A conquista do Campeonato Mundial de Pilotos por Andrea Kimi Antonelli, domingo, no GP Cidade do México (foto de abertura), entra para a história da categoria por motivos que extrapolam o fato de o italiano ter apenas 20 anos e ser o piloto mais jovem a conquistar esse título. Tais consequências implicam, em especial, diretamente na carreira de George Russell, seu companheiro de equipe, e na consolidação de um padrão de descobrir e burilar pilotos que mal chegaram, ou sequer chegaram, à adolescência. Como forma de comparação, Giuseppe Farina, igualmente italiano tinha 44 anos quando garantiu o título de 1950, e Fangio tinha 47 quando se tornou pentacampeão, em 1957.

A trajetória de Kimi Antonelli rumo à F-1 começou efetivamente em 2018, quando ele tinha 12 anos de idade e Toto Wolff decidiu investir em sua carreira. Foi uma aposta arriscada, mas que teve bons resultados nas categorias base que usam monopostos. Em 2024 Antonelli foi alçado diretamente à F-2 e, após uma primeira metade da temporada marcada por resultados inexpressivos em comparação aos seus adversários, não faltaram críticas.

Não bastasse isso, quando ele foi alçado à condição de sucessor de Lewis Hamilton, que conseguiu seis dos seus sete títulos pela equipe alemã, dois apoiadores da equipe — Puma e Tommy Hilfiger — optaram por não renovar seus contratos de patrocínio.

A decisão se mostrou equivocada: em seu primeiro ano na F-1 Kimi subiu quatro vezes no pódio, somou 150 pontos, fez a pole position para uma corrida sprint (Miami) e anotou três voltas mais rápidas (Japão, Bélgica e EUA-Austin). George Russell, alçado à condição de primeiro piloto com a saída de Hamilton, terminou em quarto lugar, com vitórias no Canadá e em Singapura e subiu no pódio em outras nove oportunidades. Tudo isso não bastou para a renovação automática de seu contrato para este ano: nesse processo Toto Wolff declarou várias vezes que não perderia uma segunda chance de ter Max Verstappen em sua equipe.

Até agora a campanha de Russell em 2026 foi marcada por abandonos e uma performance abaixo do esperado. Após 171 largadas na F-1 não será agradável , para dizer o mínimo, para ele aceitar um piloto com apenas 43 corridas, até o domingo passado, seja considerado o primeiro piloto da equipe. Os fãs de estatísticas apontarão que o italiano já venceu nove corridas, uma a mais que o inglês.

Futuro de Russell à parte, o caminho para a sonhada F-1, batizada pelos ingleses como “pinnacle of motorsport” (auge do automobilismo) foi alterado de vez. O montante financeiro necessário para alcançar tamanho objetivo implica em investimentos cada vez maiores em pré-adolescentes que se aventuram no kartismo internacional. Até mesmo a Federação Internacional do Automóvel (FIA) se mostra preocupada com o custo de uma temporada internacional, algo que pode superar US$ 5 milhões (algo em torno de R$ 25 milhões) para disputar a F-2, último estágio antes da F-1.
Se durante décadas o acesso ao circo mais caro do esporte era ditado, principalmente, pela habilidade do piloto, atualmente, patrocinadores e paitrocinadores se vêm obrigados a praticamente emancipar seus rebentos e ar condições de prestar os vestibulares que levam à uma vaga nas academias de pilotos das equipes e conseguir uma vaga nas equipes de ponta das fórmulas 3 e 2. Não bastasse todos esses obstáculos, também conta a naturalidade do piloto: como a F-1 vive uma fase de expansão mundial, é necessário criar ídolos em mercados inéditos e com pouca ou nenhuma tradição no automobilismo.
Verdade que só isso não basta, mas ajuda bastante, como se pode ver pelo resultado do primeiro treino livre no México: dos 22 carros que entraram na pista, 10 foram pilotados por nomes que conseguiram o apoio de várias equipes. O melhor desses pilotos foi o dinamarquês Frederik Vesti, que ficou em terceiro, com o carro de George Russell, e ficou a apenas 0”074 do tempo de Kimi Antonelli. Seguiram o japonês Ayumu Iwasa (5º, Red Bull de Max Verstappen), seguido pelo búlgaro Nikola Dimitrov (12º, Racing Bulls de Liam Lawson), Gabriele Mini (14º, Alpine de Franco Colapinto), Leonardo Fornaroli (17º, McLaren de Lando Norris) Jack Crawford (19º, Aston Martin de Lance Stroll), Luke Browning (20º, Williams de Alexander Albon), Fred Slater (21º, Audi de Gabriel Bortoleto) e Colton Herta (22º, Cadillac de Valtteri Bottas). Herta deve voltar a andar no primeiro treino livre em Interlagos e é cotado como o primeiro candidato em uma possível dispensa de Bottas.

Em Interlagos a grande novidade na lista de inscritos é o brasileiro Rafael Câmara, que estreia na categoria no carro que até o início dos treinos do México era conduzido por Esteban Ocon. Originalmente o piloto de Recife estava escalado para disputar o primeiro treino pela Ferrari, mas a rescisão de contrato entre a equipe americana e o francês Ocon alterou a programação. Embora Câmara esteja confirmado como piloto titular para 2027, ainda não se sabe quem pilotará o segundo carro da Haas nas etapas restantes. Para o primeiro treino livre a Scuderia optou por escalar o italiano Dino Beganovic.
O resultado completo do GP da Cidade do México você encontra aqui.
WG
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