No lançamento do novo Honda WR-V, já modelo 2021, fui observar uma coisa e acabei achando outras. O destaque claro é o novo visual, mais ousado e que tenta trazer este derivado do Fit mais próximo dos suves para ser a porta de entrada desses aventureiros urbanos da marca.
No entanto, durante o test drive, o que acabou se destacando foram dois pontos bastante importantes: o refinamento da suspensão com excelente compromisso entre o conforto e o esportivo (rara em veículos mais elevados) e a economia de combustível do conhecido motor 1,5 i-VTEC. Apesar de não existirem modificações mecânicas, o casamento deste motor com o câmbio CVT, após três anos em linha (o WR-V foi um projeto brasileiro e surgiu no inicio de 2017) fizeram o modelo 2021 ficar extremamente econômico, graças a pequenos ajustes em linha de produção, creio que a maioria de programação eletrônica, no caso do casamento entre motor e câmbio. O mesmo ocorreu com a suspensão. Apesar de milhares de horas de testes e muito quilometragem, nada como alguns anos de produção para amadurecer e fazer um ajuste fino em qualquer carro.
Na revista Oficina Mecânica adorávamos fazer o último teste de um modelo que ia sair de linha. Sempre era o melhor carro jamais produzido, a maioria das vezes muito diferente em sensação e rendimento em relação aos exemplares do início da produção.
Do Twist ao WR-V
Em 2012, quando a Honda lançou o Fit Twist, o fabricante japonês sabia do tamanho do pepino de transformar um pacato monovolume familiar (muito apreciado inclusive pelas mulheres) em um modelo mais aventureiro. O Twist, que tinha apenas alguns adereços estéticos, não vingou e, cinco anos depois, veio o WR-V, um Fit elevado em 64 mm e com mudanças de suspensão e estéticas mais profundas, tudo para ser um suve/crossover de entrada da Honda no Brasil.

Agora, na versão 2021, o WR-V foi repaginado visualmente e ganhou mais conteúdo, sinônimo de recursos eletrônicos e de segurança. E chegou também uma nova versão mais básica, de entrada, a LX, além das já existentes EX e EXL.
A dianteira ganhou novas grade, com friso cromado menor, e faróis, em LED no EX e EXL, além da DLR (luz de rodagem diurna). Na traseira, além de novas lanternas também com LEDs, veio um para-choque mais encorpado e 67 mm mais longo que o anterior, aumentando o comprimento total do WR-X para 4.068 mm. Todas essas mudanças visam dar um aspecto mais robusto ao modelo, mas o para-choque traseiro mais saliente também traz maior proteção à tampa, que era facilmente atingida em choques contra obstáculos verticais, como ocorria bastante com o Uno de primeira geração.
Eletrônica e segurança
A linha 2021 também traz controles de estabilidade e tração, assistente de partida em aclive e sinalização de frenagem de emergência de série, em que as luzes freio ficam piscantes em frenagens de desaceleração iguais ou superiores a 7 m/s² ou 0,71 g. Ganha ainda sensor crepuscular, para o acendimento automático dos faróis, com regulagem de altura do facho.
Destes, sem dúvida o controle de estabilidade e tração é o mais útil, devido ao câmbio CVT. Em curvas mais rápidas, existe a tendência de perda de aderência das rodas dianteiras (em carros que têm essa configuração), o que é facilmente corrigido com o alívio do acelerador e a entrada do freio-motor. Mas… nesta situação o CVT tende a jogar “marchas” mais altas e o efeito do freio-motor é muito anestesiado. Mesmo não sendo muito intrusivo, o controle de estabilidade e tração atua e joga a dianteira novamente para a trajetória da curva, corrigindo a derrapagem. Inclusive este controle deve se tornar obrigatório em todos os carros nacionais no próximo ano.
O número de bolsas infláveis aumenta de acordo com a versão. O LX traz apenas as obrigatórias frontais, enquanto o EX ganha também as laterais. Já o EXL traz seis bolsas infláveis, contando também com as laterais tipo cortina.
O topo de linha EXL possui ainda bancos em couro, GPS integrado na central multimídia, retrovisores rebatíveis por acionamento elétrico, sensores de estacionamento dianteiros além dos traseiros, e espelho interno fotocrômico.
Claro que essa maior disponibilidade de equipamentos é proporcional ao preço, que varia R$ 11.300 entre o LX (R$ 83.400) e o EXL (R$ 94.700). O WR-V intermediário EX sai por R$ 90.300,00.
Claro que o EXL traz também um acabamento interno mais sofisticado, inclusive com partes do revestimento em couro.

