No 11º episódio do podcast AUTOentusiastas, o microfone se voltou para dentro de casa. O entrevistado foi ninguém menos que Paulo Manzano, antes conhecido como Paulo Keller, fundador do AE e um dos grandes responsáveis por transformar uma ideia de grupo de e-mails em uma das publicações automobilísticas mais respeitadas do país. A conversa percorreu lembranças pessoais, carreira em grandes fabricantes e, claro, os bastidores da criação e evolução do AUTOentusiastas.
Tudo começou cedo, como para a maioria de nós. A influência paterna foi determinante: dirigir ainda criança, sentir o peso da embreagem e o receio de bater o Chevette da mãe no muro de casa. Mas o verdadeiro estalo veio antes, quando, com menos de 10 anos, Paulo avistou um Corvette C3 azul estacionado na rua. Aquele capô longo e as curvas hipnóticas despertaram algo que seria impossível apagar.
Apesar de quase seguir medicina, Paulo ingressou na FEI em engenharia automobilística. Ali mergulhou de vez no universo técnico, estudando obsessivamente revistas nacionais e importadas. Estagiou na Mercedes e depois foi efetivado na Cummins, onde aprendeu a importância de enxergar o cliente final, um aprendizado que se tornaria central em sua carreira. O sonho de trabalhar na General Motors se realizou em 1997. Lá, atuou primeiro na melhoria contínua e depois na área de marketing de produto, descobrindo a vocação que unia técnica, mercado e consumidor. Projetos como Astra, Zafira e a criação da série Advantage estão entre suas marcas registradas.
Em 2002, a mudança para a Toyota parecia arriscada, trocar a maior fabricante do mundo por uma operação ainda pequena no Brasil. Mas foi ali que Paulo encontrou seu espaço, liderando o lançamento do Corolla Brad Pitt e da Fielder, ajudando a popularizar o câmbio automático no mercado nacional e consolidando de vez a experiência como gestor de produto. Ali, diz ele, foi onde mais se sentiu em casa, em uma cultura na qual a palavra cliente aparecia em todas as reuniões.
O embrião do AUTOentusiastas surgiu ainda na GM, como um grupo interno de e-mails entre amigos apaixonados por carros. Evoluiu para o Yahoo Groups, depois para o Google Groups, até que em 2008 virou blog no Blogger. O nome nasceu da adaptação de enthusiasts, termo inglês comum nas revistas estrangeiras, mas pouco usado no Brasil. A surpresa maior veio quando Bob Sharp, referência máxima do jornalismo automobilístico, aceitou participar como editor-chefe já na largada. Logo se juntaram Juvenal Jorge e outros colaboradores, formando a base que sustentaria o crescimento.
Com o tempo, o blog se tornou site em 2014, em meio a migrações complicadas até chegar ao formato consolidado em 2015. Paulo lembra que em 2017 quase se dedicou integralmente ao AE, mas acabou retomando a carreira executiva em fabricantes como PSA e Jaguar Land Rover. Foi só em sua saída indústria, em 2024, que tomou a decisão definitiva: o AUTOentusiastas seria sua casa de corpo e alma.
Hoje, o site soma diversidade editorial, seriedade jornalística e emoção verdadeira. O compromisso, segundo ele, é claro: nada de clickbait, memes ou rótulos fáceis. O AE existe para entregar conteúdo relevante, técnico e apaixonado. O objetivo é expandir a presença no YouTube, valorizar os editores e trazer de volta a emoção que sempre esteve na essência do projeto. Como Paulo resume, “eu quero que as pessoas fiquem arrepiadas quando lerem uma matéria nossa. Que sintam vontade de pegar o carro e sair dirigindo.”
Essa é a essência do autoentusiasmo. Não importa a marca, o modelo ou o ano. O melhor carro do mundo é o seu.
AE





