O desenho é atraente. o conforto é que poderia ser melhor

O quadro de instrumentos também deixa uma impressão ambígua. A apresentação gráfica tenta inovar, inclusive com o conta-giros representado por uma barra vertical, mas a solução é pouco intuitiva e praticamente não ajuda quem deseja acompanhar o funcionamento do motor. As possibilidades de configuração são limitadas.

Quadro de instrumentos e multimídia têm leitura facilitada

Em compensação, o tamanho das fontes e o contraste das cores garantem boa legibilidade. A central multimídia segue uma linha mais acertada, com grafismos claros e fáceis de interpretar.

Interior do veículo traz elementos de design e boa oferta de porta objetos

Comandos físicos e herança técnica

Os botões físicos instalados abaixo da central multimídia facilitam o acesso às funções mais usadas e permitem ajustar diretamente o sistema de ventilação e o som. É uma solução simples, mas que melhora a ergonomia e reduz a necessidade de navegar por menus durante a condução.

Botões físicos facilitam a operação durante a condução

O controle de cruzeiro adaptativo também merece elogios por estar presente num modelo de entrada da marca. Na versão Limited, ele integra o pacote Adas de nível 2, com centralização de faixa e outros recursos de assistência ao motorista. Sua atuação é razoavelmente discreta, sem interferências excessivas na condução normal.

Painel de instrumentos tem desenho moderno

Outro detalhe que chama a atenção é o comando do computador de bordo, feito por botões nas extremidades das alavancas do limpador de para-brisa e dos indicadores de direção. A solução evidencia a herança técnica da arquitetura CMP, desenvolvida originalmente pela PSA e compartilhada com modelos Peugeot e Citroën. A relação com essas marcas vai além da produção em Porto Real: aparece também nos comandos e em diversos componentes estruturais.

Detalhes das suspensões e da parte inferior do assoalho nas fotos acima

A inspeção por baixo do veículo reforça essa impressão. O braço de controle da suspensão dianteira é estampado em chapa dupla, enquanto o eixo traseiro utiliza construção hidroformada. Há ainda proteções adicionais para os cabos e as linhas de freio e combustível. São soluções que mostram uma arquitetura compartilhada, adaptada à aplicação Jeep.

A bateria auxiliar de íons de lítio do sistema MHEV, instalada sob o banco do motorista, não interfere no espaço nem na posição de condução.

Bateria posicionada sob o banco do motorista não interfere na condução

Consumo e conclusão

Não foi possível estabelecer uma média de consumo plenamente comparável durante a semana devido à composição variável do combustível utilizado. Com o veículo recebido abastecido com gasolina contendo cerca de 50% de álcool, o computador indicou 13,5 km/l no trajeto rodoviário entre São Paulo e Campinas. Posteriormente, com abastecimento composto por aproximadamente 95% de álcool, a indicação foi de 9,2 km/l num percurso com cerca de 60% de estrada e 40% de cidade. Como as condições e os combustíveis eram diferentes, os números não devem ser comparados diretamente.

Controles de câmbio através da alavanca seletora e borboletas atrás do volante

Depois de 670 km, o Avenger Limited confirma suas principais qualidades: suspensão confortável, carroceria bem controlada, comandos físicos úteis e recursos de assistência que ampliam a segurança. Os bancos dianteiros poderiam oferecer melhor apoio, e o quadro de instrumentos privilegiou a legibilidade, mas deixou a desejar na funcionalidade do conta-giros.

Faltou criatividade para apresentar melhor aparência com funcionalidade superior ao quadro de instrumentos

A principal ressalva são as oscilações percebidas entre 20 e 40 km/h, associadas à entrada e à saída de operação do sistema semi-híbrido de 12 V. É um detalhe que passou despercebido no primeiro contato e que a convivência prolongada revelou.

O Avenger é um Jeep compacto bem adaptado à cidade. A suspensão privilegia o conforto e a altura livre do solo é generosa, mas isso não o transforma num veículo destinado ao fora de estrada severo. Sua proposta está muito mais na mobilidade urbana confortável do que na aventura que a imagem da marca costuma evocar.