Inclusive, o topo de linha tem mais recursos no câmbio CVT, como as sete marchas definidas e a possibilidade de troca de marchas pelas borboletas atrás do volante.
Já o mais básico LX também conta com CVT, sem marchas definidas, e mesmo ele não tem o câmbio manual como opcional. Como já vem ocorrendo há algum tempo, quem deseja um carro da moda (sinônimo de suve) não se interessa por trocas manuais.
Motor e câmbio
Apesar de tantos recursos, no dia todo de test drive (quando rodei cerca de 200 quilômetros com o novo WR-V) pelo transito urbano e rodovias, o que mais se destacou foi o conjunto mecânico. O eficiente motor 1,5 i-VTEC 16v “conversa” eletronicamente muito bem o câmbio CVT e no trânsito urbano e com baixa carga de acelerador praticamente se comporta com um automático. O desagradável “efeito CVT” só aparece em retomadas de velocidade em rodovias, como ultrapassagens, quando se tem a sensação “de que o motor vai e o carro fica”. Algo como embreagem patinando em câmbio manual. O fato deste CVT usado pela Honda ter conversor de torque também ajuda a diminuir esse efeito de variação de rotação do motor sem mudança sensível de velocidade. No modelo testado, existe ainda a possibilidade de selecionar S (Sport) na alavanca, o que melhora acelerações mantendo motor em maior rotação, em regime de potência.

Claro, esse motor tem várias qualidades, como durabilidade, economia de combustível, confiabilidade, mas certamente a esportividade não está incluída. O sistema de comando de válvulas variável em fase e levantamento da Honda (em dois pontos fixos, e não contínuos) garante um funcionamento suave e os 115/116 cv a 6.000 rpm e 15,2/15,3 m·kgf a 4.800 rpm são suficientes para viagens seguras e até rápidas, porém longe da esportividade. A Honda não fornece números oficiais, mas o 0 a 100 km/h fica em torno de 12 segundos e máxima deve ultrapassar um pouco os 170 km/h.
Por outro lado, a economia de combustível surpreende positivamente, principalmente em um carro com pretensões de ser um suve/crossover, já que essa qualidade não é esperada. Em circuito misto cidade/estrada (50/50) com ar-condicionado ligado fez 14,5 km/l de gasolina, chegando até os 18 km/l a 100 km/h constantes em trechos mais planos. E mesmo mantendo os 120 km/h, a média foi de 16 km/l. Claro que 64 mm de altura a mais que o Fit, e a frente mais volumosa trazem um maior arrasto aerodinâmico, que todavia não chega a ser tão importante nestas velocidades mais baixas.

Mas, o grande destaque fica para os sistema de suspensão e direção, algo também no qual os suves raramente se destacam. A dianteira teve o subchassi rebaixado (para subir a carroceria) e manter os braços da suspensão dianteira na horizontal, e todos os componentes são exclusivos do WR-V: braços, molas e amortecedores, barra antirrolagem de maior diâmetro… Inclusive sua bitola dianteira ficou 15 mm mais larga que a do Fit, chegando aos 1.497 mm. A caixa de direção (com assistência elétrica) veio de seu irmão maior, o HR-V. Na traseira, todo o conjunto de suspensão também veio do HR-V. Todo esse conjunto deixou o WR-V mais saboroso de dirigir e obediente, principalmente em curvas, um certo contrassenso da Física em um veículo mais elevado. Muito interessante, considerando que estas qualidades de prazer ao volante nunca foram destaque no Fit, do qual o WR-V é derivado.

