No Campeonato Mundial de Resistência da Federação Internacional do Automóvel (FIA) há um dispositivo técnico-regulamentar que visa equilibrar o desempenho dos carros das categorias Hypercar e LMGT3. Ele se chama Equilíbrio de Desempenho (Balance of Performance, abreviadamente BoP).
Embora o BoP resulte em disputas nas pistas altamente atrativas para os apreciadores do automobilismo de competição, estejam nos autódromos ou circuitos de rua, ou pela televisão, computadores pessoais e smartphone, para mim e muita gente o desempenho parelho artificial desabona as corridas de automóveis.
As tão apreciadas ultrapassagens não o são por mim, que foco no desempenho puro dos carros mais do que qualquer outro aspecto das corridas. É claro que como qualquer ser humano torço pela marca e pelo piloto, tal como torcer pelo cavalo e pelo jóquei no turfe. Nos ralis de velocidade e nas subidas de montanha não se ultrapassa e nem por isso deixam de ter milhões de apreciadores no mundo.
Não vejo com bons olhos qualquer forma de artificialismo de desempenho. Soa —e é — falso. Vimos disputas espetaculares de Jaguar x Ferrari em Le Mans na década 1950, continuaram com Ford x Ferrari, Porsche x Ford., Audi x Porsche, tudo “ao natural”.
Como é hoje, com o BoP, não dá para aquilatar totalmente o mérito de uma marca vencedora, e isso é longe de ser saudável para o automobilismo. Com que moral pode uma fabricante anunciar uma vitória? A Porsche publicou anúncio após Le Mans de 1988 com uma foto do carro vencedor e a frase “Nossos parabéns pela vitória da Jaguar na Horas (tenho esse recorte de jornal). Este anúncio não teria existido ou soaria falso com o BoP.
O protótipo Jaguar XJR 9LM interrompeu a série de sete vitórias consecutivas lá, 1981–1987. Reportagens da época contam que diretor de competição da Porsche, Peter Falk, faltando meia hora para o final, foi se preparar, com terno e gravata, para cumprimentar Tom Walkinshaw, o escocês chefe da equipe Jaguar, que teve como pilotos do carro vencedor o holandês Jan Lammers e os britânicos Andy Wallace e Jimmy Dunfries
As “ferramentas” do BoP são:
• A organização pode adicionar ou remover peso dos carros. Carros mais rápidos podem receber um “lastro de sucesso” ou ajustes de peso base para reduzir sua agilidade e velocidade;
• Potência do motor: o desempenho do motor é controlado através da eletrônica ou de restritores de ar. Sensores de torque nos eixos monitoram em tempo real se o carro está entregando mais potência do que o permitido;.
• Energia por turno: além da potência pura, a FIA controla a quantidade total de energia (combustível ou eletricidade) que cada carro pode consumir por turno, afetando quanto tempo ele consegue ficar na pista antes de reabastecer;
• Aerodinâmica: em alguns casos, ajustes podem ser feitos no arrasto ou na força vertical descendente (downforce) para equilibrar o comportamento do carro em retas e curvas.
Desta vez os tempos modernos, que nos trouxeram uma miríade de benefícios, jogaram contra o que eu e muitos chamam de automobilismo de verdade. Tornou-se mais competitivo, porém uma competitividade de peruca.
BS
A coluna “O editor-chefe fala” é de exclusiva reponsabilidade do seu autor.