GB

Ficha técnica Jeep Avenger Limite T200 MHEV Flex CVT

Motor

Posição Dianteiro, transversal
Número de cilindros 3 em linha
Cilindrada 999 cm³
Diâmetro × curso 70 × 86,5 mm
Taxa de compressão 10,5:1
Admissão Turbocarregador com válvula de alívio elétrica e interresfriador ar-ar
Comando de válvulas MultiAir III eletro-hidráulico, com uma árvore para as válvulas de escapamento
Válvulas por cilindro 4
Alimentação Injeção direta
Potência máxima 116 cv a 5.500 rpm (G) / 5.250 rpm (A)
Torque máximo 20,4 m·kgf a 2.000 rpm (G) / 1.750 rpm (A)
Combustível Gasolina / álcool

Motor elétrico

Posição Dianteiro, junto ao motor a combustão
Tensão 12 V
Corrente 200 A
Bateria auxiliar Íons de lítio, 256 W·h
Bateria convencional Chumbo-ácido, 68 A·h

Transmissão

Câmbio CVT com 7 marchas
Relações 1ª – 2,270; 2ª – 1,600; 3ª – 1,200; 4ª – 0,940; 5ª – 0,740; 6ª – 0,580; 7ª – 0,460; ré – 2,604 a 0,420
Diferencial 5,698
Tração Dianteira

Suspensão

Dianteira Independente, McPherson, mola helicoidal e barra antirrolagem
Traseira Eixo de torção e mola helicoidal
Amortecedores Hidráulicos, telescópicos com batente hidráulico

Direção

Pinhão e cremalheira com assistência elétrica na árvore de direção. Diâmetro de giro: 10,6 m

Freios

Dianteiros Discos ventilados, Ø 283 × 26 mm
Traseiros Discos Ø 249 × 10 mm

Rodas e pneus

Rodas Liga de alumínio, 7 × 18″
Pneus 215/55 R18

Pesos e capacidades

Peso em ordem de marcha 1.280 kg
Capacidade de carga 400 kg
Porta-malas 364 litros
Tanque de combustível 47 litros

Dimensões

Comprimento 4.084 mm
Largura, sem retrovisores 1.776 mm
Altura 1.583 mm
Distância entre eixos 2.557 mm
Altura mínima do solo 221 mm
Ângulo de entrada 22°
Ângulo de saída 33,6°

Desempenho

0 a 100 km/h 10,7 s (G) / 10,3 s (A)
Velocidade máxima 185 km/h (G/A)

Consumo Inmetro

Urbano 12,7 km/l (G) / 8,8 km/l (A)
Rodoviário 13,5 km/l (G) / 9,4 km/l (A)

Garantia

5 anos sem limite de km

Preço

R$ 145.990 (preço sugerido de lançamento)

Fonte: ficha técnica Jeep Avenger Limited T200 MHEV Flex CVT, ano-modelo 2027.

Principais itens de série

• Ar-condicionado digital automático • Assistente de centralização em faixa
• Assistente de permanência na faixa • Bancos revestidos em tecido que imita couro
• Câmeras com visão de 360° • Central multimídia de 10″ com Android Auto e Apple CarPlay
• Chave presencial • Controle de cruzeiro adaptativo
• Controle de estabilidade • Detector de cansaço do motorista
• Faróis LED Matrix • Frenagem autônoma de emergência
• Freio de estacionamento elétrico • Iluminação ambiente com 8 opções de cores
• Monitoramento de ponto cego • Quadro de instrumentos digital de 10,25″
• Partida do motor sem chave • Reconhecimento de placas de trânsito
• Retrovisor interno eletrocrômico sem moldura • Retrovisores externos com rebatimento automático
• Rodas de liga de alumínio de 18″ • Selec-Terrain com modos de condução
• Sensores de estacionamento dianteiros e traseiros • Sistema de conectividade Jeep Adventure Intelligence com ChatGPT
• Teto pintado em preto • Tomada USB adicional para passageiros traseiros
• Volante multifuncional revestido em couro • Carregador de smartphone por indução
• Seis bolsas infláveis (frontais, laterais e de cortina) •  Controle de descida e assistente de partida em aclives

 

Tags: Jeep Avenger 2027Jeep Avenger híbridoJeep Avenger Limited MHEVJeep Brasilmotor 1.0 turbosistema MHEV 12 VSuve compactosuve semi-híbrido
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