A Cadillac, marca de luxo da General Motors (GM), um dos pilares de tecnologia, inovação e desempenho do grupo, está levando à Fórmula 1 soluções desenvolvidas pela própria fabricante. A equipe Cadillac Formula 1 utiliza uma plataforma de software que permite rastrear individualmente dezenas de milhares de componentes dos carros de competição, incluindo itens tão pequenos quanto parafusos e porcas.
A iniciativa evidencia como a GM pretende aproveitar a participação na principal categoria do automobilismo mundial não apenas para fortalecer a presença global da Cadillac, mas também para desenvolver tecnologias e processos que possam ser aplicados aos seus veículos de produção.
O sistema, denominado Race Vehicle Gateway (RVG), mantém registros detalhados de cada componente. Todas as peças recebem um número de série próprio, associado a informações sobre quando, onde e em quais condições foram utilizadas no carro. Dessa maneira, os engenheiros conseguem acompanhar a quilometragem acumulada e determinar o momento adequado para sua retirada de serviço.
O controle é particularmente importante na Fórmula 1, onde os componentes trabalham sob condições extremas e têm limites de utilização definidos. Além do acompanhamento digital, as peças passam por inspeções físicas após cada utilização. Caso seja identificado algum problema, os engenheiros podem consultar o histórico registrado para investigar as possíveis causas e circunstâncias da ocorrência.
A plataforma conta ainda com um segundo software, o Race Vehicle Simulation (RVS), que integra os registros de utilização às simulações do veículo. A combinação dos dois sistemas permite que a equipe determine quais componentes serão instalados no carro, inclusive identificando cada peça pelo seu número de série.
A GM reúne essas ferramentas sob o conceito Race Vehicle Platform. A proposta, porém, vai além das necessidades da equipe de Fórmula 1: os dados e processos desenvolvidos no automobilismo também podem ser aproveitados nos programas de engenharia dos veículos de produção da fabricante.
Segundo Sterling Anderson, vice-presidente global de produto da GM, a integração entre as atividades de competição e desenvolvimento de veículos de rua permite uma troca de tecnologias, ferramentas e conhecimentos nos dois sentidos.
Um dos exemplos citados por Anderson é o desenvolvimento aerodinâmico. Dados provenientes dos programas de veículos de produção são utilizados pela GM no desenvolvimento de ferramentas de aprendizado (machine learning), que ajudam a acelerar os estudos aerodinâmicos tanto de carros de rua quanto de competição.
A fabricante considera a participação no automobilismo uma oportunidade de desenvolver e aperfeiçoar tecnologias que possam ser aplicadas em diferentes áreas de sua operação. Assim, o controle individualizado de componentes utilizado pela Cadillac na Fórmula 1 não representa apenas uma ferramenta de gestão da equipe, mas também uma fonte de conhecimento para os demais programas de engenharia da GM.

Essa estratégia também está relacionada ao posicionamento da Cadillac em seus mercados. No Brasil, a marca está sendo lançada com veículos elétricos de luxo, que combinam desempenho, eletrificação e elevado conteúdo tecnológico. A participação na Fórmula 1 reforça essa associação entre engenharia, inovação e desempenho, além de criar oportunidades para a transferência de conhecimentos entre as pistas e os veículos de produção.
O funcionamento da plataforma é apresentado num episódio da série documental What Makes Fast, divulgado no Brasil às vésperas do Grande Prêmio de São Paulo de Fórmula 1, a ser realizado de hoje a domingo, em Interlagos.
GB