Assim, com todos estes aperfeiçoamentos estéticos e maior tecnologia, a Honda pretende convencer mais consumidores que o WR-V é um suve de entrada e não apenas um Fit aventureiro. Uma tarefa um pouco difícil, já que as vendas do WR-V nunca decolaram exatamente . Em três anos de produção, pouco mais de 5.000 unidades foram comercializadas. Mas, cabeça de consumidor de carros da moda como os suves tem lá seus mistérios e quem sabe o WR-V agora descubra seu público.
JS
| FICHA TÉCNICA HONDA WR-V 2021 | |
| MOTOR | |
| Descrição | 4 cil. em linha, transversal, bloco de ferro fundido, cabeçote de alumínio, comando de válvulas no cabeçote, corrente, variador i-VTEC de fase e levantamento, 4 válvulas por cilindro,coletor de admissão variável, injeção no duto Honda PGM-FI, flex |
| Cilindrada (cm³) | 1.497 |
| Diâmetro e curso (mm) | 73 x 89,4 |
| Potência (cv/rpm, G/A) | 115/116/6.000 |
| Torque (m·kgf/rpm, G/A) | 15,2/15,3/4.800 |
| Taxa de compressão | 11,4:1 |
| TRANSMISSÃO | |
| Tipo do câmbio | Automático CVT, tração dianteira |
| Conexão motor-transeixo | Conversor de torque |
| Relações de marchas (:1) | Frente 2,526 a 0,408, ré 2,706 a 1,382 |
| Espectro (:1) | 6,191 |
| Relação de diferencial (:1) | 4,992 |
| SUSPENSÃO | |
| Dianteira | Independente, McPherson, mola helicoidal, amortecedor pressurizado e barra antirrolagem |
| Traseira | Eixo de torção, mola helicoidal e amortecedor pressurizado |
| DIREÇÃO | |
| Tipo | Pinhão e cremalheira, eletroassistida indexada à velocidade |
| Voltas entre batentes | 2,8 |
| Diâmetro mínimo de curva (m) | 10,6 |
| FREIOS | |
| Dianteiros (Ø mm) | Disco ventilado/262 |
| Traseiros (Ø mm) | Tambor/200 |
| RODAS E PNEUS | |
| Rodas | Liga de alumínio, 6Jx16 |
| Pneus | 195/60R16 |
| Estepe | Temporário |
| CONSTRUÇÃO | |
| Tipo | Monobloco em aço, monovolume, 4 portas, 5 lugares, subchassi dianteiro |
| DIMENSÕES | |
| Comprimento (mm) | 4.068 |
| Largura sem/com espelhos (mm) | 1695/2.076 |
| Altura (mm) | 1.599 |
| Distâncias entre eixos (mm) | 2.555 |
| Bitola dianteira/traseira (mm) | 1.497/1.336 |
| Distância livre do solo (mm) | 207 |
| PESOS E CAPACIDADES | |
| Peso em ordem de marcha (kg) | 1.130 |
| Capacidade do porta-malas (L) | 363 (906 com encostos do banco traseiro rebatido) |
| Tanque de combustível (L) | 45,3 |
| DESEMPENHO | |
| Aceleração 0-100 km/h (s, G;A) | 12 s (estimado) |
| Velocidade máxima (km/h, G/A) | 170+ (estimado) |
| CONSUMO (INMETRO/PBEV) | |
| Cidade (km/l, G/A) | 11,7/8,1 |
| Estrada (km/l, G/A) | 12,4/8,8 |
| CÁLCULOS DE CÂMBIO | |
| v/1000 em D (km/h) | 59,2 |
| Rotação a 120 km/h D (rpm) | 2.000 |
| MANUTENÇÃO | |
| Revisões (km/tempo) | 10.000/6 meses (prevalecendo o que primeiro ocorrer) |
| Troca de óleo do motor (km/tempo) | 10.000/6 meses (prevalecendo o que primeiro ocorrer) |
| Garantia (tempo) | 3 anos |
| EQUIPAMENTOS HONDA WR-V EXL 2021 |
| EXTERIOR |
| Ajuste elétrico dos retrovisores externos com rebatimento elétrico |
| Câmera de ré |
| Estrado de teto |
| Faixa degradê no para-brisa |
| Faróis de neblina |
| Faróis de LED |
| Grade dianteira cromada com acabamento preto piano |
| Limpador e lavador do vidro traseiro |
| Maçanetas na cor do veículo |
| Microantena de teto traseira |
| Repetidoras em LED nos retrovisores externos |
| Rodas de liga alumínio 16 pol. |
| Terceira luz de freio |
| Vidros esverdeados com filtro de UV |
| INTERIOR |
| Acabamentos e detalhes internos no painel e portas na cor prata |
| Apoio de cabeça para todos os ocupantes |
| Apoio para o pé esquerdo |
| Ar-condicionado digital automático |
| Banco do motorista com ajuste de altura |
| Bancos de couro |
| Comando de telefone no volante |
| Conectividade: Bluetooth, aux P2, Micro SD, e 2 entradas para MP3 players, pen drive, smartphones e iPod/iPad |
| Console central com porta-copos |
| Controlador automático de velocidade de cruzeiro |
| Desembaçador do vidro traseiro |
| Iluminação interna dianteira individual e central |
| Multimídia com tela tátil de 7″ com navegador GPS (AM-FM/Bluetooth e espelhamento Android Auto e Apple CarPlay |
| Painel de instrumentos com computador de bordo multifuncional, com iluminação azul e branco (BlueMeter) |
| Para-sóis com espelho |
| Porta-copos na extremidade esquerda do painel |
| Porta-malas com iluminação |
| Porta-objetos nas portas dianteiras |
| Porta-revistas no dorso dos encostos dos bancos dianteiros |
| Quatro alto-falantes (2 dianteiros, 2 traseiros) |
| Sistema de rebatimento dos bancos ULTRa SEAT – com bancos traseiros reclináveis e bipartidos (60/40) |
| Tomada 12 V |
| Vidro do motorista um-toque (subida e descida) e antiesmagamento |
| Vidros elétricos nas quatro janelas |
| Volante com ajuste de altura e distância |
| Volante multifuncional com revestimento em couro e ajustes de áudio |
| SEGURANÇA |
| Alarme |
| Aviso sonoro de cinto do motorista desatado |
| Barras anti-invasivas nas portas |
| Bolsas infláveis frontais, laterais de cortina ((6) |
| Chave-canivete com controle de abertura / fechamento das portas |
| Cintos de segurança de 3 pontos (3) no banco traseiro |
| Cintos de segurança dianteiros com ajuste de altura |
| Cintos de segurança dianteiros de 3 pontos com pré-tensionador e limitador de força |
| Controle de estabilidade e tração |
| Engates Isofix para dois bancos infantis |
| Estrutura de deformação progressiva |
| Freios com distribuição eletrônica das forças de frenagem (EBD) |
| Imobilizador de motor |
| Imobilizador dos vidros traseiros |
| Luzes de rodagem diurna de LED |
| Presilha de segurança para o tapete do motorista |
| Sinalização de frenagens de emergência |
| Trava para crianças nas portas traseiras |
| Travamento automático das portas a 15 km/h |






